a doçura de uma mulher

O parvo sonho de todo homem

para Rita Conde, amiga impagável, que me salvou o texto…

Não é simples escrever sobre a doçura de uma mulher, depois de ter escrito que as mulheres não gostam de nós. Sobretudo, pelos comentários que o meu ensaio recebeu, a maior parte de mulheres. Também não é simples por me parecer sentir nos meus ouvidos: caramba, este tipo parece gostar das melhores fêmeas. E não simples, porque no país machista em que vivemos, todo o homem com desejo libidinoso, gostaria de beijar esse corpo que escolhi entre várias imagens de mulheres belas. Mulheres que não falam, só se exibem e mostram as suas intimidades levemente escondidas por um pano, em frente de uma paisagem maravilhosa.

Se os meus sentimentos forem orientados pela libido que Freud tão bem estuda e analisa nos seus textos, por mim sempre citados como uma bíblia, o de 1906, Três ensaios sobre a sexualidade e o de 1923, O Ego e o Id, que aqui pode ser lido. Por os ter já comentado diversas vezes em anteriores ensaios, gostaria, apenas, de dizer, como Freud, que não é o sentimento libidinal o que orienta as nossas emoções. Não é a coxa nua da mulher da imagem, a que acorda os nossos sentimentos. Os nossos sentimentos são orientados pela companhia da mulher que acabamos por sentir ser a nossa companheira nas aventuras da vida.

Aventuras da vida que começam num olhar, num ver profundo a alma dessa pessoa que começamos a amar, continua pela criação dos rebentos da paixão e pela companhia até ao fim dos nossos dias dessa doçura de mulher.

Como defino esse conceito? Parece-me natural dizer que a doçura da mulher está depositada, primeiro, no peito que amamenta, depois no colo que agasalha, para continuar com a companhia do curar as primeiras infecções, até chegar o dia em que aparece outro ser estranho na família e nos arrebata, para seu bem-estar, para o bem-estar dos dois, ao fruto da doçura da mulher que nos apaixona.

A imagem inicial deste texto, é apenas resultado de uma mágoa com os homens que se pensam mais masculinos exibindo-se com uma mulher de aparência requintada, mas de quem nem sabemos como fala nem como pensa. Uma mulher erótica que o meu amigo Luís Moreira, denominara erotismo à rapidinha, conceito que me fez escrever este texto. Esse orgasmo de quinze minutos que começa por uma sedução rápida, um acariciar sem tempo, uma penetração desviante do amor e do sentimento de respeito pela sublimação do olhar nos olhos antes de atingir um orgasmo que não satisfaz nenhum, nem um nem o outro.

E se a mulher for doce porque trabalha, dorme pouco para acompanhar os trabalhos da pessoa querida, não exibe pernas nem é modelo pago pela glória de se prestar aos modelos de bens que vendem e vestem com roupas caras?

Eis porque denomino o sonho de todo o homem: uma mulher esculpida em carne e osso, pode até nem saber pensar na vida social, nos outros e na solidariedade, porque precisa de se manter elegante para ganhar a sua vida.

A doçura da mulher é o carinho que acompanha o homem e não procura mando nem desmando, apenas uma silenciosa colaboração que retribui sem se exibir.

A doçura da mulher, é o carinho que aprendemos da companhia frutífera, alegre e calma. É esse, no meu ver, o sonho de todo o homem… cumprido, respeitoso e duradouro, sem as rapidinhas que Luís Moreira critica no seu texto do dia dos namorados.

Comments


  1. “E se a mulher for doce porque trabalha, dorme pouco para acompanhar os trabalhos da pessoa querida, não exibe pernas nem é modelo pago pela glória de se prestar aos modelos de bens que vendem e vestem com roupas caras?”

    “A doçura da mulher é o carinho que acompanha o homem e não procura mando nem desmando, apenas uma silenciosa colaboração que retribui sem se exibir.”

    Ó meu caro Raul Iturra, desminta-me, mas esta conversa cheira-me um tanto a machismo e a “anjo da guarda”!!!


  2. a vida tem muitas verdades

  3. Agildo says:

    A doçura da mulher reveste diversas formas. A que mais me agrada é a forma da fotografia: aquilo é que é um biscoito!! Se é parvo aquele sonho de homem então que nunca me abandone a parvoíce.

  4. Raul Iturra says:

    Meu Caro Amigo Adão Cruz,
    Vamos ter que parar esta conversa. Leu-me mal. É bem ao contrário: se repara na imagem da modelo e faz contraste com a frase que cita, pode reparar que sou anti-sexsista, aliás, pertenço a esse movimento e criei só a minha descendência por motivos privados: fui pai e mãe. Repare a sua citação; após louvar á imagem, passo para frase que cita. Não me vou defender porque não tenho “pecado” É a ironia que faço entre uma imagem de uma modelo e a da uma mulher que trabalha comigo. Se considera essa ideia machista, o desminto. Se lê com atenção, repare que as bases teóricas são as mesmas do texto meu que leu em Dezembro e tanto gostou. Tenho o orgulho de dizer que fui pai e mãe até a modelo correr comigo e meter-me em tribunal. O resto, é comigo. E se este enganado desencontro de ideias parar nesta linha?
    Já vi que vai escrever uma carta de um ateu para estes dias. Parabéns. Mas, lembre que a palavra é agnóstico, como refiro no texto. Lamento imenso essa leitura enganada do meu texto, que é anti-sexista. Desejo para si e para mim um bom descanso nestes dias. Admiro a sua pintura e a sua sabedoria, mas os génios sempre se enganam como Freud e o seu derradeiro livro de 1939, antes de morrer: A civilização e os seus descontentamentos. Veja também como agradeço a senhora que me ajudara a tratar do texto, por causa de uma avaria no meu computador: em agradecimento, dedico o texto a ela. E cá paramos, cada um escreve sobre neurologia e a biologia à sua laia

  5. Adão Cruz says:

    Esclarecido. Não se ofenda que foi dito em estilo de brincadeira (talvez de mau gosto, o que não é meu hábito)

  6. Acélia Gonçalves says:

    Parabens de uma mulher.

  7. maria monteiro says:

    Em carreirinha de palavras a mulher na paz do nada (07/73)

    Eu me imagino
    numa estrada
    e de todas as cores
    me vejo rodeada,
    todos de mão dada
    entoam hinos
    numa linguagem decifrada.
    É preciso andar em “viagem”,
    é preciso
    sentir na aragem
    a carícia dum olhar,
    é preciso
    mergulhar na paz do nada
    e continuar a andar
    parada,
    é preciso dormir
    e estar acordada
    mentalizarmo-nos
    na ajuda amiga
    e fugir
    sem dar a retirada,
    é preciso ver as coisas
    por nós
    ouvir a tua voz
    amar a gente humilhada
    e ficar tranquila
    ….na paz do nada

    não é por ser dia das mentiras mas… a doçura está sempre em todos os homens, em todas as mulheres… é preciso sabermos estar tranquilos na paz do nada

  8. Raul Iturra says:

    Caro Adão Cruz, agradeço a sua resposta. Confesso que gosto acordar cedo para escrever, com telefones fechados e sem ler o correio até as 13, descanso e continuo às 14 até as 19: educação britânica! Mas, infelizmente, li o seu comentário e o meu pequeno-almoço passou para as 8 da manhã. Não troquei Londres, Edimburgo e Cambridge pelo ISCTE por acaso e os seus comentários acordaram em mim esses motivos. Parece-me que o meu Amigo não leu a frase da imagem que diz “o parvo sonho de todo homem”, e a seguir, o texto irónico, que eu denomino ensaio. Ainda bem que o comentário anterior é o de uma Senhora que diz “parabéns”, não sei si a si ou a mim ou aos dois. Se o Adão Cruz lê-se em inglês a frase, as suas ideias não teriam sido essa “brincadeira” que diz ser o seu comentário: ” How about if that woman woul de sweet because she works….etc”, a sua ideia não seria essa que diz ser uma brincadeira.
    I shall not write this morning, I’ll read.
    Com os cumprimentos do subscrito e paramos neste comentário, se achar bem

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