Shutter Island — A loucura decretada

Socorcese com o seu actor talismã, Leonardo, pintam uma tela magistral sobre a loucura e os seus demónios, ou melhor, sobre os demónios que cada um carrega.

Onde começa a loucura ? A loucura começa quando alguem com um qualquer poder sobre um ser humano decreta essa condição? Sou louco porque não penso e não ajo segundo a moral e as regras vigentes? Sou louco porque revelo a verdade quando o que se espera de mim é a mentira?

Num hospital psiquiátrico plantado numa ilha tenebrosa, de onde não se sai, sujeita à inclemência da natureza, ao abandono das autoridades e ao esquecimento por Deus, protegendo de si mesmos os mais perigosos loucos, a loucura/verdade travam uma luta sem tréguas. Para guardar a verdade e conseguir resistir é preciso aceitar a condição de louco que lhe foi imposta por quem veícula a verdade oficial.

No Holocausto Nazi, no Gulag Soviético e nas Sociedade Ocidentais utilizam-se métodos para controlar as mentes “desviadas”, seres humanos como cobaias, que vão desde as brutais condições em que os presos vivem, até aos electrochoques, à “portuguesa lobotomia” ( de Egas Moniz) aos medicamentos que retiram a vontade, a esperança e a dignidade, tudo a bem da “ciência”.

Um grande filme!

PS: a lobotomia, operação ao cérebro inventada pelo Prof Egas Moniz, é escalpelizada como um método anti-humano. Ainda há bem pouco tempo vivia um condutor de camions nos US que em criança foi sujeito à lobotomia suborbital, processo introduzido por um médico americano que utilizava, na casa do próprio doente, um “espetador de gelo” para operar via globo ocular. A finalidade era cortar alguns ligamentos nervosos e assim baixar o nível das descargas electricas do cérebro que se manifestavam em situações de loucura. Há famílias nos US que já apresentaram queixa nos Tribunais com vista a ser retirado ao médico português o único Prémio Nobel da medicina portuguesa!

Comments

  1. maria monteiro says:

    Ainda está em agenda para ver

    “Voando sobre um ninho de cucos” de Milos Forman, um filme com mais de 30 anos, também não anda muito longe da realidade que encontrei, durante 18meses, numa clínica de doentes mentais onde estive a acompanhar uma doente com Alzheimer

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