Invictus: Um suplemento de alma aquém das expectativas

Clint Eastwood é, provavelmente, o mais importante e relevante cineasta dos últimos vinte anos. E isto não é pouco. Mas nem os melhores estão sempre no topo. Por vezes tropeçam. Serve este início desculpabilizante para dizer que “Invictus” fica abaixo do padrão médio de Eastwood. O filme, esclareça-se, não é mau, nem sequer fraco. O problema é que o cineasta já nos deu muito melhor e qualquer coisa abaixo de excelente parece pouco.

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“Invictus” acompanha-nos na libertação da prisão de Nelson Mandela, interpretado por Morgan Freeman, a eleição como presidente da África do Sul e os seus esforços para evitar o desmembramento do país, incluindo o incentivo à selecção de râguebi para ganhar o campeonato do mundo que o país recebeu em 1995.

Mais que um feito desportivo seria um exemplo de união num país que viveu muitos anos debaixo de um regime de segregação. Tal como indica à equipa que trabalha na presidência que só vai embora quem quer, tal como contrata seguranças brancos para trabalhar com os seguranças negros que o acompanhavam, Mandela quer fazer do râguebi uma fonte de união. Desporto dos brancos, por oposição ao futebol, desporto dos negros, o râguebi do país tinha uma selecção apoiada apenas pela minoria branca e era encarado com desprezo pela esmagadora maioria da população. Com o campeonato do mundo à porta, nada como fazer das vitórias da selecção a base para uma reconstrução social do país. É esta uma nova tarefa de Mandela, fazer do râguebi mais uma ponte para a união do país. Para essa missão procura cativar o capitão da equipa, François Pienaar, encarnado por Matt Damon, que veste com empenho e convicção o papel que lhe cabe. De resto, tal como Freeman.

É este o percurso de “Invictus”, que recupera o título do poema de William Ernest Henley, lançado em 1888, e que foi a fonte de inspiração de Mandela para suportar três décadas de existência numa minúscula e miserável cela.

Neste filme, Eastwood decidiu seguir a via do classicismo formal mas tornou-o demasiado reverencial à figura de Mandela. Alguma falta de ritmo no desenvolvimento da história acaba por tornar a fita algo monótona, embora seja inegável que dê um suplemento de alma em quem já espera pouco da raça humana.

Longe do brilhantismo de outros filmes, “Invictus” é um objecto interessante mas mediano. Poderia ser bom no currículo de outro qualquer realizador, na história de Clint deverá ficar apenas como um dos seus projectos menos conseguidos.

Comments

  1. Luis Moreira says:

    Sim, longe do brilhantismo habitual.

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