PSD: "Directas" ao assunto

Tal como há muito se tinha afirmado no Aventar, Aguiar Branco junta-se a Passos Coelho na corrida à liderança do PSD. E não foi por acaso que há duas semanas se sublinhou, igualmente no Aventar, a tentativa de “onda” para um avanço de Rangel. É só lerem o arquivo e/ou andarem atentos ao blog.

Os três candidatos são muito diferentes. Embora todos partilhem algo em comum, assaz curioso, de semelhança com três diferentes figuras do CDS. Se Pedro Passos Coelho é uma espécie de Manuel Monteiro para melhor e Aguiar Branco um Lobo Xavier mais expedito, já Paulo Rangel parece querer ser o Paulo Portas do PSD. E é aqui que, salvo seja, a porca torce o rabo.

Ao contrário de outros, eu não vou relembrar o que disse Rangel durante e após as Europeias sobre uma putativa candidatura sua à liderança. Não. Prefiro um outro registo. A campanha de Rangel nas eleições Europeias foi, reconhecidamente, boa. Mas quando comparada com o cinzentismo da actual liderança. Paulo Rangel foi uma espécie de Paulo Portas pela sua irreverência e inteligência. Animou as hostes, partiu para a luta meio sozinho (quem ainda recorda os primeiros tempos de Portas no PP?) e arrastou o laranjal com muito populismo, soundbites e teve o seu momento Soares/Marinha Grande na história da papa maizena.

Ora, tal chega e sobra para umas europeias mas é perigosamente pouco para um candidato a Primeiro-ministro. Liderar o PSD é como treinar o FCP, qualquer um se arrisca a ser campeão mas….não podemos esquecer que o Quinito falhou. Passe a comparação. Por isso, quando chegar a hora da verdade, Rangel vai desistir (invocando o interesse nacional e o interesse partidário) a favor de Aguiar Branco. Ou, quem sabe, se a disputa acirrar velhas divisões, apoiar Passos Coelho.

Por acaso, igualmente não concordo com os que o acusam de ser o candidato da actual direcção. É não conhecer Rangel. Ele corre por si próprio. Ele é a sua própria facção. Esteve com Rio mas piscando o olho a Menezes, esteve com Mendes mas suficientemente distante para estar a seguir com Manuela. Esteve no CDS não estando, o suficiente para estar no PSD sem ser considerado um Cristão-novo. É suficientemente inteligente para não estar com ninguém aparentando estar com Deus e o Diabo. Ele é o Marcelo Rebelo de Sousa dos pequeninos.

O mais interessante desta eleição é, finalmente, estarmos a assistir a uma mudança de geração, a uma verdadeira mudança geracional. Ganhe quem ganhar, o PSD nunca mais será o mesmo, para o bem e para o mal. Vai ser um verdadeiro exorcismo. É o fim das lideranças herdeiras do Cavaquismo pois nenhum deles é discípulo dessa escola. O que torna estas directas num momento histórico nos últimos 25 anos do PSD. Uma mudança necessária. Sem provocar, obviamente, a extinção do cavaquismo.

Se Passos Coelho quer Mudar e Rangel Romper, no final da semana se saberá o que quererá Aguiar Branco. Ficar?

Comments

  1. Luis Moreira says:

    Passos Coelho trás um Estado mais seco e mais produtivo; Rangel trás a visão sem fracturas em relação ao que conhecemos; Aguiar Branco é um homem com experiência, trás o conhecimento dos bloqueios. Uma coisa é certa. Há opções a tomar com estes candidatos! Não são a mesma coisa.

  2. Fernando Moreira de Sá says:

    Pois não são a mesma coisa e são todos bons candidatos. Uma nova geração para um novo PSD, pelo menos assim se espera…

  3. Iscas says:

    Serão bons candidatos internos…mas e para quem está de fora? Qual dos 3 tem perfil de ser um candidato a primeiro ministro? Não basta querer…

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.