A ideologia da decência

A decência – a mera decência – não é característica que exija santidade, que faça andar o paralítico ou o cego ver. A decência não é um milagre nem viaja até junto de nós num raio cósmico vindo de outros sistemas ou galáxias. A decência é um módico atributo da simples humanidade, um asseio que a separa das bestas, as quais, porém, manifestam amiúde graus de decência que uma boa parte dos homens não alcança.

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É natal, deixem os pobres em paz

Entrámos na vertigem da caridadezinha agora chamada de voluntariado, registo que será o do ano de 2012. Não vou agora discutir a mais hipócrita das formas de perpetuar a miséria, é natal e estou contagiado pelo espírito de paz, amor e peúgas. Mas há um limite de decência para a propaganda travestida de jornalismo: os pobres também têm direito ao anonimato e ao sossego, senhores, mesmo que não tenham capacidade de se defenderem da vossa falta de vergonha.

Porque não vão entrevistar o Américo Amorim e acompanham a sua triste consoada? porque não tem Ricardo Espírito Santo direito a uma perguntinha sobre o bacalhau e se estava bem servido? porque não se questiona Belmiro de Azevedo sobre o frio de dezembro e se confirma se teve agasalhos que o abrigassem na noite da consoada?

É mais fácil ir para a rua e para as cozinhas económicas deste mundo entrevistar voluntários muito cristãos (excepto na soberba, no ódio ao franciscano e no esquecimento do velho princípio de que a caridade não se exibe) e sobretudo os desgraçados que além da indigência ainda levam com a devassa da sua privacidade, e essa é a miséria do jornalismo desta quadra. Mas será só por ser mais fácil?

Eu sei que quando um pobre escorrega cai logo em cima de um monte de merda mas um pouco de decência nas televisões ficava bem, ao menos no natal.

A decência


O general Ramalho Eanes, foi ontem instado por alguns repórteres, a pronunciar-se a respeito de “investimentos” em instituições financeiras. O assunto candente era o “caso BPN-BPP” e embora seja membro de honra da comissão – mandatário? – de apoio ao Sr. Cavaco Silva, não hesitou em responder como devia:

“Eu não sou um homem que tenha um grande aforro, mas tenho sido contactado ao longo da minha vida pelos bancos e quando eu digo ‘bom, eu não tenho dinheiro para aforrar” eles dizem “não, não, mas nós gostaríamos muito que você fosse nosso cliente, porque isso dá uma certa imagem ao banco (…) nunca fui contactado pelo BPN, mas tenho sido contactado por alguns bancos para ser cliente, e tenho dito sistematicamente que não”.

A única conclusão a tirar, consiste na certeza que essas instituições têm, acerca de quem vai, ou não, aceitar as generosidades prodigalizadas.

Melhor faria o Senhor General em não participar neste tipo de “comissões de honra”, remetendo-se para aquilo que ao Expresso declarou, quando do septuagésimo aniversário do rei de Espanha.

Polícia Municipal de Braga – para que serve?

Para que serve (ou não) e a quem serve ((ou não)) a Polícia Municipal de Braga?

De que meios dispõe (ou não) a Polícia Municipal de Braga?

A Polícia Municipal de Braga movimenta-se (ou não) regularmente no perímetro do concelho? De olhos selectivamente vendados? Sim? Não?

Darei as respostas apesar de …

A Fodinha

Trás-os-Montes – e nota-se mais desde que nos amarrámos à grande teta europeia – tem vindo a distanciar-se do resto de Portugal; cada vez mais longe (porque não mais perto, logo mais longe), cada vez mais sós, cada vez mais virados a Nascente (como pressagiou Cavaco, o Grande), cada vez com pior Escola e pior Saúde, desemprego e muito emigração sazonal. Os nossos mandantes, “escolhidos” a dedo pelos eleitores, têm-nos dito que vamos fechar aqui mais um serviço e acolá também mas vamos ter uns helicópteros que até tornam os serviços de saúde melhores e mais rápidos. E o povo – estúpido – diz amém. E os autarcas – pedantes – genuflectem e engolem a benesse.

Passa o tempo e, como sempre, vem uma desculpa qualquer, a crise, não há população, o caralho isto, o caralho aquilo. Já de lá riscaram todo o caminho de ferro, a esperança e a decência. Agora começam os helicópteros a ficar em terra. Transmontanos, não estais já cheios de serdes fodidos por esta gentalha que diz vos representar?

“INEM não enviou o helicóptero de Macedo de Cavaleiros para socorrer  dois acidentes, ontem, em Bragança e Valpaços, por estar inoperacional, devido à falta de médicos.”