émile durkheim

Émile Durkheim durante a sua época criativa da Ciência da Sociologia

O texto que passo a comentar, refere a obra de Émile Durkheim de 1912: Les structures élémentaires da vie religieuse, Félix Alkan, Paris. Texto editado pela Press Universitaires de France. O livro é um debate entre, Durkheim e Max Müller sobre o animismo e as formas de religiosidade, para se centrar nas formas da vida religiosa da etnia Arunta – também denominada Aranda – de Austrália. No entanto, Durkheim ultrapassa o  tema Central e como as crianças são ensinadas a saber domesticar a natureza, a dominar e a reproduzir. Apesar de ser um cientista muito conhecido, penso que a sua biografia e ideias chaves dêem ser brevemente relembradas: Émile Durkheim (Épinal, 15 de abril de 1858Paris, 15 de novembro de 1917) é considerado um dos pais da sociologia moderna.

Durkheim foi o fundador da escola francesa de sociologia, posterior a Marx, que combinava a pesquisa empírica com a teoria sociológica. É reconhecido amplamente como um dos melhores teóricos do conceito da coesão social. Para que reine certo consenso nessa sociedade, deve-se favorecer o aparecimento de uma solidariedade entre seus membros. Uma vez que a solidariedade varia segundo o grau de modernidade da sociedade, a norma moral tende a tornar-se norma jurídica, pois é preciso definir, numa sociedade moderna, regras de cooperação e troca de serviços entre os que participam no trabalho colectivo (preponderância progressiva da solidariedade orgânica). É assim que sintetizo a teoria de Durkheim, roubando as palavras à Wikipédia em: http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%89mile_Durkheim. Para saber mais sobre esta forma de teorizar, remeto a o leitor para um dos vários livros escritos por mim sobre Durkheim, o mais recente e que revela as suas tendências ideológicas é: O presente, essa grande mentira social. A reciprocidade com mais valia. Ensaio Antropológico de Sociologia Económica, Afrontamento, Porto, 2008. Porquê Sociologia Económica?

Apesar de dos títulos das suas 35 obras, referidos como sacrifício, religião, rituais, Durkheim tinha entendido que a vida social está baseada na produção de bens, como refere na nota 1 das suas conclusões, página 419 do livro que uso, em língua inglesa. O seu texto sobre As formas elementares da vida religiosa, no meu ver, é um livro de economia mais de que religião. A sua base para comparar rituais religiosos eram as suas ideias e pesquisas, debatendo com o linguista Max Müller, que atribuía essas formas elementares ao animismo e não à conjuntura da produção conjunta e à aprendizagem, elaborada por meio de rituais, da preservação das bases naturais de reprodução da natureza para os Arunta continuarem a viver.

Friedrich Max Müller (6 de Dezembro de 182328 de Outubro de 1900) linguista, orientalista e mitólogo alemão. Aluno de Franz Bopp e de E. Burnouf, retomou o estudo da Avesta e a publicação do Rigveda – Samhita, que manteve de 1849 a 1874 (6 volumes). Sua principal obra é a colecção The sacred books of the East (51 vols, publicada de 1879 a 1910), fonte essencial da história das religiões e da mitologia comparada. É considerado o criador da disciplina religião comparada. É este método que permite a Durkheim debater formas religiosas elementares, como eram denominadas apesar da sua complexidade, a partir das, mais tarde denominadas, em 1985, por Julio Caro Baroja: Las formas complejas de la vida religiosa (Siglos XVI e XVII) SARPE, Madrid. Biografia e obra, em: http://es.wikipedia.org/wiki/Julio_Caro_Baroja

Os estudos à laia de Müller serviam a Durkheim, para através da comparação, entender as formas elementares religiosas. Enquanto Müller

compara religiões, Durkheim estuda-as como factos, dentro delas. No livro I, Capítulo I, Durkheim critica Müller por precisar de comparar religiões para as entender, sem aprofundar a vida social do povo em questão, estudar as suas circunstância sociológicas e assim entender como a vida religiosa é própria do grupo estudado, e por esse motivo não precisarem de um Cristo para as entender. Critica a Müller, esta necessidade teológica que o distancia da sociologia ao procurar saber o que é sagrado para um povo, dentro de si mesmo, sem ter que se auxiliar de outras formas religiosas para o explicar (pp. 32 do livro que uso, já citado)

Se Freud os estuda como desordem de personalidade ou neuroses, Durkheim analisa as formas de educar para renovar a população geneticamente, o seu saber sobre a sua história e geografia e os seus meios de subsistência. É o motivo pelo que no texto citado, fala de Intichiuma ritual de aprendizagem de como saber viver em jejum, nus e em silêncio enquanto, durante vários dias, procuram a larva que mais tarde será um lagarto (lizard) ou réptil sáurio, de cabeça oval e corpo quase cilíndrico, muito ágil, e de muita utilidade para a agricultura, por se alimentar de insectos,insetos e, o deserto em busca da larva, orientados pelo xamã sagrado Aletunja, quem sabe do ritual corrobbori. Ritual que o obriga a conduzir, uma vez por ano, os Arunta pré púberes e em jejum, durante vários dias, para procurar no deserto essa larva que será, a seguir, um lagarto para alimentar a população. São as conjunturas de reprodução de um povo tão pobre em meios naturais de sobrevivência, que aprendem pelo ritual corrobbori a saber passar fome e, no entanto, subsistir até serem adultos que sabem caçar o alimento essencial, a avestruz, e o javali. Salgados, são alimentos que duram várias semanas. Conjuntura de subsistência e reprodução é também serem um povo nómada, que anda pelo deserto em diferentes épocas do ano, acedendo aos sítios do seu alimento em épocas de não reprodução dos animais que, crescidos, são caçados e consumidos pelos vários clãs Arunta. Cada clã tem um totem ou emblema que representa o animal base da sua reprodução e da sua permanência na vida. Durante a época da reprodução, o totem é sagrado, donde cuidado, acarinhado, domesticado para os caçadores Arunta não terem que correr atrás de animais mais velozes que o ser humano. O texto pode ser lido na integra em:

http://classiques.uqac.ca/classiques/Durkheim_emile/formes_vie_religieuse/formes_vie_religieuse.html

O debate com Müller está  em: Livro I, CHAPITRE III :    Les principales conceptions de la religion élémentaire (suite) II. – Le naturisme Historique de la théorie I.        – Exposé du naturisme d’après Max Müller. O debate começa por esta afirmação de Durkheim: Temos analisado que a afirmação de ser o animismo uma religião, é um postulado subentendido que não tem como origem nenhuma realidade experimental. É do princípio contrário que argumenta Max Müller. Para ele, é um axioma que a religião é o resultado de uma experiência da que retira toda a sua autoridade. A religião, diz ele, para ter a hierarquia de elemento legítimo da nossa consciência e conhecimento, deve nascer, como outro qualquer saber, der uma experiência sensível.   Vamos supor que ele pensa este velho adágio empírico: Nada existe no intelecto que não estivesse antes nos sentidos. Por outras palavras a sua doutrina declara que nada pode existir na fé que não tiver existido antes na experiência sensorial. Fonte: Capítulo III, Secção II: O naturalismo, página 72 do texto Les structures élémaintaires de la vie religieuse, em: http://classiques.uqac.ca/ Este é o debate de Durkheim com os teólogos, que desenvolve pelo livro inteiro, essas 470 páginas, até convencer que as formas elementares da religião, não advêm de uma divindade, fé ou sentimento, bem como da actividade material com que devem defender-se os seres humanos para a sua subsistência. Motivo pelo qual o corrobbori é um ritual de jejum, andar nu, não descansar, passar frio à noite, vagabundear em procura de entidades materiais que permitam a continuidade das suas vidas. Não era assim como se pensava, especialmente na época histórica em que a vida social era orientada pelo sentimento de fé, que Durkheim mudou para factos da realidade empírica.

Comments


  1. eu achei muito legal e queria saber mais de esse assunto de sociologia.


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