O último voo da TAP, sob o comando do corretor Fernando Pinto

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Antes do mais, sublinho que a oposição a Fernando Pinto, quanto ao seu empenho na privatização da TAP, não é acto de xenofobia, por ele ser brasileiro. Poderia ser chinês, japonês, sueco, jamaicano ou mesmo um dos muitos “bons e patrióticos” gestores portugueses que andam por aí, em roda livre, a criar fama e proveitos.

Na verdade, o que  está em causa é  a racionalidade e a defesa do interesse público em privatizar a TAP, cujo posicionamento no mercado é definido por Pinto nos seguintes termos:

“A TAP está no auge da sua posição estratégica”, tem “um recorde de resultados muito bom” e tem uma posição estratégica nos mercados de África e Brasil “que passa a ser interessante para outros grupos que estão a formar-se pela junção de empresas”.

Se assim é, então por que razão eliminar a TAP do património do Estado português? Depois de, anos a fio, este mesmo Estado com o dinheiro dos contribuintes ter proporcionado o equilíbrio financeiro e ajudado a gerar o valor estratégico que o presidente da TAP agora invoca, desajeitadamente, para defender a venda da companhia?

A TAP, como companhia área de bandeira nacional, não se reduz ao papel de qualquer bem transaccionável, ainda que esteja a ser modulada por Fernando Pinto nesse sentido; por exemplo, através do despedimento colectivo da ‘Groundforce’.

Outro aspecto relacionado com o arrojo, consentido é certo, do Pinto é o misterioso silêncio dos Ministros das Finanças e das Obras Públicas sobre este negócio do Estado, no lugar de máximos responsáveis governamentais do sector. Estão em causa interesses estratégicos da ligação física de Portugal com o Mundo. Objectivamente uma infra-estrutura avançada de transporte entre o País, as comunidades de imigrantes e os países da CPLP. E, neste jogo de capoeira, é caso para dizer: “O pinto ordena e os galos pimpões baixam a crista”. Como o que resta é pouco, não tardará a ocasião de privatizar o ‘Galo de Barcelos’ – Sócrates, provavelmente, já o inscreveu na agenda.

Comments

  1. alexandre reis says:

    Leio esta materia com grande sentimento de saudade . Sou um ex funcinario da varig “variguiano de coração” e me desliguei da companhia antes do seu final , coisa surpreendente para quem a conhecia , ou talvez até previsivel diante do modelo administrativo adotado . Escrevo este texto com objetivo de fortalecer esta chama interna que o mercado de aviação proporciona a quem nele atuou como funcionario . Quero retornar a este mercado , certamente seria interessante pela TAP , empresa que assumiu a área de manutenção da VARIG , área a qual eu atuava como controlador de produção da OFICINA DE MOTORES , a famosa oficina de motores que , certamente , era uma dos orgulhos da VARIG diante de toda a estrutura que fora necessaria para montá-la . Lanço , então , neste site a minha proposta esperando , quem sabe , um retorno com uma resposta positiva .

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