Bem Vindos ao Cairo 002

A primeira visita é sempre cheia de recomendações para quem não conhece o país, as gentes, a cultura.
Começa logo com os nãos.
Algumas, são apenas observações minhas, de entre o que vou vivendo e o que me vão explicando.
Estou aqui há um mês.
Não se pode beber água da torneira.
Não é permitido vender bebidas alcoolicas nos supermercados.
Não há bebidas alcoolicas nos menus dos restaurantes e embora alguns as sirvam,
é preciso saber que locais as têm.
Não há regras de trânsito, literalmente.
tem prioridade quem passa primeiro e quem buzina mais. ´
Caótico!
Até hoje, ainda só vi 3 sinais de trânsito:
“proibido falar ao telemóvel”
“proibido buzinar” e
“sentido proibido”
Ainda assim, é de longe o melhor caos organizado que conheço.
Não há muita liberdade para se vestir o que se quer, pelo menos da parte das mulheres.
Eles dizem-se modernos e a caminhar para a aproximação ao mundo ocidental,
mas ombros e joelhos à mostra, ainda são mal vistos pela maioria da população.
Há quem não faça caso disso, mas os nomes atribuidos a essas mulheres daquela forma sorrateira, não são os mais bonitos.
Eu sou, claramente, uma dessas mulheres. 
Mas ainda não me atrevi a vestir um dos meus lindos e frescos vestidos. Pelo sim, pelo não, deixem-me ganhar a confiança deles.
Não se deve ter medo de atravessar a estrada ou rua.
A estrada é de todos, dos carros e dos peões.
Os passeios existem para albergar entulho e detritos e coisas que tal.
Não se deve ter medo da aventura que é atravessar uma rua.
A lógica é mandarmo-nos em frente, e ir passando por entre os carros e as buzinadelas.
E neste caso, as buzinadelas servem de aviso para ter cuidado, para nós sabermos a proximidade do carro a nós.
E não por zanga.
Não se deve parecer muito turista, ou muito europeu ou Americano.
A probabilidade de termos taxis e miúdos atrás de nós como se estivéssemos cobertos de ouro é gigantesca.
Não se deve ceder.
Não se deve abrir a carteira cheia de notas nestas situações.
Não pelo medo do roubo, que aqui ninguém rouba nada a ninguém.
Mas por respeito pelos que vivem abaixo do limiar da pobreza.
Porque depois pedem-nos o mundo e arredores com toda a lata.
Dizem eles que somos ricos e 15 Libras Egípcias não nos fazem falta nenhuma.
E têm razão, 15 Libras egipcias são quase dois euros e dá para 15 refeições de Kushari.
Acima de tudo, não se deve desdenhar esta cultura.
Eles são o que são, e nós é que temos de nos adaptar.
levam a vida com uma leveza única.
Menos preocupada e menos dolorosa.
Eles vivem bem, e felizes.

Cláudia Rocha Gonçalves

Comments

  1. Pois…imagine como é viver sob a espada do HAMAS..ou dos Ayatollahs do Irão….Arábia Saudita…Sudão do genocida Bashir…….somália…Nigéria muçulmana (tem sorte se for na Cristã!!!), etc……

  2. Konigvs says:

    Sem dúvida que muitas das vezes, aqueles que não tendo grandes recursos económicos, poderão viver bem mais felizes do que possa supor. O dinheiro trás conforto sim, felicidade felizmente não!!
    Este texto fez-me lembrar o que uma ex namorada me disse com tristeza há uns anos.
    “Sabes, quando era pequena, vivia numa pequena casa arrendada e tomava banho numa bacia porque nem banheira tínhamos e éramos tão felizes. Hoje em dia, temos um bela vivenda, o meu pai ganha bem, e está completamente paranóico com o dinheiro, só quer mais e mais, e tudo aquilo que tínhamos de quando era criança se perdeu”.
    Nunca mais me esqueci destas palavras.

Discover more from Aventar

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading