Tolerância Zero

A sugestão de Karl Popper, contra os tempos sombrios que se anunciam.

Epidemiologia da corrupção

Uma das estratégias utilizadas por aqueles que têm na corrupção o seu principal modo de vida é a sua vulgarização social. Espalhando por todo o lado o vírus do crime, infectando as instituições, os órgão do Estado, as empresas e a sociedade em geral, com essa maleita do apodrecimento moral, o corrupto pretende inscrever na ordem da prática e do discurso, no plano da legitimidade tácita, da aceitação pelo uso repetido e prolongado, um comportamento que é recusado e punido pela ordem jurídica e pelo princípio da liberdade e dos bons costumes.

O processo funciona de modo análogo à neurofisiologia da percepção. Se expusermos alguém, durante um longo período de tempo, a cheiros nauseabundos que suscitem inicialmente no organismo uma reacção de repulsa, a dada altura tem início um processo de adaptação neurofisiológica a esses cheiros, a essa agressão, adaptação essa que passa por ensinar ao corpo a reconhecê-los e registá-los como inócuos. Ou seja, a integrá-los no repertório de cheiros aceitáveis sob o princípio da homeostase. A partir daí o seu efeito sensorial será nulo, ter-se-á desenvolvido tolerância, integração, e desaparecido a sensação de náusea. Mas a toxicidade mantém-se inalterada. É isso que se passa com a disseminação da corrupção e a aparente indiferença social que ela suscita.

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Papa Francisco símbolo maior da tolerância

O Papa Francisco é um Homem único. Não foi por mero acaso que chegou a líder da Igreja Católica neste tempo novo. Um tempo de crise de valores sem precedência, em que a intolerância predomina no nosso quotidiano. Francisco é o simbolo maior da tolerância.

 

Quando é que desistimos de ser idealistas?

André Serpa Soares

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Não sei se é fenómeno nacional ou global mas, pelo menos em Portugal, é certo que não temos cultura de exigência.
Tendemos a relativizar as falhas dos poderosos, assim como desvalorizamos as dos que nos são mais próximos, desde aqueles com quem convivemos na nossa actividade profissional, até aos nossos familiares e amigos. Provavelmente, até acabamos por ser mais exigentes com estes últimos do que com os outros.
Isto nota-se em quase tudo, desde a larga tolerância à falta de pontualidade – confesso que é algo que me encanita – até à forma como aceitamos, de forma mais ou menos passiva, os erros e omissões daqueles que pregam o rigor e têm a obrigação de ser um exemplo.
Na política, por exemplo, em nome de um putativo pragmatismo e defendendo a escolha do “mal menor”, deixámos de acreditar e pouco exigimos. São já clássicos da nossa cultura política frases como “rouba mas faz”, “é mau, mas os outros são piores” ou, ainda mais triste e habitual, “são todos uns ladrões mentirosos”. [Read more…]

Portugal e o Sémen da Palavra

Portugal, o País que amo, alberga gente com formas de pensar as mais diversas e o talento, muito ou pouco, para as expressar. Somos fauna de ideias, à procura de analogias, de caminhos e de verdades. Mas há muita dessa fauna, Fauna de Esquerda Mal-Humorada, que não tolera o pensamento diverso dos outros, a leitura diversa dos outros, pois só existe a sua leitura e a sua emissão conceptual, o seu quadro descritivo da realidade, fora do qual outro qualquer ejaculador das palavras poéticas ou poético-analíticas só pode estar doente e deverá ser ou internado ou evacuado da plataforma que usurpa para debitar e debitar-se. É como que o Perigo de Haver Diversos, o Horror de Haver Diferentes. É a teoria dos escreventes malditos. Dos corpúsculos estranhos. Do 8.º Passageiro. Em suma, o Medo do Outro. Não separo a Poética da Poética de uma Poética da Política e é a partir desse meu corpo sexuado do dizer que insemino e inseminarei com Palavras a vagina passenta dos leitores em regime de estrito consentimento. Todo o leitor é um consentidor do diálogo da palavra que afinal busca e busca porque quer. Nenhum texto, postulado ou ideia, invadem o cérebro desprevenido do leitor por penetrar. Nada mais consensual que a leitura e a rejeição da leitura. Os inquisidores proibiam leituras, indexavam-nas. Os comunistas mais petrificados e aterrorizados com o Outro fazem outro tanto. Está inscrito no pensamento único, dogmático e violento como o Islão. [Read more…]

Até Parece que o 1º de Dezembro ou o 5 de Outubro São Menos Importantes que a Terça-Feira de Carnaval

UMA CAMBADA DE PARVALHÕES

Quando o senhor Primeiro Ministro anunciou que não iria haver tolerância de ponto para o funcionalismo público, brinquei com o assunto colocando a canção de Jacques Brel “Ne me quittes pas”.

Estava longe de imaginar que os responsáveis políticos nacionais colocassem essa questão na ordem do dia e do fim de semana, de tal modo que pareceria que nada mais fosse importante.
Eu entendo que os responsáveis pelo Carnaval e “corso” carnavalesco das terras onde ele se verifica anualmente e traz muita gente para assistir, tenham aproveitado os 15 minutos de fama que esta atitude do governo lhes deu, e bradassem aos céus, arrepelando os cabelos, gritando que desta forma iriam cair numa desastrosa falência.
Eu entendo que os políticos de carreira, que nada mais sabem fazer do que isso, mandatados pelos seus chefes, viessem para a praça pública, lançar invectivas contra o governo e contra o seu responsável máximo.
Eu entendo que sindicalistas, [Read more…]