O mistério de um inocente convite

O mistério de um inocente convite (suspense final)

 -Em conclusão: creio que o melhor é marimbarmo-nos contra os mandamentos da santa madre igreja e fazer a mesma merda que eles, qual fidelidade qual gaita, qual adultério qual carapuça, qual até que a morte nos separe! Encontros secretos só de mulherio, ou então uma greve geral, uma nega geral, como manda a força revolucionária tão característica do nosso povo.

 -Ouça lá ó senhora…senhora presidiária, a senhora nem parece que é deste mundo! A senhora nem parece mulher de marido, ou lá o que é! O que funciona para o homem não funciona para a mulher. E o que funciona para a mulher não funciona para o homem. Nunca ouviu falar dessas coisas…essa da nega geral…já viu?! Até faz rir! Eles vão esfregar as mãos de contentes, e facilmente vão virar o feitiço contra o feiticeiro!

 -Para além de ficarem sem as suas estritas e já estreitas obrigações, então é que não lhes vão faltar pretextos para outros encontros com o paradigma da modernidade! Nesta altura da natural e feminina ausência das regras, a ausência de regra faz a desregra e atira-os inevitavelmente para onde eles ainda vejam regras.

 A minha amiga presidiária que está atrás das grades por ter chamado filho da puta, de caras, a um grande político e gestor, que tem dois Bentley, tês vivendas e quatro apartamentos, quatro piscinas, cinco saunas, e uma filha muito feia, e que se abotoou com largos milhões de euros do erário público, aprendeu algumas coisas comigo.

 Quando a minha pobre Gerúndia, e não cabe aqui dizer de onde lhe vem o nome, mandava para o ar a sua conferência de imprensa, nós, em casa do meu amigo, vimo-la na SIC. Ficamos apalermados, porque nada justificava a angústia e a revolta das nossas mulheres. Peguei no telemóvel, liguei-lhe e disse-lhe:

 -Ó mulher, que estás tu a fazer? Estamos todos mais do que inocentes! Viemos apenas comer um ensopado de javali, para comemorar o nascimento da filha do nosso amigo.

– Filha do teu amigo!? Com essa idade?

-Sim.

-É mesmo dele?

-Ele diz que sim.

-E quem é a mãe?

-Ninguém sabe, mas consta-se que é uma de vocês, que foi encobrindo  a gravidez com um ai, estou a engordar tanto!  Quem, não sei!… mas tem de ser uma das mais novas, ainda não totalmente desregrada, hein!?… Oficialmente a catraia é da criada.

 A gerúndia, como já disse, aprendeu muita coisa comigo.  Lembrando-se bem do filme “O testa de ferro” de Woody Allen, em que este enfrentava a Comissão macartista, resolveu então encerrar o tema:

-Fodam-se todos e que se foda a conferência de imprensa. (Fim)

 Nota: Toda a semelhança com factos reais é pura coincidência.

Comments

  1. Carlos Loures says:

    Faz de conta que estás a ouvir uma tempestade de aplausos. Grande Finale à maneira. Abraços.

  2. carla romualdo says:

    Valeu a pensa o suspense! Parabéns.

  3. carla romualdo says:

    valeu a “pena”, claro.