Professores – incontornável

O consenso está longe e o bom senso tambem. Já se fala em nova manifestação dos Professores para 11 de Janeiro, desta vez nem sequer há direito “ao jejum”.

Diz a Fenprof : “o acesso a determinados patamares não depende do mérito mas de uma contingentação de vagas” e isso é incontornável para se encontrar um consenso.

Agora leiam assim: ” o acesso a determinados patamares depende das vagas e não do mérito” e isso é incontornável para se chegar a um consenso.

Porque o que está em cima da mesa, (sempre esteve, embora nos quizessem fazer crer que não) é que os professores possam chegar todos ao topo da carreira. O primeiro argumento é que não era possível criar uma avaliação justa e aceite por todos, com consequências para a carreira. Esse argumento, rídiculo, caiu com fragor.

Agora temos a segunda fase do argumentário, avaliação sim, mas sem consequências na carreira, ficando desde logo aberta a porta para todos lá chegarem.

O Ministério e os Sindicatos estão a travar uma guerra de poder estranha aos professores. O ME quer ter o poder de escolher quem chega lá cima; os sindicatos querem que o seu conceito de sociedade ( comunista e igualitária)prevaleça.

Só a escola autónoma e os professores com a sua dignidade de volta poderão colocar um fim nesta alucinação de políticos e burocratas!

Comments


  1. Gostaria de saber uma coisa. Afinal de que lado é que está Luís? Não fico esclarecido. Eu estou do lado do governo. É natural que não são todos os professores que são excelentes. E não me venham com retóricas de que não são as notas dos alunos que ditam o sucesso do trabalho dum professor, como alguns dizem. Pode não ser só as notas dos alunos a ditar o sucesso dos professores, mas é com certeza um dos factores a ter em conta.
    Se um professor tiver numa turma 2 alunos com 20 valores e outros 20 com negativas não me venham dizer que esse professor é excelente porque tem alunos com notas excelentes. O que eu penso é que esse professor não presta, ou porque não sabe ensinar, ou porque não sabe estimular os alunos para aprendizagem. E quer queiram, quer não queiram, um professor só é excelente se fizer essas duas coisas – ensinar bem e estimular os alunos para aprendizagem ainda melhor.

    • Ricardo Santos Pinto says:

      Mas isso um professor resolve bem. Se a sua nota depende das notas que dá aos alunos, então toca a despachar todos com excelentes notas. Só se for burro.

  2. Luis Moreira says:

    Ismael, eu estou do lado da avaliação com consequências! Sem mérito, e sem avaliação todos são iguais e eu não acredito nisso. Acredito que só o mérito nos pode trazer bons resultados e justiça relativa. Por isso digo, se os burocratas não conseguem chegar a um acordo, dêm autonomia às escolas e tratem-nas segundo os resultados. As escolas organizam-se e ninguem melhor do que quem trabalha no terreno sabe quem tem mérito e quem não tem.


  3. Com certeza que não pensavas que eu estaria de acordo contigo. Mais autonomia para o factor C é isso mesmo que queres? Ninguém vai a lado nenhum por mérito quando há gente “importante” a pedir por gente que não tem mérito.
    Aqui na minha terra vê-se gente a entrar em concursos a nível de escola sem mérito. Achas que essas pessoas que entram sem mérito devem ganhar o mesmo que aqueles que entraram por mérito?
    Eu acho que não.
    Estou desempregado à muito tempo pois não tenho tido sorte na vida. E quando digo sorte, quero dizer, não conheço alguém suficientemente importante no lugar certo para me fazer entrar em certo ou determinado lugar. Mas tem gente que conhece. 🙁

  4. Luis Moreira says:

    Claro que não, enquanto não houver mérito, funciona ” o conhecimento”.Estamos de acordo. E vais ter a tua oportunidade, como todos.

  5. Fernando Nabais says:

    Caro Ismael

    Imagine-se um professor que tenha três turmas do mesmo nível. Numa turma, os resultados são óptimos, noutra são sofríveis, noutra ainda são medíocres. O professor é óptimo numa turma, sofrível noutra e medíocre na terceira?
    Não estamos diante de ficção, já aconteceu comigo, mais do que uma vez. Devo dizer que fui elogiado (não digo que merecidamente) por alunos a quem dei 20 e por outros a quem dei negativa. Como se mede isto?
    Tenho a certeza absoluta que terei tido mais mérito no caso de muitos alunos que alcançaram 10 do que nos que alcançaram 20, pois estes, na maior parte dos casos, vêm de famílias que se preocupam com a Educação dos filhos, que têm dinheiro ou vontade de lhes proporcionar experiências culturalmente enriquecedoras. Os resultados que um aluno consegue obter dependem de variadíssimos factores, um dos quais é o professor.
    Termino com um exemplo, esperando que o Ismael me ilumine: como se obriga a trabalhar um aluno que se recusa a trabalhar? Também não é ficção.
    Sinceramente, estou-me nas tintas para qualquer avaliação, desde que a minha consciência não me atormente, mas pergunto se devo ser avaliado pelos resultados obtidos por alunos que, por razões de vária ordem, pura e simplesmente não trabalham, porque não querem aprender (como o país inteiro não quer), não querem saber das notas e levam uma eternidade a sofrer consequências por actos de indisciplina?

    Caro Luís

    Será sempre, para mim, um mistério saber quem afirmou que quer uma avaliação sem consequências na carreira. Nunca ouvi tal coisa nem do mais comunista dos sindicalistas.
    Que o mérito seja premiado sobre a mediocridade, sempre de acordo, mas nunca por razões administrativas ou contabilísticas. De acordo com isso, espero que possam chegar ao topo todos os que alcancem merecimento, sejam eles zero ou 150000. Se as quotas fossem a garantia suprema da seriedade de uma avaliação, deveríamos aplicá-las também aos alunos.
    Finalmente, o interesse de uma avaliação (no caso dos alunos também) não está em seriar pessoas, mas em permitir-lhes que melhorem. A avaliação tem sido pervertida pela igreja neoliberal como forma de conter custos e não de melhorar o rendimento.

  6. Luis Moreira says:

    Não Fernando, sem objectivos nenhum professor sabe o que deve fazer. O que faz um professor que entra de manhã numa escola se não tem objectivos negociados com a escola? O que ele está a fazer é mesmo o que deve fazer? Ou é o que gosta mais de fazer? Ou naquele dia apetece-lhe outra coisa? Todos esses problema podem e devem ser resolvidos pelos professores entre si, ninguem sabe mais quem tem mérito que os próprios colegas. Como sabe o professor que está a fazer a coisa certa se não sabe o que a escola espera dele? E na turma problemática os objectivos a atingir são os mesmos das outras turmas? O que faz a escola para acompanhar a turma problemática? Todos estes assuntos resolvem-se com a avaliação, que não é, uma sereação de professores, nada disso. Eu já tive 700 processos de avaliação em cima da minha secretária e recusei-me a assiná-los. Eram todos óptimos e eu sabia bem quem eram os excelentes e os que nem sequer lá punham lá os pés. Sabia eu e todos os que se interessavam por aquilo que tínhamos de fazer. Tambem foi num ministério. Nada há de mais injusto!


  7. Claro que concordo com o Luís Moreira quando ele afirma que a escola tem que ser parte na avaliação mas também digo que não podem ser só as escolas a terem parte na avaliação. Uma avaliação numa escola privada é bem mais viável sendo colocada nas mãos da escola que numa escola pública.
    Enquanto não se pensar em avaliação de escolas, também, não estaremos bem. Se houvesse uma avaliação de escolas, se os alunos tivessem bolsas de mérito. Um pequeno ganho que fosse. Se a aprendizagem dos alunos servisse para fazer algo de útil na sociedade. Eu penso que todos esses “SES” juntos ajudariam imenso a melhorar o ensino.

  8. Fernando Nabais says:

    Luís, louvo a sua atitude e tomo-a como uma referência. Nunca discordei de que a avaliação deva ter consequências e acho perfeitamente aceitável que nem todos possam chegar ao topo ou que a maioria nunca lá chegue. Só não aceito que isso se faça administrativamente. Crie-se um verdadeiro sistema de avaliação justo e motivador.
    Quanto a negociar objectivos, parece-me uma utilização inapropriada de uma linguagem do mundo empresarial, especialmente se for no sentido em que o Ministério a tem utilizado. Por exemplo, considero inaceitável que um professor possa definir taxas de aprovação a alcançar no final de um ano lectivo, como se o sucesso de um aluno não dependesse de variadíssimos factores que não é possível a um professor controlar na sua totalidade (no fundo, essa definição de objectivos funcionaria como a criação de quotas para reprovações, algo, para mim, tão absurdo como quotas para progressão). De resto, um professor, devido às imposições éticas, curriculares e outras, tem os objectivos muito bem definidos, talvez até demasiado definidos.