Psssst, Washington, Please, We Have a Problem
Quem vai a Irlanda salvar?
A Irlanda finalmente cedeu e vai hoje pedir ajuda ao FMI (como me parece que em breve vai acontecer a Portugal). Poderemos dizer que o boom económico da Irlanda se fez à custa de crédito fácil e era por isso insustentável, o que é verdade. O problema é quando se fala nisso, raramente se explica que os responsáveis disso são fundamentalmente os Bancos que se alavancaram de uma forma obscena e em muitos casos criminosa, encontrando-se por isso neste momento numa situação insustentável.
Os leitores mais atentos certamente estarão a interrogar-se sobre o que o estado irlandês tem exactamente a ver com a folia dos Bancos, especialmente num país onde o estado não tem intervenção directa nos mercados financeiros. Aqui encontramos a parte verdadeiramente dramática de toda esta história que vamos recordar a seguir.
Afinal ainda podia ser pior
.
.
O gráfico, publicado no Expresso, demonstra que a direita portuguesa e os seus investidores além de acreditarem no céu ainda são masoquistas. Glorificar as virtudes do neo-liberalismo irlandês enquanto acto ideológico seria normal, meter lá dinheiro demonstra que o capital ainda por cima acredita no que pensa, demonstrando que deixou de pensar.
Pior do que isso, mesmo que hoje seja anedótico o que se escreveu sobre a Irlanda, continuam a fazer(genu) flexões, e insistem, insistem, insistem.
A OCDE já chegou, aguarda-se o FMI
O aumento de impostos, IVA, IMT e IMI, é a prescrição salvadora da OCDE ao governo nacional, plasmada no ‘Economic Survey of Portugal 2010’, apresentado hoje aos nossos governantes.
Como destaca o Diário Económico, são oito as ‘recomendações-chave’ a Portugal, ou seja:
1) Aumento de impostos
2) Congelamento de salários
3) Cortes nos benefícios e deduções fiscais
4) Revisão do subsídio de desemprego
5) Mais competitividade e flexibilização laboral
6) Controlo e transparência nas contas públicas
7) Infra-estruturas de transportes são essenciais
Consultado um a um, o teor e sentido das recomendações ajustam-se na perfeição aos objectivos orçamentais do governo. Esclareça-se, porém, que o PSD não foi esquecido. A OCDE reclama o consenso interpartidário, destacando a necessidade de suporte do principal partido da oposição – o relatório é inequívoco a este respeito.
Do conteúdo da prescrição de medidas preconizadas pela OCDE, é impossível deixar passar em claro sugestões paradigmáticas da intensificação dos sacrifícios requeridos aos cidadãos:
Um corte nas contribuições para a Segurança Social dos empregadores para suavizar o ajustamento pois reduz os custos das empresas, pelo menos no curto prazo
e, logo de seguida, remata
O IVA e os impostos sobre imóveis [IMT e IMI] devem aumentar o suficiente para, pelo menos, financiar este corte.
A Turquia e a Grécia – problema político que dá dinheiro!
Este é um assunto político que deveria ter uma solução política. E que se saiba uma solução política não precisa de sustentar 100 000 soldados de um lado e outro, nem precisa de seis submarinos de um lado e outro.
Seria por aqui que a União Europeia deveria pegar no assunto para resolver o déficite das contas públicas da Grécia e, ao mesmo tempo, trazer a Turquia para dentro da União. É fácil, é barato e dá milhões! Mas assim, a vender armamento, temos a Alemanha a emprestar o dinheiro dos contribuintes alemães à Grécia, tão mal vista pelos alemães, os mesmos que vão lá cobrar uma taxa altíssima para remunerar as poupanças dos cidadãos alemães que estão tão zangados com a Grécia! Confusos?
Não estejam que eu explico outra vez. A Alemanha afunda as finanças públicas da Grécia , vendendo-lhe armamento e depois empresta-lhe o dinheiro dos seus cidadãos, para que a Grécia pague os submarinos, assim, fica a Grécia com os submarinos que não servem para nada e com a dívida e os Alemães com o dinheiro cobrado dos submarinos e o crédito. Por sua vez a Grécia pede dinheiro aos outros países europeus para pagar os juros e a dívida que, por sua vez, pedem dinheiro à Alemanha para poderem emprestar à Grécia! Confusos?
Então agora façam o mesmo racíocinio para Portugal, Irlanda, Islândia, Espanha …
PS: troquem só os submarinos pelo TGV…
O exemplo da Irlanda
A Irlanda anda por aí a dar exemplos que nos deviam fazer pensar. Primeiro foi o “milagre” do desenvolvimento que afinal não a defendeu de uma crise profunda, será que muita da riqueza tambem era de casino? Isto reforça a ideia que todos temos que a informação que nos é dada, no que importa, é formatada.
Mas a Irlanda tambem é exemplo porque perante os problemas, os enfrenta com coragem e verdade – corta os vencimentos dos funcionários públicos em 10%, enquanto aqui, alegremente, andamos a aumentá-los; corta tambem em 15% os vencimentos dos ministros e 20% no vencimento do primeiro-ministro.
Está aberto o caminho para que por aí abaixo, a sociedade irlandesa se acomode a ganhar menos, o exemplo vem de cima e sendo assim, gestores, professores, juízes dificilmente se colocarão na posição reinvindicativa que pulula cá pelo sítio.
Não posso deixar de lembrar que o nosso digno Governador do Banco de Portugal ganha mais que o seu congénere americano, o que não o inibe de uma e outra vez clamar para os vencimentos dos funcionários públicos serem congelados. E não teve visão bem competência para antever o que andava por aí…
Se ninguem respeita ninguem, se não há ética, se o exemplo não vem de cima, espera-se que os que ganham menos e vivem pior acreditem em quem os governa?
Pagamos impostos mas não somos tontos…
Não tenham medo!
Não tenham medo! Ouvi esta frase da boca de João Paulo ll e fiquei impressionado, havia qualquer coisa que só ele sabia, e esta emoção que me transmitiu, não a coloquei em dúvida. Soube-me bem, apaziguou-me.
Mas que pensar desta coisa extraordinária que é sabermos que quer a Irlanda, quer a Grécia, souberam que estavam na bancarrota pelo Financial Times? E isto em dois países em que a democracia está instalada, onde a comunicação social deveria ser livre, onde os governos deveriam falar verdade .
Na comunicação do Presidente da República os perigos apontados, a situação caracterizada, é de tal forma diferente da apresentada pelo governo, que um deles está a mentir. O que temos certo é que há instituições internacionais que nos andam a avisar, sabemos que há a velha máxima : “se há alguma coisa que possa correr mal, corre mesmo ” , há mesmo quem desconfie que ainda há grandes “buracos negros” não descobertos, que 2010 será um manancial de más notícias…
E agora ? Tenho medo ou não?
E se tiver medo faço o quê? O governo anda a anunciar o fim da crise desde o dia em que ela começou, os partidos da oposição estão à espera que tudo corra mal para então, conversarem com o PS, sem Sócrates. E nós, lemos o Financial Times?
Não sai aí mais um “escândalo socrático” para que possamos ter direito à verdade? O homem ía à vida e nós podíamos dormir descansados!






Recent Comments