a Nai Esperanza

o meu imaginário desenha a uma señora de respeito, com alma diferente ao corpo

Andei pelas pradarias do lugar de Lodeirón, Paróquia de Vilatuxe en Lalín, Pontevedra. Não havia lugar em que eu não vise a nai, como se denomina em Luso Galego a nossa palavra mãe, essa senhora que nos deu à luz do firmamento. Como tenho relatado em outros textos meus de começos de Julho deste ano, Esperanza era a minha nai. Sentia por ela um carinho imenso, que não tinha cura. Pelo sim, pelo não, estava sempre presente e tomava conta de mim, como mais um neno da família, um catraio que ela cuidava. A conheci em tempos recuádos, quando eu tinha 30 anos e ela, quarantatrés. Levava comida ao meu amigo, hoje o seu viúvo, três anos mãis velho que ela.

Não sabia que tinha ido embora em 2006, póla enfermidade não merecida. Era não apenas carinhosa, bem como enchia a cara de bicos (beijos em português) a filhos e netos. Trabalhava mais do que devia. Tinha morrido de enfermidade não merecida e que nenhum podia curar.

Falei com todos os membros da família, com todos os seus nenos, já adultos e pais. Nenhum deles conseguia aguentar as vaguas (lágrimas, em luso português). De todos eles, o pior era o marido. Esse home que a cuidó, tratou, durmia com ela no final da doença.

Mal aperecimos em Vilatuxe, fomos de imediato a vé-la no seu sagrado lugar de descanso. Morreu, aprendí aí, que ela tinha perdido a memória e ao se mirar no espexo, perguntava: quem é esta señora que está em frente de mí? Falava com ela para perguntar e satisfazer a sua curiosidade. Nunca chegou a saber.

Diz o seu marido, que quem a matara fora o hospital, porque se a diabete e o alzaimer não tinham remédio, para que tanto tratamento, que fez que voltara toda magoada, com moretones em todo-los sítios baixos onde tantos pequenos criara tantos.

Guardo comigo todas as histórias contadas, no livro en rascuño, que estou escrevendo. Quando fui ao cemitério, falei com ela e prometi escrever sobre a sua vida. Livro que me impós o dever de lo acabar. Y consegui, para tristeza da pessoa que me ama, para quem nem tempo tive para a passear pela Galiza.

Aprendí a discreção dos seus filhos. Nehum sabe o que o outro contara. Especialmente, a sua filha mais próxima dela e que tinha nascido nessa casa. Ela esteve ai dia e noite para tratar da nai. Sem nenhures saber que estava aí metida.

Mal acabei o livro, fui com a família, falara pá (para) ela, e dissem: Esperanza, este é o meu rebento, o meu neno escrito da mañá à noite.

 Mamá Esperanza, este fruto deve crescer dentro de um certo tempo em tua honra e para tua alegria. Sabes que não acredito em nada, mas algures dentro da tua divinidade , tomas conta de todos nós.

Acabado o livro, fechèi o computador, voltèi a casa, a dibuxar o que me apetecera dizer, depòis de tanta informação recolhida à contar, em curto espaço de tiémpo porque nem tudo era posível.

À minha pessoa foi tratada como um El-rei. Por uma família que descendia da família de Alba, que são Condes de Lemos em Vilatuxe, tos eles Dom, por serem Advogados, até que um deles se especializara na rama do Direito Canònico.

Este é o texto pèlo que me comprometo à acabar o livro este verão e enviàrlo  como uma rosa branca para o sítio onde descansa la nai Esperanza…

nota: as palavras mal escritas, são luso galaico.

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