A massa ou a vida

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Em pouco tempo, vendo os telejornais de hoje ouvi – contei-as! – 14 (catorze) vezes a sibilina referência ao custo do novo tratamento que permite a cura (cura, não alívio, não remissão, cura!) da perigosa hepatite C, no tom de “está bem cura, mas enfim,que diabo, tanto dinheiro…”. São 48.000 euros por uma cura completa, qualquer que seja o estádio da doença. Quase tanto como o preço de cada um dos carros que os ministros, secretários de estado, directores gerais, administradores de EPs, provedores da Santa Casa e outros que tais gostam de trocar com pornográfica frequência.

O Medina Carreira, num dos seus oftálmicos programas, no caso dedicado aos “gastos” – como ele gosta de dizer – com a saúde, abordou a questão com aquela sensibilidade e empatia que lhe são habituais – a ele e às alforrecas. Ao ouvir o convidado declarar o preço da dita cura, todo se abespinhou e, com o seu ar de pitonisa descabelada a quem nasce o sol pelo olho do cu, murmurava: “quarenta e oito mil? tsssch, pode lá ser”, desatando, com o nervozinho do costume, a destilar a habitual peçonha sobre o estado social e quem o inventou.

Esta corja não consegue ter uma atitude decente sem ficar com uma espécie de hesitação, entalada entre a inevitabilidade de fazer o que deve ser feito e a má vontade de levar as coisas até ao fim. Vamos, cambada de invertebrados morais, avancem nem que tenham, para acalmar a raiva que vos dói, de colar na testa dos beneficiários um letreiro que os deixe com má consciência para o resto da vida “eu estou vivo porque gastei 48000 euros do estado”. Ou então recuem, não adquiram o medicamento e tenham a coragem de vir dizer-nos isso na cara. De preferência em directo e ao vivo.

20 euros para ser prof é um preço justo

Pelo menos é o que diz o Despacho 14293-A/2013, de 5 de novembro que vem definir o calendário e o custo da prova de acesso, ou de ingresso ou de conhecimentos ou sei lá o quê mais, que Nuno Crato se lembrou de exigir aos Professores Contratados Desempregados.

São duas áreas em que Nuno Crato tem sido brilhante:

– ajudar à privatização da Escola Pública;

– despedir e tratar mal os professores.

Siga para bingo, que se faz tarde! Dia 18 de dezembro é o dia!

20€!!!!

Continuo sem palavras!

Mas avanço com uma proposta: Nós, professores dos quadros, se chamados para a vigiar, faremos GREVE porque ela está COMPLETAMENTE fora do nosso conteúdo funcional!

As tabelas de preços do ensino privado

O  Nuno Domingues  viu o preço das escolas privadas com contrato de associação, quando paga o estado, e foi ver quanto pagam os pais que pagam (é suposto que as turmas subsidiadas sejam à borla) em algumas destas beneméritas instituições.

Nós pagamos 4522 euros, em média, por aluno e por ano, preço de tabela, os pais têm desconto e pagam nalguns colégios 2500 euros, preços de outra tabela.

Ou seja: estava completamente enganado quando, perante o Relatório do Tribunal de Contas, constatei nas suas próprias conclusões como o privado é mais caro que o público, tendo em conta uma maior oferta de soluções e recursos educativos e os cortes recentes na educação perante uma diferença mínima calculada (e note-se que foi impossível isolar todos os custos contabilizáveis do público, inflacionando o resultado médio obtido).

Afinal o ensino privado com contrato de associação fica-nos mais caro mas é mais barato. [Read more…]

Hide yourself, Jekyll

Quase uma semana depois de soltar na TVI Mr. Hyde, Dr. Jekyll decidiu falar, de modo a exorcizar inquietações e a reorientar o assunto. Com incomodidade mal disfarçada (e o Joker fora do baralho), veio dizer que “não há razão para nenhuma histeria, nem para nenhuma mobilização excepcional” pois nada está decidido quanto ao modelo a seguir na privatização do serviço público de rádio e de televisão. Um ano e meio após anunciar a intenção de prosseguir essa via, Dr. Jekyll adianta agora um dado novo:  antes de se escolher o modelo devem ser respondidas outras perguntas, nomeadamente o que se entende por serviço público de rádio e de televisão. “Não é a ideia vaga de que deve existir um serviço público, é qual é esse serviço público em concreto”. É absolutamente notável que, um ano e meio após se ter comprometido a decepá-lo, Dr. Jekyll ainda não saiba o que é, ou deve ser, o serviço público!

Pois bem, tentemos situá-lo. O senhor está em Londres. É convidado, enquanto Primeiro-Ministro deste país, para assistir à cerimónia de abertura dos jogos paraolímpicos de 2012. A sua presença denota a importância do evento que agora se inicia, que pretende constituir-se como o expoente de valores tão inalienáveis como a inclusão social e a não discriminação. Os jogos paraolímpicos são transmitidos pelas televisões de todo o mundo. Em Portugal, apenas pela RTP2. A televisão que o senhor quer liquidar está a prestar serviço público. E por sua decisão, os jogos paraolímpicos deixarão de ser transmitidos na nossa televisão. [Read more…]

O valor do salário

No actual debate público em torno das políticas económicas e financeiras, quer em Portugal quer pela Zona Euro em geral, torna-se evidente que os ditames ideológicos do pensamento económico dominante, enquadram o salário com um mero custo. Por cá, chega-se mesmo a entender que fazem parte de gorduras a eliminar tanto quanto possível.

Esquece a lógica neo-liberal – para quem o lucro é sagrado e o mercado é tudo – que a saúde de qualquer economia se afere pela distribuição da riqueza que se concretiza pelos salários e pelos impostos. Uma economia com algumas grandes fortunas à custa de muitos assalariados remediados não é economia saudável: é escravatura contemporânea. [Read more…]

Contra as renováveis ou a favor do nuclear ?

Um grupo de personalidades apresenta hoje um manifesto contra a política energética assente nas energias verdes. Razões de elevado custo estarão na origem da sua posição, só a subvenção dos preços permite que sejam competitivos.

Mas estas personalidades são tambem conhecidas por serem a favor da energia de origem nuclear, que após todos estes anos de experiência com centenas de centrais a funcionar, se tornou segura . Os desastres nucleares vieram dar uma contribuição extraordinária para o estudo dos níveis de segurança e seus efeitos nos humanos e no ambiente, considerando-se hoje que a indústria nuclear tem um nível de segurança superior à maioria das outras indústrias.

Há mais de 30 anos que numa visita à Baviera, andei todo o santo dia a ver uma central nuclear, andasse por onde andasse a sua presença visual era imponente. À sua volta a vida continuava e que se saiba, pelos estudos feitos à população residente ,não há índicios preocupantes quanto à saúde.

Poderá Portugal continuar afastado da energia nuclear?