Os bébés ibéricos

Em 1993/4 andei por Elvas para lançar o novo Hospital. O problema é que havia na cidade uma bela maternidade (Mariana Martins)  e para haver hospital era preciso fechar a maternidade.

 

Já naquela altura o número de partos era muito inferior aos necessários para manter uma equipa de profissionais  "com mão". Foi uma luta tramada. Claro que a reacção das pessoas era contrária,  mas não podemos decidir pela emoção, tem que ser pelos números, pela experiência .

 

Tínhamos Portalegre a 60 Kms e Évora a 90 Kms, e ainda Badajoz a 15 Kms. Muitos Elvenses me confidenciaram que nos casos dificeis já íam a Badajoz, ao hospital moderno, bem equipado ali à mão. O próprio hospital de Elvas foi construído numa dimensão que levou em atenção essa proximidade.

 

Hoje já não há nenhum drama em os Elvenses irem ao outro lado da fronteira, pelo contrário, é com prazer que leio, que a Administração regional de saúde tem vários protocolos e parcerias com as autoridades fronteiriças. Só, assim, é possível comprar e manter os caros equipamentos médicos necessários à prática de uma medicina moderna e eficaz.

 

Agora é perceber que no interior do território tambem há "fronteiras" que têm que ser ultrapassadas, pois de outra maneira o SNS não é viável economicamente, nem poderá garantir os níveis assistênciais que todos necessitamos.

 

Lembro-me bem, quando se ouvia na TV telefonemas a destruir a política de saúde de um homem excepcionalmente bem preparado, Correia de Campos,  valia tudo, escutas em directo e nunca ninguem foi acusado de utilizar os telefonemas para a luta política.

 

Desde então, não há política de saúde, os lobbies e as corporações mandam novamente, está tudo à manjedoura.

 

Temos um Estado entregue a forças não eleitas democraticamente, e que têm um poder que amordaça quem quer apresentar trabalho.

 

Estão lá há muito e renovam-se sempre com o mesmo objectivo. Essas forças sabem de onde vêm as quebras do segredo de justiça e quais são as "notícias" que aparecem nos jornais e nas TVs!

 

Mas ninguem pergunta, ninguem lhes vai à mão!