O empresário – criador de riqueza

Hoje, em vez de uns senhores muito importantes que nunca criaram um só posto de trabalho, o Prós e Contras trouxe-nos a voz de alguns empresários. A sua experiência, o seu entusiasmo a sua dedicação, o seu amor ao risco.

Desfilaram à nossa frente velhos e novos mas todos eles irmanados de uma vontade férrea de vencer, sem esmolas do Estado e sem negócios ultra escuros. A única coisa que precisam do governo é que não os asfixie com impostos, com legislação que parece dirigida a um qualquer inimigo.

Actividades há muito conhecidas são inovadas, transformadas em negócios que ultrapassam em muito as fronteiras, competem em mercados altamente competitivos e saem vencedores.

Esta gente empreendedora não pode ser confundida com os senhores muito importantes que vegetam e enriquecem nas empesas públicas, nos grupos económicos do regime, vivendo à mesa do orçamento e à custa de negócios preparados e lançados pelo Estado.

Nenhum de nós ouviu alguma vez falar deles, porque são gente de trabalho, precisam de inovar, vender, facturar e pagar salários, não fazem greves nem deslocalizações, não entram em “furacões”, nem recebem visitas de ministros e os jornalistas andam às voltas com uma qualquer Galp monopolista.

Por isso, quando temos ensejo de os conhecer, devemos saudá-los a eles e a todos quantos trabalham longe dos holofotes das notícias, criando postos de trabalho e riqueza.

E rezar para que um dia, um qualquer político, não se lembre deles…

Comments


  1. Caro Luís,

    Parece-me uma visão muito romantizada do empresário. Até diria infantil. Primeiro demoniza o empresário da empresa pública. Depois coloca o empresário da coisa privada ao nível dos deuses menores das mitologias clássicas. Ou seja, preto e branco.

    Em primeiro ligar quer salientar que o empreendorismo é uma característica que nem toda a gente tem (e não confundir com iniciativa). Há que aceitar isto. Forçar o empreendorismo é forçar o fracasso com consequeências que irão transcender o empreendedor.

    Em segundo lugar, a riqueza é gerada pela empresa que reúne o empreendedor e os empregados (ou colaboradores como quiser chamar). Qualquer coisa que difere desta abordagem é puro enviesamento para um qualquer enaltecimento bacoco.

    Em terceiro lugar, ficar-lhe-ia bem falar do ‘empreendorismo dentro das empresas’ feito por pessoas (empregados, colaboradores, trabalhadores por conta de outrém, como quiser) que inovam a partir de dentro e que não são contabilizados nem reconhecidos na altura da distribuição do status que a palavra sugere.

    Em quarto, eu poderia dar-lhe a conhecer alguns ‘empreendedores’ da coisa privada que negam todo o seu registo épico. Mas isso seria fácil.

    Por último, antes de uma crucificação quero salientar que atribuo muita importância ao empreendorismo responsável mas salientando que nunca funcionará como um oásis.

  2. Luis Moreira says:

    Meu caro Nuno, na empresa pública não vejo qualquer empreendorismo, pelo contrário, o que vejo é gente que não arrisca nada e deita-se na cama feita por outros. Quanto aos que trabalham na empresa, longe de mim tirar mérito a quem se dedica, mas o poste refere-se aos que assumem o risco, inovam, que não se aplica aos trabalhadores. Empresário devia ter reputação entre nós e não tem, e esse é um dos problemas.


  3. Luís,

    Generalizações têm sempre o problema de serem reducionistas.

    Assumir riscos e inovar também se aplica aos trabalhadores (o terceiro ponto do meu discorrimento).

    O problema não é a reputação do empresário, mas antes a do empreendedor. Recuso-me a tornar sinónimas estas duas palavras. Nem todo o empresário é empreendedor e nem todo o empreendedor é empresário.


  4. Qual foi o relatório (OCDE?) q concluiu ser o atavismo financeiro portugues devido, não à falta de preparação/empenhamento dos trabalhadores mas à inadequação (falta de visão-empreendedorismo) dos empresários portugeses?

  5. Luis Moreira says:

    Eu falo dos empresários que produzem bens transaccionáveis e exportáveis para mercados competitivos, onde é preciso mérito e, não, dos grupos que vivem do mercado interno e à sombra do Estado. A OCDE não confunde uns e outos!

  6. Luis Moreira says:

    O que os une sei o que é, a diferença, não. Empreender é isso mesmo, é tomar a iniciativa, reunir as condições, prosseguir uma ideia e transformá-la num negócio. Empresário é quem faz isso. Quem não faz são os gestores públicos e de quem vive à conta dos negócios, sem risco, do Estado. O trabalhador arrisca o seu emprego se a empresa não for de sucesso. Empresário é quem produz bens transaccionáveis e exportáveis, para mercados competitivos, onde é preciso ser melhor do que os outros.

  7. Luis Moreira says:

    Enquanto a nossa opinião sobre os empresários portugueses, mesmo os que partem de uma ideia, a colocam em prática, reunem os factores e os transforma num negócio, for a que se aqui intui, não vamos a lado nenhum. Para nós empreender, ou empresário (empresário, é um empreendedor que transforma uma dada actividade num negócio) são os do costume têm uma história por trás, ganham muito dinheiro sem risco, à sombra do Estado…
    O poste distingue bem empresários de especuladores e de “absorsores” de riqueza…

  8. Luis Moreira says:

    Empresário, especulador, “absorsor” são conceitos diferentes. Refiro-me aos que transformam uma actividade num negócio, sem ser à sombra dp estado, e em mercados competitivos. O risco do trabalhador é outra coisa…