Horários docentes

A engenharia dos números em versão propaganda devidamente desmontada.

Horários dos Professores e as verdades de Nuno Crato

O relatório do Governo (mais conhecido por relatório do FMI), por sinal traduzido para Português nesta casa, abriu o debate.

Apesar de continuar a pensar que este não é o momento, parece-me oportuno, pelo menos, pensar alto.

Falo sobre o, mais que provável, despedimento de professores. Nuno Crato continua a afirmar que isso não está nos seus planos, mas a realidade trata de mostrar, a cada dia que passa, a veracidade das suas declarações.

Hoje foram divulgados os números do desemprego (pdf). Depois dos quadros superiores da Administração Pública, os Professores são o grupo profissional com maior crescimento na variação homóloga (o desemprego cresceu quase 80%).

As palavras de Nuno Crato são o que são, mas o pânico continua instalado e já se fala de tudo, até do fim do mundo e às vezes penso que aquela besta do banco até terá razão: aguentam, então não aguentam!

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Nuno Crato e a obsessão pelo tamanho

Como qualquer político profissional, Nuno Crato sabe que o tamanho tem importância, porque substitui argumentos. Um homem inteligente deveria saber que não chega dizer que a contestação dos professores “não é tão grande assim”: importante é saber se essa contestação faz sentido e perceber se a demonstração pública dessa mesma contestação não será apenas uma pequena parte visível.

A pobreza das afirmações de Nuno Crato, no entanto, não deve servir para que os professores deixem de reflectir sobre a quantidade e a validade das manifestações públicas de contestação e é sempre importante relembrar que é preciso ir além das reivindicações, das vigílias e das manifestações, que podem ser meios, mas nunca poderão ser fins. E Setembro é já amanhã.

A propósito, ainda, de Setembro, só um ministro incompetente e incapaz (ou cultor) de capacidade de planeamento é que se pode orgulhar de que dados fundamentais para o início do próximo ano lectivo sejam conhecidos no início desse mesmo ano lectivo.

Alguém no Ministério da Educação não está a ver bem a coisa

Alertado pelo Arlindo, fiz umas perguntas durante a tarde, e passo a explicar: hoje sem mais nem ontem o Ministério da Educação avisou os Directores das escolas de que têm até sexta-feira para declararem quantos professores não vão ter horário no próximo ano.

Ora sei de escolas que começaram as matriculas hoje e as têm marcadas até 6ª feira, novos agrupamentos que ainda não têm Comissão Administrativa Provisórias, isto já para não falar de escolas onde ainda não está decidido se as aulas vão ser de 45 ou 50 minutos, de este ano as matrículas não serem obrigatoriamente na escola de residência (o que em algumas cidades levará a muita mudança), e ainda arranjava aqui uns etceteras, mas chega.

Note-se que no caso dos novos agrupamentos ainda sem CAP o que este prazo provoca vira-se contra a intenção de através dos muito mega agrupamentos se pouparem horários…

Donde e há falta de melhor argumento o melhor é o Gaspar das finanças meter esta gente na ordem e mandar prolongar o prazo. É certo que pessoalmente me dá jeito, mas a poupança da pátria acima de tudo.

Despacho de organização do ano lectivo 2012/2013 – segunda análise

Os leitores do Aventar, menos interessados nas coisas dos Professores, merecem uma palavra de atenção da minha parte. Neste momento, a catástrofe que Nuno Crato tem montada sob a Escola é de tal ordem monstruosa (tantos adjetivos!) que não há como escapar ao tema. E é um assunto tão técnico, que nem sempre é fácil desmontar os argumentos para quem está “de fora”. Mas, vou tentar – vamos lá então.

Mesmo correndo o risco de ser epidérmico ou adjetivante, penso que valerá a pena olhar para o Despacho mais famoso dos últimos dias, ainda que através do olhar de um professor. E vou voltar à questão dos minutos e dos tempos, uma vez que a alteração de 45 para 50 minutos, segundo a minha leitura, vai fomentar o desemprego entre os professores.

Vejamos esta matéria, observando dois pontos:

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Nem palmas, nem assobios – é o desespero de ver os colegas despedidos

Meu caro Paulo, não se trata de ter ou não aplausos.

Move-me apenas um sentimento horrível de olhar para o lado e perceber que uma geração de professores, muitos, com anos e anos de experiência, está a caminho do desemprego.

Furar o silêncio é o único objetivo, escrever no aventar uma das ferramentas para o fazer.

Não procurei errar, mas pode ter acontecido, nem tão pouco ser demagógico. Mas, se me permitires o contraditório, aqui vai:

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Há muitas formas de vandalismo

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Atente-se nesta fotografia. É de uma automotora da CP estacionada em Monte-Abraão e prestes a sair para as Caldas da Rainha. Encontrei-a assim hoje, repleta de graffiti, vandalizada, até com as janelas pintadas. Ali estava a borrada, sem arte nem engenho, apenas uma estampa de um ego desmesurado num miserável acto de exibicionismo por parte de quem não respeita a propriedade alheia e que, neste caso, até é de todos.

Hoje, ainda, encontrei mais algumas formas de vandalismo na CP. Ou melhor dizendo, de auto-vandalismo, se tal coisa existe: [Read more…]