Acredito que o candidato social-democrata procurava uma frase-chave (um chavão, se quisermos). Algo que resultasse como o “Yes we can” de Obama, que fosse apelativo, mobilizador.
Certamente a sua atabalhoada candidatura não deu tempo para mais. Isto é: não deu tempo para melhor.
Terá, por isso, decidido pegar numa palavra, numa só ideia, e repeti-la à exaustão: “ruptura”.
Acontece que “ruptura” reporta-se ao acto de romper, ou seja de rasgar, dilacerar, desfazer. Da ruptura resulta um rompimento, resulta que algo fica rompido, ou seja roto. Ora esta não é uma boa opção para um mote que incentive, que estimule vagas de fundo. Não há grande apelo a ser-se roto ou a participar em rompimentos.
No entanto, Paulo Rangel insiste, investe todas as suas forças, erguendo-se bem alto em bicos-de-pés para exortar uma e outra vez à ruptura. Como se tal lhe estivesse no sangue. E penso que a razão será mesmo essa: a ruptura está-lhe mesmo na massa do sangue. Assim foi quando rompeu com a promessa que ficaria no Parlamento Europeu. E, também, assim foi quando rompeu com o entendimento estabelecido com Aguiar-Branco, quanto ao combate pela liderança do PSD.
Paulo Rangel é o alvo do seu próprio combate.
Se eu fosse militante social-democrata, votaria Aguiar-Branco.
Se tivesse de escolher entre Paulo Rangel e Pedro Passos Coelho, votaria Pedro Passos Coelho.
Tudo faria para romper com paradigmas de ruptura como Rangel.







Pois é, a ruptura aliás não é com ele. Ele veio à luta atabalhoada para continuar Manuela.
Concordo. Aliás o Paulo Rangel é um infeliz na forma como comunica. Lembro-me que uma das palavras de ordem da campanha do PSD para o Parlamento Europeu era “por um Erasmus para o primeiro emprego”, o que para o português mediano não significa nada _ “Erasmo só conheço o Erasmo Carlos”!
Tenho acompanhado estas cegadas do PSD e também para mim o Aguiar Branco acaba por ser o mais sensato. Mas, na verdade, a mim tanto faz…