Adiamento criminoso: redução do número de alunos por turma

800Há pouco tempo, Duarte Marques, deputado do PSD, terá feito referência à possibilidade de haver menos mil turmas nas escolas, no próximo ano lectivo. Alexandra Leitão, a Secretária de Estado da Educação, respondeu que o governo não prevê redução de número de turmas. De qualquer modo, os números não poderão ser verdadeiramente conhecidos antes do final deste mês e, mesmo assim, com algumas dúvidas.

A ideia de que iria haver menos turmas, de qualquer modo, ficou a pairar, mas não passa de um fait-divers cujo impacto não deveria ter sido ampliado.

Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Pública (ANDAEP), a propósito deste tema, afirmou que, para manter os empregos dos professores, bastaria que de diminuísse o número de alunos por turma.

O desemprego é um drama e uma sociedade dirigida por gente civilizada deve preocupar-se com isso, equilibrando, o mais possível, os problemas humanos e as finanças públicas. [Read more…]

Nuno Crato põe alunos em risco

NUNO-CRATO-PORTRAIT-RETRATONuno Crato é um mero continuador de políticas iniciadas por Maria de Lurdes Rodrigues. O principais objectivos dos três últimos governos, no aparente âmbito da Educação, têm sido o de diminuir as despesas com pessoal e o de contribuir para o lucro de entidades privadas (a festa da Parque Escolar, com o PS, e as ajudas descaradas aos colégios, com o PSD). Pelo meio, os riscos que os alunos correm vão aumentando, especialmente se se tratar de jovens de meios desfavorecidos.

Em primeiro lugar, as condições de aprendizagem têm vindo a piorar. Entre muitos outros factores, temos a diminuição do tempo individual de trabalho dos professores e o aumento do número de alunos por turma. Os alunos correm, portanto, o gravíssimo risco de frequentar uma escola em que é cada vez mais difícil ensinar.

Para além disso, há riscos crescentes para a integridade física e psicológica dos alunos. Para isso concorrem, por exemplo, o fim do par pedagógico em disciplinas que exigem o manuseamento de materiais ou de instrumentos perigosos e um processo de despedimento de funcionários não docentes que está a atingir o seu auge a menos de um mês do início das aulas. É importante relembrar que cabe a muitos destes funcionários zelar pelos alunos nos espaços exteriores às salas de aula: tal como fez com os professores, Nuno Crato está a falsear números para poder despedir funcionários que, já se si, eram insuficientes para que as escolas pudessem funcionar satisfatoriamente. [Read more…]

Nuno Crato não sabe o que é um ano lectivo

NUNO-CRATO-PORTRAIT-RETRATONão saber o que é um ano lectivo corresponde, na prática, a uma condição sine qua non para se ser Ministro da Educação em Portugal. Nisso, como em muita outras coisas, Nuno Crato tem-se mostrado à altura do cargo, não destoando dos seus antecessores.

Tentarei, de forma sumária e simples, ajudar os próximos ministros a perceber este conceito tão espantosamente simples.

Em primeiro lugar, é importante perceber que se trata de um período. Foi por isso que o inventor do conceito resolveu usar a palavra “ano”. Concedo, ainda assim, que a dificuldade do ministro não esteja neste termo. Talvez o problema esteja em “lectivo”, que os adjectivos são palavras terríveis.

Uma consulta a qualquer dicionário ajudará Nuno Crato a perceber que o adjectivo é equivalente a escolar. Poderemos, assim, concluir que “ano lectivo” se refere a um período em que há aulas. [Read more…]

Menos turmas com os mesmos alunos

Trabalhar numa escola não pode ser fácil, porque implica lidar com muitos e variados domínios do ser humano. Como se isso não bastasse, para se trabalhar numa escola, em Portugal, é-se obrigado a lidar com uma opinião pública frequentemente hostil ou indiferente e com sucessivos governos que, relativamente à Educação, baseiam as suas decisões numa mistura de incompetência, insensibilidade e ignorância que se parece demasiado com má-fé.

Uma das actividades a que as escolas se dedicam, no final do ano lectivo, apesar do mito de que está toda a gente de férias, consiste na criação de turmas. Trata-se de um serviço que envolve membros das direcções, funcionários administrativos e muitos professores. Antes disso, com a maior antecedência possível, cada escola divulga a sua oferta formativa. Graças a todo este processo trabalhoso, os alunos matriculam-se no ano e/ou nos cursos que pretendem frequentar. Assim, a pouco e pouco, é com base em matrículas e inscrições que se vão criando turmas, de cada vez que se atinge o número mínimo de alunos exigido por lei.

Entretanto, a definição da rede escolar deveria ter sido feita até 30 de Junho, o que não aconteceu. Quando alguém, no Ministério, se lembrou de a divulgar, as escolas ficaram surpreendidas com uma redução do número de turmas imposta com a habitual negligência de quem não perde tempo a estudar o terreno. De qualquer modo, quem trabalha nas escolas, já sabe que é em Julho e em Agosto que os ministros ditos da Educação tomam decisões que – das duas uma – ou não deviam tomar ou já deviam ter tomado. [Read more…]

O ministro da Educação-mercadoria

Santana Castilho*

As coreografias políticas de inferior qualidade, geradas pela irresponsabilidade de Gaspar, Portas, Passos e Cavaco, varreram o importante sério em função do urgente falso. O país viveu as últimas semanas à espera da salvação e acabou condenado. Os pequenos delinquentes políticos foram premiados. Tudo voltou ao princípio. Os mesmos de sempre ficaram satisfeitos. Passos Coelho, qual garoto a quem perdoaram a última traquinice, retomou a sua natureza profunda. Foi escasso o tempo necessário para o ouvir recuperar o discurso de ódio à Constituição e aos funcionários públicos. Sem vergonha, resgatou a União Nacional.

Com tal e eloquente fundo, surpreendem os dias de desespero que Nuno Crato vem laboriosamente oferecendo aos professores e à escola pública? Só a quem tem memória curta. E são, infelizmente, muitos. Atropelam-se os exemplos.

1. Repito o que já escrevi: não houve nem há qualquer concurso nacional de professores. Houve, e continua a haver, um enorme logro. [Read more…]

As tabelas de preços do ensino privado

O  Nuno Domingues  viu o preço das escolas privadas com contrato de associação, quando paga o estado, e foi ver quanto pagam os pais que pagam (é suposto que as turmas subsidiadas sejam à borla) em algumas destas beneméritas instituições.

Nós pagamos 4522 euros, em média, por aluno e por ano, preço de tabela, os pais têm desconto e pagam nalguns colégios 2500 euros, preços de outra tabela.

Ou seja: estava completamente enganado quando, perante o Relatório do Tribunal de Contas, constatei nas suas próprias conclusões como o privado é mais caro que o público, tendo em conta uma maior oferta de soluções e recursos educativos e os cortes recentes na educação perante uma diferença mínima calculada (e note-se que foi impossível isolar todos os custos contabilizáveis do público, inflacionando o resultado médio obtido).

Afinal o ensino privado com contrato de associação fica-nos mais caro mas é mais barato. [Read more…]

O tamanho das turmas

Será que está por aí algum boy laranja que possa levar este post ao Sr. Ministro Nuno Crato?

É que na minha escola, em mais de 30 turmas não tenho nenhuma turma, sem alunos NEE, com o número de alunos que o sr. Ministro refere.

Será que ele me pode dizer onde é que isso acontece?

Mais com menos

Lucília

Lucília, posso contar a tua história? Tinha sido um dia longo, a fechar uma ainda mais longa semana e, mesmo assim, nos teus olhos escuros vi réstias de esperança no lugar da revolta que, justamente, de ti se poderia ter apossado. Podes, mas publica só à noite. Não quero que o meu marido saiba pelo Aventar.

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Despacho de organização do ano lectivo 2012/2013: primeira análise

Parece a história do rei vai como Deus o trouxe ao mundo, mas é mesmo assim: despedir é a intenção de Nuno Crato, nada mais que isso: DESPEDIR!

A intenção é clara – não gastar em educação o que é preciso para os Bancos, para as parcerias e para todos os tachos dos boys laranja.

Há outro caminho. Tenho dificuldade, reconheço, em dizer qual. Mas, por aqui é que não pode ser porque o Comentador Nuno Crato do alto da sua sapiência televisiva está a mexer no que até agora estava mais ou menos intacto – o trabalho com os alunos.

E, ao longo de todos os pontos do Despacho, não há uma única proposta que, ainda que simbolicamente, possa significar investimento na situação x ou y. Nada. Apenas um conjunto de medidas com um denominador comum: ter menos professores na escola.

Vamos lá então à fundamentação desta reflexão através do texto do dito cujo:

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Os farsolas do regime

Santana Castilho *

1. Comemora-se hoje o 25 de Abril. Foi há 38 anos. “O País perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos e os caracteres corrompidos. A prática da vida tem por única direcção a conveniência. Não há princípio que não seja desmentido, nem instituição que não seja escarnecida. Já não se crê na honestidade dos homens públicos. O povo está na miséria. O desprezo pelas ideias aumenta em cada dia. Vivemos todos ao acaso. O tédio invadiu as almas. A ruína económica cresce. O comércio definha. A indústria enfraquece. O salário diminui. O Estado tem que ser considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo”. Estas frases corridas pertencem a Eça de Queirós e foram citadas por Paulo Neves da Silva, em livro editado pela Casa das Letras. A quem revê nelas o país em que hoje vive, pergunto: e não fazemos nada? [Read more…]

A Caminho da Escola (os alunos de Nuno Crato)

Alguns alunos de uma turma pós-Crato vão para a escola de comboio; o maquinista, claro, ganha mais de 50 mil euros por ano!

As turmas de Nuno Crato

Nuno Crato ainda não tinha feito nenhum disparate notável. Arrependeu-se. Uma turma com 26 alunos é uma aberração. Com 30 nem quero imaginar, sendo certo que poucas escolas dispõe de salas com espaço para tanta gente, a menos que se parta para soluções criativas: alunos de pé, alunos sem carteira ou alunos às cavalitas de alunos.

Tanta conversa com o rigor e a aprendizagem destruída  num instante. A qualidade do ensino vai-se degradar no próximo ano lectivo a níveis que farão inveja a Maria de Lurdes Rodrigues.

Já agora, espero que o mesmo número seja imposto nos colégios privados que são subsidiados à turma. O sol quando se põe é para todos.

PQP

São as iniciais do que me apetece dizer. Mas ainda bem que a FENPROF está sem medo das palavras.

Crato dilatador

Olha… espreitei o diário da República e reparei que a minha sala de aula cresceu. A sério, é uma espécie de milagre da multiplicação… das cadeiras. Descobri que as minhas turmas vão ter 30 alunos (no 5.3 do pdf do DR).

Contas simples: de 24 a 28, as turmas passam a  30. Se em cada turma entrarem mais 2 alunos, por exemplo, em 13 turmas temos menos uma turma, menos 30 horas, ou seja menos um professor por cada… Vamos jogar ao mata?

46664 é o próximo número da escola pública

A 11 de fevereiro de 1989 assisti pela televisão a um dos momentos mais marcantes da minha vida: a libertação de Nelson Mandela.

Eu sei que a recordação é completamente desajustada, mas  avisei, há três anos atrás, no primeiro dia do Aventar que nem sempre consigo pensar antes de escrever.

Também já deu para perceber que o azeite e água, coisa e tal, um por cima e outro por baixo e nem sequer é uma questão de peso.

E vem esta conversa a propósito de quê?

Da separação entre alunos bons e alunos maus! [Read more…]