Balanço

Dos acontecimentos de 2009, destaco, sem hesitações, a primeira íris que nasceu na minha varanda, e que deu origem ao texto com que iniciei a minha feliz vida no Aventar. A sua existência foi curta mas inspiradora, à sua pequena escala.

Recupero igualmente um salgueiro que encontrei na margem de um rio, lá nos idos de Agosto, e a sua particular melodia nessa tarde que anunciava o fim do Verão e o princípio de uma pequena crise.

Houve também, como esquecê-lo, um abraço, um improvável abraço porque irrompeu de um improvável reencontro, e fez estilhaçar todas as certezas sobre o que é  provável ou improvável que nos aconteça.

2009 não seria o mesmo se não tivesse havido a textura áspera de um Baco de cerâmica, um instante em que olhando para cima numa ruela labiríntica se descobre que há sempre outra forma de olhar as coisas conhecidas, uma página com uma dedicatória afectuosa, uma praça varrida pelo vento de Castela.

E as conversas, naturalmente. Algumas apenas por escrito, imperfeitas unicamente pela distância. E o riso.

Assim alinhados os grandes momentos de 2009, ainda que por uma ordem caprichosa, considero que o ano foi notável e tomo nota para memória futura.

Comments

  1. Luis Moreira says:

    São só activos e nenhum “tóxico”, é isso Carla.

  2. Ricardo Santos Pinto says:

    Excelente, querida Carla. Bom ano.

  3. carla romualdo says:

    Bom ano para vocês, Ricardo.


  4. Carla, não imaginas o prazer que tenho em ler coisas bem escritas. A literatura é uma arte, talvez a mais assombrosa e mais difícil de todas.

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