Quem tem medo morre duas vezes

Uma das óperas de Mozart foi retirado da lista da Ópera do Estado de Berlim

por medo de um ataque terrorista. É um exemplo chocante de capitulação

preventiva: neste ponto, ao que parece, os terroristas não precisam mesmo

de emitir uma ameaça específica, a fim de nos intimidar.” (DER SPIEGEL 27.09.2006)

 

 

 

Foi esta notícia (traduzida por mim do alemão) de 27 de Setembro 2006 que repassei e comentei no meu mail abaixo referido.

 

O que aconteceu há 3 anos em Berlim é um dos exemplos do que não se deve fazer em caso algum:

 

1º Reagir capitulando preventivamente

2º Reagir proibindo – p.ex. minaretes – e/ou procurando a confrontação com métodos autoritários que podem ir até às guerra preventivas.

 

Os “istas” das mais diversas facetas adoram comportamentos deste tipo, pois sabem quem reage assim encontra-se na mó de baixo e em vias de uma derrota psíquica que antecede à física.

 

Hoje não vou repetir o que significa agir, ou seja, a 3ª hipótese e única forma de saír airosamente do atoleiro. No entanto, peço desculpa por me estar a repetir mais uma vez enviando o seguinte texto:

 

“A complexidade gera insegurança. A insegurança, por sua vez, gera medo. É desse medo que nos queremos proteger. Por isso o nosso cérebro filtra tudo o que é complicado, impenetrável e incalculável. O que resta é um aspecto parcial – aquilo que já conhecemos. Porém, como este aspecto parcial se encontra entrelaçado com o todo que não queremos ver, cometemos muitos erros – o fracasso é logicamente programado. Sem dicção aborrecida e academizada, mas sim com muito juizo e humor, Friedrich Dörner, um dos primeiros premiados Leibnitz da comunidade investigadora alemã, nos mostra todos os pequenos, cómodos e tão humanos erros de pensamento pelos quais, no melhor dos casos, só paga um e, no pior, todo o globo.

 

Recensão do livro “The Logic Of Failure: Recognizing And Avoiding Error In Complex Situations” do catedrático alemão de psicologia e investigador de complexidade Prof. Doutor Dietrich Dörner, pelo jornal alemão “Rheinischer Merkur/Christ und Welt”.

 

Como se consegue evitar caír em paralogismos é conhecido mas só uma minoria o admite: basta desactivar esse filtro que no “nosso cérebro filtra tudo o que é complicado, impenetrável e incalculável”. E isto faz-se reduzindo os factos de cada situação complexa e impenetrável ao seu teor energético-estratégico.

 

Exemplo prático: quando uma empresa se encontra em declínio, costuma tecer-se um sem-fim de considerações sobre possíveis causas, efeitos e medidas de salvação. Não raras vezes dá-se a culpa aos clientes que não compram, pensa-se, com espírto de contabilista, em malabarismos financeiros ou então pede-se ao estado para nos socorrer – vai-se ao IAPMEI, claro. Desligando o tal “filtro”, rapidamente chega-se à conclusão que se está perante uma desarmonia que precisa de ser eliminada. Com outras palavras: o nosso produto já não preenche as reais necessidades dos clientes. Daí, basta seguir o seguinte conselho

 

„A melhor hipótese de aumentar a venda de um

produto consiste no seu melhoramento“.

David Ogilvy

 

e já está*. Isto não será uma verdade de La Palisse? Claro que é, mas pergunto: como é que tanta gente importante, formada nas melhores faculdades e principescamente paga, não consegue ver o óbvio? A resposta é fácil: porque não conseguiram desactivar o tal filtro ficando, assim, impedidos de ver o mundo com outros olhos e, assim, soluções viáveis. It’s the strategy, stupid….!!!

 

RD

 

* Até tenho conhecimento de uma empresa em declínio onde aparentemente tudo batia certo: imagem, grau de notoriedade, publicidade, qualidade do produto, preço, assistência técnica, etc. Foi tudo analizado segundo o last state of arts das (pseudo-) ciências da gestão. E nada. Quando finalmente alguém com o “filtro desligado” se lembro aprofundar o inquérito aos clientes, ficou a saber que a culpa ds baixa de vendas era dos prazos de entrega irregulares. Bastou preencher este “factor mínimo” e a empresa voltou ao sucesso.

 

 

 

A perda de poder solidário do ocidente ficou mais uma vez

óbvia. Todavia, não é com armas e violência que pode ser

reconquistado. Assim, vamos recuando mais e mais até que

um dia as cruzes nas igrejas cederem o lugar à meia-lua.

 

RD

Rolf Damher – convidado 

 

SPIEGEL ONLINE, 09/27/2006

 

Comments


  1. Há uns tempos, um imã da dita cidade de Berlim, pretendia nada mais nada menos:1- Proibir procissões nas ruas (ofende os islamitas)2- Fim dos toques de sinos de igrejas (idem)3- Fim da execução pública de concertos de “música religiosa” de Bach, Haendel, etc.4- Maior controle da arte exposta nos museus (quer dizer, fim dos nus e logo a seguir, da figura humana).Como é que é?


  2. Nesse particular eles não enganam ninguem.Essa história de sermos muito tolerantes lá, na terra deles, dá em cortar pescoços. Daí eu perguntar. sabem mesmo que isto não são fazes de uma luta sem tempo, com o intuito do Islamismo subjugar os Estados de Direito? É que eles já subjugaram os Estados islâmicos, a tão apregoada laicidade não se aplica à religião deles?

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