Carteira escreve-se com dois rr

Al Ahli vai «enriquecer a minha carreira» (Ricardo Quaresma)

Sócrates negou três vezes

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Se não foi vender dívida foi fugir da campanha eleitoral. Ou as duas, pela ordem que se preferir.

O tolinho salta de contente…

Perante o desastre eminente e a proximidade da discussão do Orçamento, multiplicam-se as vozes a alertar para a situação do país e para a necessidade de se falar verdade!

Primeiro, o Presidente da República veio, na sua declaração de Ano Novo, repor a verdade dos factos em contraponto ao verdadeiro chorrilho de mentiras com que Sócrates nos brindou dias antes.

Para Sócrates, fomos o último país a entrar na crise e o primeiro a sair, todos os dias inaugura obras que já inaugurou meses atrás, não vê as empresas a fechar e o desemprego a aumentar, não ouve Constâncio, nem João Salgueiro, Luis Campos e Cunha, as instituições financeiras internacionais que nos apontam como um dos países em risco de entrar em colapso…

A Grécia apanhou um “ventinho” do Dubai e entrou em órbitra e se não se aguentar, o efeito pode-nos atingir sem piedade.

O sobre-endividamento aconselha prudência e caldos de galinha, senso e humildade, nada que o nosso primeiro tenha. Tudo para ele são favas contadas, como se alguem acreditasse que, estando lá ele há cinco anos e nada tenha feito, o vá fazer agora.

Entretanto a Islândia, com um sobre-endividamento igual ao nosso soçobrou. O que quer dizer que vai entrar noutra crise, não consegue crescer para poder conter e pagar os déficites. Estudos efectuados sobre os últimos 200 anos, mostram que o endividamento é um factor crucial para a evolução da economia. Portugal com o nível de endividamento que tem já não cresceu na última década e vai continuar a não crescer nos próximos dez anos ( Luis campos e Cunha/ Rogoff).

Entretanto, na primeira reunião para discussão do Orçamento já se fala abertamente em aumentar impostos, coisa que há um mês atrás era uma herezia.

É neste contexto que os sábios estão preocupados e os tolinhos estão optimistas …

Há tempestade no horizonte

O Dubai anda com uma mão atrás e outra à frente, vale-lhe pertencer aos Reinos Árabes Unidos que podem muito financeiramente, e não o deixam cair. Muitos investimentos públicos, muitos serviços financeiros e de lazer, muita economia de casino, uma dívida colossal que não consegue pagar.

Agora está aí a Grécia, com uma dívida maior que a nossa, sem indústria e agricultura que dê consistência à sua economia. Vive dos serviços, turismo e pouco mais. Se a Grécia não se aguentar no euro quem se perfila a seguir? O paraíso socrático!

A UE não vai deixar, porque isso seria uma machada no Euro e na coesão da UE, mas a situação da Grécia, não pode deixar esquecer a Islândia cheia de serviços e que tambem anda com uma mão à frente e outra atrás. E a pedir para entrar no UE!

Portugal está numa situação muito pior que a que nos pintaram nos últimos quatro anos. O déficite está nos 8.7%, a dívida nos 100%, o crescimento é abaixo de zero, o desemprego está acima da barreira mítica dos 10%.

E é nesta situação que querem construir o TGV, autoestradas e outros megainvestimentos, com recurso à dívida externa que não conseguimos pagar. A notação financeira de Portugal já baixou para medíocre o que quer dizer que os investidores olham para o país como potencialmente, incapaz de cumprir e, como sinal que o dinheiro, se o emprestarem, vai ser mais caro. Mais risco de incumprimento, mais caro!

Como é que se paga a dívida se não crescemos? Criar riqueza é que é o ponto, pedir dinheiro emprestado e fazer obras de betão todos fazem. Todos andam preocupados menos o Primeiro Ministro que, qual tolinho, salta de alegria no meio dos escombros…

O Dubai já foi…

Se Sócrates tivesse olhinhos e não quisesse ser recordado por uma ponte ou pelo TGV, olhava bem para o Dubai dos Megainvestimentos com dinheiro emprestado, dívida externa.

 

Aqui em Portugal, as pessoas que conhecem as contas públicas levam as mãos à cabeça por muita coisa, mas muito principalmente por causa da dívida externa que, em cinco anos, saltou para 80% do PIB.

 

Isto quer dizer que o serviço da dívida é monstruoso, é dinheiro que vai lá para fora, que é retirado à economia e dinheiro cada vez mais caro, porque com o crescimento que tem, Portugal não consegue pagar a conta. E quem empresta está muito atento aos países que pedem, que não controlam a dívida, que a deixam crescer, que não se conseguem desenvolver. E são mais exigentes, juros mais altos, condições de obtenção mais dificeis para quem pede.

 

O Dubai fez a fuga em frente habitual, grandes investimentos públicos que só dão retorno (quando dão) muitos anos mais tarde. E agora, anda "de mão à frente e outra atrás" a pedir ajuda e facilidades.

 

Oxalá que o bom senso cubra com o seu manto benfazejo a oposição e lhe dê força para, pelo menos, travar as obras públicas até que possamos pedir emprestado em melhores condições.