A China fez hoje saber que a sua agência de notação financeira desconfia da capacidade dos EUA para pagarem as suas dívidas e recomenda-lhes cautela, particularmente no que respeita os gastos militares, que é como quem diz, tenham juízo e deixem de intervir nos conflitos mundiais. Sendo a China o maior credor dos EUA, esta mensagem vai muito para além do aviso.
Até há poucos anos poderio militar e económico eram sinónimos mas essa realidade tem sofrido considerável mutação. Neste momento, o ocidente continua com o domínio do poder militar mas perde a passos largos o poder económico. Já o oriente está na situação inversa, ainda sem o domínio militar mas, claramente, em vantagem na questão económica.
Existe um sério risco do ocidente tentar puxar o fiel da balança para o seu lado usando o poder que ainda controla. Cada desvalorização dos ratings das dívidas é mais um empurrão para a guerra. Esperam-nos tempos conturbados.
(continua)






Post perfeitamente acertado :
Com Michele Bachmann e Sarah Palin (a tal que dizia que África era um país…) como provaveis candidatas à presidencia dos EUA , e pela maneira como as coisas estão a correr para Obama,com uma delas mais do que provavel vencedora ,os chineses já perceberam que arriscam ser pagos não em dolares mas noutra “moeda”.
Ironicamente, aqueles que nos EUA se manifestam contra o aumento da despesa pública foram os mesmos que estoiraram o super-avit deixado por Clinton.
A penúltima edição do The Economist traz na capa um cartoon de Obama e de Merkel com o título “Turning Japanese”, precisamente sobre a possibilidade de a economia dos EUA e a da UE poder vir a estagnar durante anos, tal como a do Japão, enquanto os BRIC apresentam um crescimento económico constante na ordem dos dois dígitos (ou próximo disso). O poder económico crescente destes países (e a sua consciência desse poder… capitalista) começa a ser evidente, bastando lembrar as palavras de Putin, ao classificar os EUA de “parasitas”. E as guerras de poder continuam nos bastidores: o estado americano bem se poderia denominar «USA, Inc», tal é a influência dos grupos financeiros e militares em termos políticos, e os chineses vão comprando dívida soberana. A questão é: em troca de quê? Concerteza que terão contrapartidas. O poder chinês é visível na questão do avião de tecnologia militar que se despenhou há uns dois anos, cujos destroços os EUA exigiram de volta e a China devolveu… depois de o estudar. Impunemente.
Se as nossas lideranças continuarem a olhar para o lado, tanto o sonho americano como o sonho europeu descambará em breve. de modo que precisávamos de lideranças fortes, como as fundadoras da CEE, homens de trabalho e de visão, mas vêmo-nos rodeados de líderes que apenas se procupam com a sua imagem no espelho da mediocridade.
A propósito da queda desse avião que os chineses aproveitaram para estudar, recordo-me do caso do novo helicóptero que a empresa franco-alemã Eurocopter (grupo EADS) decidiu construir. Chegada a fase de arranjar financiamento para o projecto, lá entraram os chineses no jogo. Mas com a condição de o desenvolvimento ser feito na China. Não sei se o projecto avançou mas na altura (talvez há cinco anos) esse era o estado das coisas.
População mundial + recursos do planeta (desbastamento) + sistema capitalsita + especulação financeira = ?
war is near…
Tem razão, infelizmente.
Não sei o que me parece mais estranho: se ver estas coisas com clareza, se perceber que ninguém parece dar qualquer importância.
Abraço e bom fim-de-semana.
Na minha opinião o poderio económico do oriente não é tão esmagador como se possa pensar. Não creio também, que os papeis entre ocidente e oriente se vão inverter. Penso, isso sim, que os papeis tanto de um lado, como do outro vão mudar.
Digo isto por muitos motivos:
O que vai resultar desta embrulhada toda? – Não faço a mais mínima ideia…
Uma guerra é sempre uma boa forma de recomeçar o jogo.
Análise interessante. Os cenários, quanto a mim, são pouco claros, tal é a enormidade de variáveis em jogo. Uma coisa é certa: a China tem dinheiro e é dona de grandes quantidades de dívida pública de outros países. A ver vamos no que dá este cocktail.
Os chineses que não se costumam distrair, estão a falar grosso para não ficarem calados. Eles sabem perfeitamente como maiores credores que são dos states, que recebem sempre o seu dinheiro. Afinal a divida americana à China é em dolares. É só por as rotativas a trabalhar e fazer horas extraordinarias, se for preciso. O Trichet devia aprender como se faz, mandar imprimir dinheiro, e pagar o grosso das dividas dos paises do euro. Eu não percebo nada de macroeconomia, mas parece-me que é melhor termos INFLAÇÂO, do que BANCARROTA.
Pois, mas receber o mesmo valor numérico não é bem a mesma coisa de receber o mesmo dinheiro 🙂 Mas concordo, mais vale inflação do que bancarrota.
Eu diria, apenas, que, eterno… só a Eternidade —por mais voltas que, mesmo a Ciência, possa dar ao texto.
Nada nem ninguém cresce indefinidamente; a vida de tudo, de todas as coisas, de todos os seres, desenvolve-se por ciclos, e já todos perceberam que, o que são, hoje, terrenos elevados e visíveis, foram, em tempos, terrenos submersos —e vece-versa. E também já todos conhecemos famílias que, no passado, eram alfobres de riqueza, e que, pelas razões mais diversas, vieram por aí a baixo… E podemos citar os vários impérios que se desmoronaram; Portugal, ele-próprio, foi dono de metade do Mundo; e, hoje, como é do conhecimento, vive paredes-meias com o abismo.
Entre as coisas, digamos assim, os outros seres e a Humanidade, há, de facto, uma nuance a considerar. Isto é, para além de não ser inânime e ter vontade-própria, o ser humano tem, ao dispor, as inteligências analítica e aplicativa; pode, portanto, em função das análises, pensar, concretizar e ajustar projectos mais de acordo com a natureza da Natureza —a única forma de poderem ter uma vida longa, resistindo aos solavancos e ao atrito; e, já agora, minimamente confortável.
Mas —há sempre um “mas”— a par das inteligências que referi, há essa coisa chamada Instinto, que, com o tempo, conclui ser a bomba que nos integra, com um temporizador a que não temos acesso; e, ás vezes —muitas—, na ânsia de lhe interrompermos o destino, de a desactivarmos, decidimos cortar um fio, mesmo sem que saibamos qual a cor do certo. O drama aumenta, à medida que vai aumentando a vontade de cortar o fio; porque vem aumentando a vontade de contrariar as bases de funcionamento —com mensagens explícitas— da Vida.
A Ciência descobriu o “princípio da proporcionalidade”, a questão dos “vasos comunicantes”, a “lei da gravidade”, a “lei da impenetrabilidade”; encontrou fórmulas intrincadas, pelas quais consegue explicar parte do modo como a Vida se processa, como são mantidos os seus pilares, através dos tempos; deixando que a vejamos como campo, interminável, de metáforas, para que, partes de um todo, nos convençamos de que a manutenção do equilíbrio das partes tem, por gramática e manual, o funcionamento desse mesmo todo… Em vão. A gula, a ganância, faz, do ser mais equipado, o ser mais estúpido; pretenso senhor de todas as ciências, o humano, abrevia a existência por falta de conhecimento —ou, no mínimo, por menosprezar verdades, indesmentíveis, e já descobertas.
A globalização é uma estupidez; é um absurdo. Global já tudo isto é, mas sempre no respeito das especificidades; porque as parcelas, com características próprias, são partes necessariamente contributivas para o funcionamento global. A Humanidade será tanto mais equilibrada, mais estável, quanto mais se aproximar de um “composto”, percebendo-se as fases, que interagem, que se relacionam, que se complementam, mas que não deixam de ser o que são, não devendo ser uma “mistura”.
A primeira desvantagem desta globalização é que, como se pode ver, um país constipa-se e todo o mundo espirra; não é possível a intervenção localizada, sem que o todo tenha que ser submetido a tratamento, porque sofre as consequências… E o pior é que nada disto se deve ao altruísmo, mas ao “negócio”. No fundo, à vontade de ocupação, de conquista; de tanto amontoar até ficar sem nada. É isto que se tem repetido ao longo dos temos; e é por isso que a Humanidade não tem outro destino que não seja desaparecer, depois de ser dona de quase tudo; de saber quase tudo, e não se conter —há a coragem, há a perseverança, mas falta-lhe a moderação.
Já há muito que digo que os EUA cairão e sem que ninguém os empurre. Quer dizer: não se tratará de uma explosão, mas de uma implosão; uma espécie de osteoporose, a estrutura corroida pela ambição —a mesma doença que dizimou todos os impérios, mas que não está, suficientemente gravada, registada, nos cardápios de profilaxia. A seguir, poder-se-á, desde agora, saber até quando a China vai crescendo. Sem que eu saiba quanto e até que dia, mês ou ano, posso, confiadamente, dizer que crescerá até à estagnação; a que sucederá o retrocesso… e a hipotéica queda, se não forem feitas as compensações, os ajustamentos —o fenómeno dos “vasos comunicantes” permite-nos entender isso: para que saia, é necessário que entre —com aspecto mais técnico, digamos, o Helder Ferreira, na perspicácia do seu comentário, deixa a explicação suficiente.
Os americanos têm que repensar, que rever, a sua posição no Mundo. Como se tem visto, as vantagens do controlo sobre o petróleo e outras matérias não têm impedido o endividamento. Mais, Não têm sido suficientes para suportar os custos das intervenções nos cenários de conflito. Os credos não podem ser impostos a qualquer preço. E, do mesmo modo, Bruxelas não pode pensar que a estabilidade europeia depende da uniformização dos seus estados membros, porque se torna ingovernável. Bruxelas —uma vez fundado o processo contranatura, tem que aprender a gerir e a conjugar as especificidades dos estados, porque até o negócio carece carece da razão.
Bom, a propósito de nada crescer infinitamente, dizem que, contrariamente à inteligência, a estupidez não tem limites 🙂
Quanto à globalização, tal como tantas outras coisas, será boa ou má consoante o uso que lhe se dê. Globalização sem regras tem consequências, como bem sabemos…
Premonitório?
http://en.wikipedia.org/wiki/The_Unparalleled_Invasion
Não conheço, mas pela descrição…