Vítimas de violência doméstica: Que nunca vos falte a Ana Matos Pires!

Outros aventadores já abordaram o tema aqui, aqui e aqui.
Marcou-me muito quando, em criança, vi um tipo a dar uma valente estalada à mulher dentro do autocarro. E ela comeu e calou à frente de toda a gente. Essa imagem marcou-me até hoje.
É um dos crimes mais hediondos. Por mais que me esforce, não consigo compreender como é possível bater numa mulher ou numa criança e fazê-lo repetidamente durante anos. Bater repetidamente em quem não tem a mesma força, em quem não se pode defender. Da mesma forma que não consigo compreender que muitas mulheres não se revoltem mais cedo, sobretudo quando não precisam dos maridos para nada.
Eu sei, eu sei. São sempre questões complicadas, geralmente há filhos, por vezes há dependência económica e/ou psicológica. Continuo sem perceber alguns dos casos que conheço pessoalmente – um dos quais tem como vítima uma juiz do Grande Porto.
Quanto ao castigo, nunca é demais. Sou contra a pena de morte, porque o Estado não tem o direito a tirar a vida de ninguém – quem é um juiz para fazê-lo? Mas quando uma mulher, habituada a levar pancada durante anos, mata o marido em desespero, encaro-o apenas como legítima defesa. Que nunca lhes faltem as balas!, como diz o nosso Fernando. Infelizmente, é quase sempre ao contrário – a estocada final culmina uma vida de agressões.
Apesar da seriedade do tema, faz-me espécie que alguém se entretenha a contabilizar diariamente, no seu blogue, o número de vítimas de violência doméstica e a fazer apostas – quantos é que serão nos próximos dias? Chamar a atenção para o assunto, tudo bem, mas o que é demais é moléstia.