Como iludir o consumidor

O ministro Moreira da Silva anunciou ontem que a venda de combustíveis simples permitiu uma poupança média de 0,03€ para o consumidor. Pena o aumento de 0,03€ em todos combustíveis previsto para a próxima semana.

Serviços essenciais: mudaram as regras

As tabelas de preços do ensino privado

O  Nuno Domingues  viu o preço das escolas privadas com contrato de associação, quando paga o estado, e foi ver quanto pagam os pais que pagam (é suposto que as turmas subsidiadas sejam à borla) em algumas destas beneméritas instituições.

Nós pagamos 4522 euros, em média, por aluno e por ano, preço de tabela, os pais têm desconto e pagam nalguns colégios 2500 euros, preços de outra tabela.

Ou seja: estava completamente enganado quando, perante o Relatório do Tribunal de Contas, constatei nas suas próprias conclusões como o privado é mais caro que o público, tendo em conta uma maior oferta de soluções e recursos educativos e os cortes recentes na educação perante uma diferença mínima calculada (e note-se que foi impossível isolar todos os custos contabilizáveis do público, inflacionando o resultado médio obtido).

Afinal o ensino privado com contrato de associação fica-nos mais caro mas é mais barato. [Read more…]

A desgraça (II)

Já nem a “Autoridade da Concorrência” consegue mascarar o que já mostrámos aqui. Portugal tem, de forma consistente, o preço dos combustíveis sem taxas acima da média europeia.

O importante é vender a alface

No admirável mundo moderno do João Miranda:

produzir uma alface é mais fácil do que colocar uma alface onde eu a quero comprar, com o aspecto que eu quero, no dia e na hora a que eu quero e a um preço que eu esteja disposto a pagar.

A ideia de que o valor acrescentado pelo distribuidor é mais importante do que a mercadoria produzida é fascinante. Deixem-me incluir nesse valor acrescentado o da publicidade, que me garante ser aquela alface a verdura que eu desejo. E ter em conta que dada a mísera margem de lucro do produtor da alface numa economia com 1,2% de peso da agricultura essa percentagem se pode aproximar do zero.

Em breve atingiremos o nirvana do absolutismo do mercado: um empresário bem sucedido será aquele que coloque à venda um pacote de merda onde ele quer, com o aspecto de uma alface que ele gostaria de comer, e no dia e na hora em que lhe dê o apetite estará então disposto a pagar por uma salada de merda. Regue com óleo de urina e bom apetite João Miranda.

A Telefónica cerca PT!

…à medida que sobe o preço oferecido pela Telefónica, de 5,7 mil milhões passaram para 6.5 mil milhões e a saída da posição accionista que tem na própria PT de 10%. A Telefónica não desiste dos 50% da Vivo na posse da PT, e a administração desta já reuniu hoje de urgência. Já se ouve dizer, pela administração, que o preço ainda não reflecte o valor estratégico, é preciso mais, o que juntando ao que Faria de Oliveira já afirmou publicamente, palpita-me que “o valor estratégico” é sinónimo de “mais massa”.

Como já disse  aqui, é só o vil metal que está em jogo, o resto é conversa fiada, faz-me lembrar a história dos “centros de decisão nacionais” quando se tratou das privatizações, compradas as empresas por ” tuta e meia” logo venderam os centros de decisão nacionais a quem deu mais (rima e é verdade!).

Nós, por cá, é que caímos uma e outra vez na conversa fiada de quem nos goza a seu belo prazer, o Estado agita a “golden share” como se a maioria accionista aceitar o preço , seja possível impedir a OPA. Vão fazer o mesmo que fizeram com a anterior OPA da Sonae, convencer e comprometerem-se a remunerar “principescamente” o accionista, para isso cá estamos nós a pagar as telecomunicações mais caras da Europa!

É só estratégia e patriotismo!

A Telefónica quer vivamente a PT!

A “road show”, como diria o outro, está na estrada! A fina flor está em Nova Yorque a tentar convencer os accionistas e tudo o que cheire a dinheiro que cá a gente, está para dar e vender, não é nada como nos andam a difamar, que temos problemas, que não vamos conseguir pagar o que devemos, invejosos, é o que é…

A Telefónica quer a VIVO toda( 46 milhões de clientes), já tem metade, a outra metade têm-na a PT, é uma questão de dinheiro, mais tarde ou mais cedo. O que está em jogo é uma empresa, no Brasil, que já é a maior contribuidora de lucros no universo da empresa Portuguesa, cresce num mês, em termos de clientes, o que a PT cresce num ano,  num país que cresce a um ritmo seis vezes superior ao nosso.

A Telefónica, que já é uma das principais accionistas da PT, oferece um preço muito superior à cotação em bolsa, tentando desta forma convencer o Estado português, que tem uma “golden share” que pode travar tudo, a vender e assim ver os seus problemas das contas públicas resolvidos. Mas vender seria vender os dedos e os anéis. Perante isto , a Telefónica lançou uma OPA hostil, sobre 100% do capital da própria PT! Agora quer a PT e a VIVO!

A Telefónica é cerca de quatro vezes maior que a PT e moram ambas num condomínio onde imperam as regras,  que têm que ser cumpridas. Não podem viver nas bolsas de Nova Yorque e Londres com regras próprias, como é essa história das “golden shares”,  em que um accionista ultraminoritário pode decidir se sim ou não a uma OPA!

Mesmo que seja um Estado!

Perspectivas a debater no seio da sociedade portuguesa no particular da gestão da água e da consideração devida ao consumidor, centro de imputação de direitos

PREÇO:
1.      Como é composto o preço da água que consumimos?
1.1. No preço – porque não haver para as moradias que têm jardins um preço para o consumo doméstico e outro para o consumo do jardim (piscinas excluídas)?

DESPERDÍCIOS:
2. Os desperdícios na cadeia de distribuição:
2.1. Em quanto montam? Na rede primária – da fonte até ao local da distribuição: 30%, 40% 60% ou mais?
2.2. Em  quanto montam? Na rede secundária – da distribuição local (rupturas, assistência técnica, desvios) : 30%, 40% 60% ou mais?
2.3. Que valores atingem na utilização pública – regas de praças, jardins, rotundas, etc… com água a jorrar livremente para os passeios, aspersores a regar a rua, quando deviam estar a regar a relva, etc…?
2.4. Que valores se apresentam  para as novas construções – como é pago, como é consumido, etc…?

OBRIGATORIEDADE DA LIGAÇÃO À REDE PÚBLICA E SUSPENSÃO DE FORNECIMENTO:

3.      Há obrigatoriedade de conexão à rede pública. Então como se define o corte unilateral da empresa concessionária ao consumidor? Se é obrigatório, não pode haver exclusões! Qual o regime de exclusões e até onde vai a competência dos concessionários? Onde começa o público e acaba o privado?

PRIVATIZAÇÃO DA GESTÃO E INTERESSE PÚBLICO:
4.      Como são atribuídas as concessões? O regime da privatização da gestão. Como é feita o controle da prestação do serviço das concessionárias? As concessões podem ser revogadas por inadequação manifesta aos devers a que se adscrevem as concessionárias?

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Saber o preço de tudo e não saber o valor de nada

Saber o preço de tudo e, contudo, não saber o valor de nada! Citação anónima.

Há muito tempo que comecei a alertar a mui intelectual Clara Ferreira Alves ( e não só ela) sobre a evolução errônea da CEE e dos seus subsistemas, em cartas que lhe escrevi através do Expresso, juntanto sempre propostas concretas de prevenção e de solução. Mas ela não deu o braço a torcer. A maior parte das pessoas e sobretudo jornalistas adoram vaticinar problemas e falar sobre eles quando materializados, mas da sua prevenção e solução não querem saber. E agora a Dra. Clara Ferreira Alves e muitos outros queixam-se….

Para onde vamos? Não tenho dúvidas: vamos para um novo paradigma, para novos horizontes, uma ordem superior…mas possívelmente primeiro vamos ter que passar por graves turbulências sociais porque – infelizmente – as pessoas só mudam quando começa a doer.

Depois, no novo paradigma e numa ordem superior, numa primeira fase e até a poeira não se assentar, quem quiser morangos que os plante ele próprio. Depois das coisas recuperadas e a correr melhor, porventura, poderemos dar às mulheres (e não só a elas) “uma oportunidade” mas de forma ciberneticamente correcta – lá no Magrebe, no seu próprio habitat.

Sim, strawberry fields forever, mas vendo o mundo com outros olhos e agindo de forma diversa. É tão simples como isso.

Rolf Damher

As empresas que não fazem sentido *

*Sábado , Gonçalo Bordalo Pinheiro

Qual é o sentido de o Estado ser o principal accionista da EDP, decidir um aumento de electicidade cinco vezes superior à inflação, muito acima da média da UE, e pagar o maior ordenado a um CEO em Portugal? E ter lucros de milhões?

Qual é o sentido da Galp praticar preços mais elevados do que a concorrência privada? Qual é o sentido de pagarmos o segundo gasóleo mais caro da UE e sermos o quarto com a gasolina mais cara?

Qual é o sentido de pagarmos a electricidade 2,2 vezes mais cara do que o resto da UE quando o nosso poder de compra é inferior 31%?

Qual é o sentido de o Estado patrocinar empresas que promovem a maior desigualdade social entre funcionários e gestores?

Qual é o sentido de o Estado ter empresas participadas que pagam acima do mercado, cobram acima do mercado e se comportam acima do mercado?

Qual é o sentido de o Estado ser um mau exemplo de gestão e um péssimo caso de justiça?

PS: É isto que se discute quando se fala de empresas públicas ou para-públicas, ou participadas. É mais sério privatizar tudo e não andarem a tomarem-nos por lorpas! Nestas condições qualquer pateta é capaz de dirigir uma empresa! Mexia ,ganha mais que os CEOs da Microsoft, da Goldman Sachs ou do Citigroup, gigantes internacionais que operam em mercados concorrênciais. Então porque ganha tanto ? Porque os accionistas, em lado nenhum da Terra, têm taxas de lucro tão elevadas como nas empresas públicas. E nós pagamos tudo! As razões dessas taxas de rentabilidade absurdas, algumas, estão aí em cima!

O petróleo está a 85 USA dólares /barril

O petróleo com avanços e recuos não cessa de subir, já vai nos 85 dólares e com a desvalorização da moeda verde dos USA, as nossas economias têm aí um factor de perturbação muito forte. Sempre que o petróleo tem uma escalada no preço, não falta quem jure que agora é que se vai investir em energias alternativas,  nos automóveis electricos e na energia nuclear. Logo que o preço dá sinais de estabilidade,  lá vem novamente a ideia que vamos ter petróleo fácil e barato.

As guerras em várias partes do Mundo só se justificam por causa do ouro negro, os novos poços encontrados são de extração dificil e cara e todos, produtores e consumidores, não têm dúvidas que o petróleo vai ( já está)  inclinar o eixo económico para vários países emergentes. Os que têm petróleo e os que para saírem do subdesenvolvimento precisam tanto dele como de pão para a boca de grande parte da sua população faminta. E não se peça a estes países que contenham por mais tempo as legítimas expectativas de melhor nível de vida da população, sob pena de se iniciarem gravíssimas perturbações mundiais. Já há quem aponte o desmembramento da China, a prazo, se o seu sistema não der resposta satisfatória às necessidades da população.

A procura, com as necessidade cada vez maiores da China, do Brasil e da Índia, vai sofrer grandes incrementos com a concomitante subida do preço e a UE, sem matérias primas, vai ter que estar na cabeça do pelotão na inovação, na procura de novas fontes de energia, na tecnologia “massa cinzenta”, nos serviços…

Mas quando o petróleo por algum tempo admite alguma estabilidade no preço, logo aparecem os que acreditam que as energias alternativas ainda são demasiado caras e o nuclear demasiado perigoso!

Caro e perigoso é o petróleo!

Ministra " à dose…"

Que na Saúde não há política nenhuma coerente, já se sabia, mas que os desperdícios dos medicamentos que todos deitamos para o lixo, vão continuar a ser pagos por nós ( utentes) e por nós (contribuintes) é que só ficamos ontem a saber.

A Ministra já quiz emendar a mão, mas a verdade é que a Indústria é que manda juntamente com as Associações das farmácias. Nos outros países mais ricos e mais poderosos há muito que se vendem medicamentos “à dose”, a indústria teve que mudar processos e as farmácias tambem, porque lá há uma economia de mercado a sério .

São as necessidades dos clientes que mandam e os fornecedores que não respondem às necessidades do mercado, fecham a porta!

A mexer no nosso bolso? Rave poupa 40% no TGV

O custo inicial que foi fixado era de 2260 milhões entre o Poceirão e Caia, tendo sido adjudicado por 1359 milhões! Uma redução de 40%!

Onde está a mentira?

No preço inicial, para depois virem com uma notícia destas a fazerem de conta que estão a ser muito rigorosos ?

No preço adjudicado muito abaixo do razoável para depois crescer e mesmo assim, ficar abaixo da primeira estimativa?

Como é que se reduz 40% num projecto que nos dizem que está a ser trabalhado por gente muito bem paga e muito competente?

Depois vêm com explicações técnicas todas elas que, esperavamos nós, fossem as que estivessem a ser utilizadas desde o ínicio .

Ah! e o modelo de financiamento é um case-study a nível mundial ! Anda tudo de TGV a dar aulas por essa Europa fora!

Isto é uma pocilga mas a gente diverte-se muito!

A água do Louçã

A água é, para Louçã, um bem insubstituível  que pertence a todos e não deve ser objecto de negócio.

 

É uma maneira de dizer que a água tal qual os outros bens essenciais à vida devem ser propriedade do Estado. Não é dificil estar de acordo com tal postulado.

 

Mas ,e para mais fácil definição chamemos-lhe negócio da água, o negócio consiste em i) captar a água,ii) transportá-la iii) distribuí-la.

 

Se a propriedade se deve manter como propriedade colectiva, e isso é coisa que não se discute, as outras componentes do negócio podem e devem ser atribuídas a quem 1) o faça com mais competência 2) da forma mais barata .

 

Não está provado que a água chegue a nossas casas em melhores condições e mais barata se for capatada, tratada e distribuída pelos privados ou pelo Estado. A estas questões só concursos públicos (sem Faces Ocultas) podem dar resposta. Ao Estado caberá sempre o papel de regulador e fiscalização, porque com a água não se brinca, não só porque é um bem escasso mas tambem porque influencia, e de que maneira, a nossa saúde.

 

A primeira coisa a fazer é distinguir muito bem qual o papel do Estado, insubstituível no cumprimento das regras, depois definir as várias fazes do negócio a) em alta (captação e tratamento e b) em baixa (transporte e distribuição) e a seguir promover as melhores condições para as diversas fazes.

 

Todos se dizem muito preocupados com o negócio da água, no futuro a sua míngua será uma certeza e a vida não é possível sem ela, mas quando sabemos que 60% da água captada se perde no transporte e na distribuição, por menor manutenção da logística de transporte, percebemos que há muito por onde se trabalhar.

 

E que dizer da utilização abusiva da água, na via pública, nos jardins e nas nossas casas, para não falar da sua utilização em actividades que bem podiam ser efectuadas por água reutilizável.

 

E com estes dados pergunto. O mais baixo preço é mesmo o melhor preço, no caso da água? Não dará azo a uma utilização desregrada que um preço superior pode limitar?

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