José Sócrates, Vital Moreira, os Abrantes e os benefícios fiscais

Li a última crónica de Vital Moreira – oh meu Deus, esse professor doutor de Coimbra! – e não posso dizer que tenha ficado espantado. Como sempre, a defesa da política socialista de ataque à classe média, desta vez partindo dos cortes dos benefícios fiscais no Orçamento de Estado para 2011.
Mas eis que me lembrei de um célebre debate entre José Sócrates e Francisco Louçã na campanha para as últimas Legislativas. Vejamos o que pensava então o primeiro-ministro sobre o assunto:

Claro que o primeiro-ministro tem todo o direito de mudar de ideias. Vital Moreira também tem. E os Abrantes (versão 2009 e 2010) também têm. Mas por favor não nos façam de parvos.

Então é assim:

José Socrates em 2009: «Estas pessoas que fazem as suas deduções fiscais na Educação, na Saúde e nos PPR não são ricas, é a classe média. Isto conduziria a um aumento fiscal brutal para a classe média, mais de mil milhões de euros.»

Vital Moreira em 2010: «As deduções fiscais no imposto sobre o rendimento redundam quase sempre num privilégio dos titulares de mais altos rendimentos, que são quem mais pode aproveitar delas. Isso é assim especialmente quando as deduções não têm “tecto”, sendo uma percentagem das despesas efectuadas, como sucede com os encargos com saúde. Mas ainda é assim quando existe um limite, como é o caso dos encargos com educação e com os relacionadas com imóveis».

Os Abrantes em 2010: «Como as necessidades de saúde não são directamente proporcionais à riqueza, (são até os mais pobres que têm mais necessidade) este sistema produz um duplo efeito regressivo: beneficia desproporcionadamente os mais ricos, e custando dinheiro ao Estado (dinheiro público que se não cobrou) acaba por ser pago pelos restantes impostos que recaem sobre toda a população, sobretudo os indirectos, como o IVA.»

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