O triunvirato da manipulação

Existem três elementos básicos para manipular as massas.

O primeiro é o medo, recorrendo-se à tragédia eminente e à exploração da tragédia alheia. A primeira, explorando a ideia que o pior está para chegar castra os ímpetos da demanda. A segunda, faz com que os povos se conformem mais com o que têm que é melhor do que outros estão a passar. Combinadas, travam a reivindicação e estimulam a submissão.

Todavia, o medo nas sociedades democratas não chega, devido a empecilhos como a liberdade de acesso à informação, de expressão, entre outros. Vantagem das ditaduras.

Face às limitações da democracia aos intentos manipuladores, tem de se acrescentar mais dois instrumentos que se interligam com a génese humana: a vaidade e a inveja.

A vaidade, leva as massas a querem exibir. A inveja, a desejar o que os outros exibem. Mais ainda, a vaidade leva a que se queira ter para se mostrar que se tem. A inveja leva a que se queira ter o que os outros têm, independentemente de se poder ter ou não. Bem afinada, a inveja atinge o auge quando se deseja que os outros deixem de ter aquilo que se lhes cobiça.

Esta combinação da vaidade com a inveja, construiu um modelo de sociedade assente na ideia de que se vale não pelo que se é mas pelo que se tem.

Esta combinação do medo, com a vaidade e a inveja, articula-se e sintetiza-se por via da propaganda, que mais não é do que a técnica de convencer a vítima de que aquilo que a prejudica é bom para ela.

Este triunvirato do medo, vaidade e inveja, articulado através da propaganda, criou das mais pérfidas sociedades que acabam por se revelarem absolutamente contrárias ao que uma sociedade livre, democrata e plural deveria representar. E aqui é que está o requinte do triunvirato: tudo isto se alcança através da própria democracia.

Expresso: Vaidade ou Ignorância?

Que o jornalismo anda pelas ruas da amargura, já sabíamos. Agora, que o Expresso ignore o que os outros sabem, não abona a seu favor. E nem falo de blogues, esses fazem comichão a alguns jornalistas encartados e, no caso do Aventar, chega a provocar coceira.

Mas o Expresso não lê o Público, o Correio da Manhã, o TVI24, a Bola, a Sábado, etc.? Não se vê por lá a SIC? O trabalho deles não é estarem informados para poderem informar?

Ignorância? Não, não creio, seria demasiado grave. Vaidade e arrogância, só isso.

a doçura de uma mulher

O parvo sonho de todo homem

para Rita Conde, amiga impagável, que me salvou o texto…

Não é simples escrever sobre a doçura de uma mulher, depois de ter escrito que as mulheres não gostam de nós. Sobretudo, pelos comentários que o meu ensaio recebeu, a maior parte de mulheres. Também não é simples por me parecer sentir nos meus ouvidos: caramba, este tipo parece gostar das melhores fêmeas. E não simples, porque no país machista em que vivemos, todo o homem com desejo libidinoso, gostaria de beijar esse corpo que escolhi entre várias imagens de mulheres belas. Mulheres que não falam, só se exibem e mostram as suas intimidades levemente escondidas por um pano, em frente de uma paisagem maravilhosa.

Se os meus sentimentos forem orientados pela libido que Freud tão bem estuda e analisa nos seus textos, por mim sempre citados como uma bíblia, o de 1906, Três ensaios sobre a sexualidade e o de 1923, O Ego e o Id, que aqui pode ser lido. Por os ter já comentado diversas vezes em anteriores ensaios, gostaria, apenas, de dizer, como Freud, que não é o sentimento libidinal o que orienta as nossas emoções. Não é a coxa nua da mulher da imagem, a que acorda os nossos sentimentos. Os nossos sentimentos são orientados pela companhia da mulher que acabamos por sentir ser a nossa companheira nas aventuras da vida. [Read more…]

Natureza, lucro, catástrofes

A natureza que dá lucro, causa catástrofes

Continua a ser-me difícil não desabafar sobre as catástrofes acontecidas durante estes pesados dias. Dias pesados, porque nem os sentimentos, nem o espírito nem o corpo são capazes de suportar as hecatombes ocorridas ao longo destes dias em diferentes partes do mundo. Sítios do mundo geograficamente distantes uns dos outros, unidos apenas pela parte mais pesada e difícil de suportar do ser humano, os sentimentos. Esses sentimentos ou emoções que comandam a nossa racionalidade, atributos que definem o nosso pensar e dizer, ou operação do espírito de que nascem as nossas opiniões ou juízos. Juízo ou discurso, argumento, proposição, observação dos acontecimentos que arrasam o nosso sentir ou aptidão para receber as impressões do exterior na nossa consciência íntima. [Read more…]