Xenofobia / desenvolvimento

Recebi, já por segunda vez, um texto algo xenófobo que passo a comentar como segue:

Deixem-me ver se ( desta vez) me faço entender…

O princípio é sempre: cá se fazem, cá se pagam! Quem se queixa de uma situação, que procure a responsabilidade em primeiro lugar junto de si próprio. O texto abaixo referido pode constituir uma válvula de escape para dar um certo alívio mental aos menos esclarecidos mas não resolve os problemas.

Quem se porta como a União Europeia se tem portado nos últimos 40 anos (subvencionismo, egocentrismo), cria este tipo de atracção fatal sobre outros povos que ficando cada vez mais pobres por causa do comportamento da UE, se abeiram às nossas fronteiras para dar o salto.

No caso português estou a falar dos imigrantes do leste ou do Brasil, também dos africanos. Estes valentes imigrantes fazem, tal como os “vancances” dos anos 60, com que nenhum “cidadão nobre” e subsidiado da CEE/UE seja obrigado a fazer trabalhos menos “nobres”, tais como jardinagens, serventes de obra, etc. Não senhor, estes “cidadãos romanos de primeira”, por assim dizer, destinam-se todos para ocupações “nobres” (campeões do high-tech)  e enquanto marcam passo no desemprego crónico são alimentados por um sem-fim de cursos de formação profissional remunerados dos fundos da UE. Infelizmente trata-se de cursos que, idealizados por burocratas, nada tem a ver com as realidades do mercado. Têm mais a ver com manter entretidos os jovens, fazendo de conta que têm uma ocupação. Assim, quando estes cursos acabam, os jovens saltam para o próximo, de conteúdo e utilidade tão duvidoso como o anterior (até já li de cursos que criam “doutores da mula ruça”). Enfim, a UE criou aquilo que se chama o precariado.

Enquanto à nossa volta aumentam as dificuldades a olhos vistos, os “nobres cidadãos romanos de primeira” entretêm-se com jogos de faz-de-conta. Quem trabalha são os “hilotas”. São eles se mexe no terreno prático ganhando dinheiro em troca de um trabalho concreto, são os imigrantes – que não  raras vezes são alvo de exploração da parte das entidades empregadoras.

É óbvio que sóciosistemas assim pervertidos que se desenvolvem para dentro de um sistema fechado, com o tempo se tornam insustentáveis. Tudo indica que a hora do fim da linha chegou. Basta ler os jornais ou ver os telenoticiários o que acontece com esses sóciosistemas, começando pelos seus subsistemas menos desenvolvidos que são os primeiros a ter que passar pelas armas.

“…é a mais pura das verdades” ? A mais pura das verdades é esta:

“E conhecereis a verdade, e a verdade vos

libertará.” A Bíblia Sagrada, João 8, 32

Rolf Domher

PS: não publico o texto xenófobo por ser conhecido e nada adiantar ao texto do autor

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