Imaginem uma cidade amarela, cor de areia.
Com grandes construções em tijolo, arranha-céus à americana, casas rasteiras em adobe,
casinhotas de chapa de zinco e contraplacado de madeira.
Imaginem uma cidade quente, repleta de carros, cheia de gente.
Uma cidade que cheira a coisas. Cheira a tudo.
Uma cidade grande, que não dorme.
Embora eu nunca tenha ido a Nova Iorque, faz-me lembrar Nova Iorque do Médio Oriente.
Imaginem uma cidade com um burburinho miudinho constante, ora de rezas e cânticos, ora de crianças que só sabem brincar na rua.
E pessoas a falar.
24 horas por dia.
Não há horas sossegadas, não há paragens, não há o barulho do silêncio.
E então, pensem o que é viver numa festa de S.João permanente:
as buzinas frenéticas
os gritinhos histéricos
As conversas cheias de risos
As buzinas outra vez
E mais buzinas
As rezas nos altifalantes das mesquitas, 5 vezes por dia.
As crianças a jogar futebol no meio da rua.
E as buzinas.
É uma cidade no deserto, que de deserto só tem o nome.
E o tempo aqui não passa. Não corre como a vida frenética no Ocidente.
Não tem o sangue fervilhante da vida rápida e instantânea, e do “tudo para ontem” como nós a conhecemos.
Tudo pode ser para amanhã, ou depois.
Ou então pode não ser, porque a vida aqui não são dois dias. São milhares.
Imaginem um lugar no mundo, como uma cidade de formigas, sempre juntas em fila indiana e em constante movimento.
Não são trabalhadeiras, mas vão trabalhando. E dormindo… Sempre a dormir nas horas de Sol.
Imaginem a cidade frenética das formigas, mas em Slowmotion!
Esta cidade, a ter uma unica descrição, será: um circo cigano em slowmotion.
Benvindos ao Cairo.
Cláudia Rocha Gonçalves

O Cairo é fascinante. Como escreves, cidade que desperta os nossos sentidos com os seus sons, cores e odores. Cidade onde se cruzam culturas, religiões e ideologias. Porta do deserto, capital do Egipto, mãe da vida.
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