O Porsche e a Lagarta

 

O Secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, principal elo de ligação entre o Governo e a Esquerda que todos os dias reivindica reposição de direitos e rendimentos, terá comprado um Porsche.

Não é crime ter um Porsche, como não é incomum encontrar, por esse mundo de Deus afora, quem coma lagartas e outros bichos que rastejam. Dá-se mesmo o caso extraordinário de algumas dessas lagartas virem um dia a poder voar, milagre que representa um dos mais belos símbolos da transformação da vida e mitiga, se assim se pode dizer, a repugnância que atinge quem imagine o bicharoco arrastar-se pelas goelas abaixo. Bem mastigado, como convém à boa digestão.

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A sopa não é alimento

Correio do Norte, 14 de Dezembro de 1906

A sopa

O ser humano é complicado. Como se pode defender ou aplaudir um corte no subsídio mínimo de desemprego, esmigalhando a miséria para 377 euros por mês?

Simplificando, fico-me por uma frase chave da minha educação: “é um fenómeno há muito tempo conhecido que as pessoas que vivem em palácios pensam de maneira diferente das que vivem em choupanas“. Nem todos tiveram o privilégio da educação que tive, admito, e de ter nascido com isto numa parede  à entrada da casa, que variou da quase choupana ao pequeno palácio mas nunca mudou a moldura do sítio.

É gente triste, esta que vive em palácios e não percebe a diferença de 10% para quem tem muito pouco, falamos de uns 40 euros, coisa que gastam facilmente num almoço. Nunca entenderão que isso corresponde a umas 15  sopas familiares, nunca tiveram fome ou, pior ainda, não sabem decifrar o que é ter um filho com fome. Gente triste porque tem um destino triste; um dia os homens que vivem em choupanas assaltam-lhes os palácios. Da próxima vez espero bem que não os enviem para campos de reeducação, de má memória e um custo para o estado. Ficarem a viver com 178,15 euros  de RSI chega perfeitamente para se atingir a escala da sopa na explicação do género humano.

fotografia Margaret Bourke-White, Georgia, URSS, 1932, roubada-me aqui.

Diga não à ACTA

(Para ligar as legendas inicie em primeiro lugar o filme, a seguir clique no botão ‘CC’ uma vez e, depois do fundo deste botão ficar vermelho, clique outra vez e escolha o idioma na lista que aparece)

A liberdade que desfrutamos na Internet representa uma ameaça muito sensível aos poderes do nosso mundo. É por isso que assistimos todos os dias a tentativas para cercear esta liberdade, para a limitar e estrangular. O Tratado Comercial anti-Contrafacção – ACTA (Anti-Counterfeiting Trade Agreement) – não é mais do que outra destas tentativas. Informe-se neste site.

Rapaziada pró-controlo da internet leva uma PIPA de SOPA

Levaram sopa e recuaram. Uma pipa de sopa, para ser mais exacto.

Sendo quem são e representando o que representam, é natural que não fiquem por aqui e voltem à carga com maior conhecimento de causa.

A liberdade, assim mesmo, faz-lhes comichão e a internet é um espaço de liberdade difícil de controlar. Ora isto, para quem está habituado a pensar que toda a sociedade se condiciona a bel-prazer, é mais do que podem suportar. Voltarão, isso é certo. Mas acontece, e isso é igualmente certo, que as armas estão do lado de quem faz a rede. Ora, sem superioridade bélica do seu lado esta gente não está habituada a lutar. Para já levaram sopa. Ainda vão levar uma pipa de derrotas até controlarem a net. Alguma vez conseguirão?

WordPress, o protesto

Pelas razões explicadas esta manhã pelo Helder Guerreiro, hoje o WordPress acordou assim. Lindo. Um dia pode mesmo ser obrigado a fazê-lo por imposição legal norte-americana. Os governos têm de aprender que a internet é nossa.

Apertando o Cerco

Se visitar a Wikipédia em Inglês, ou inúmeros outros sites, vai deparar com uma página parecida à que ilustra este post. Trata-se de um protesto contra as leis anti-cópia elaboradas pelo mesmo lobby que em Portugal vai fazer aprovar a lei da cópia privada (que goza de uma unanimidade enternecedora na Assembleia da República). As leis em questão são a SOPA (Stop Online Piracy Act) e PIPA (PROTECT IP Act), a primeira lei é da câmara dos representantes e a segunda do senado, com objectivos idênticos.

 
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