Whikileaks, droga, diplomacia.liberdade e morte?

O caso do  Wikileaks versus Assange-agora eleito o homem do ano  pela “Time” -levanta questionamentos  muito interessantes  para a nova sociedade global em que já vivemos, particularmente no domínio da net, jurídico, e das Liberdades.

Começou por ser um susto-escândalo quando, de repente, somos confrontados com um acervo de  250 mil documentos,  confidenciais ou secretos, a maior parte  descontextualizados ,enviados de vários organismos diplomáticos  americanos, para Washington .
Os primeiros a reagir, com muita virolência  foram os EUA e a Inglaterra,mas depois, veio a Rússia, Itália,Paquistão, Venezuela, e muitos outros, todos a braços com  pretensas revelações, que  verdadeiras ,ou não ,desequilibraram  o stablishment, e  deram vida a muitas oposições.
O Wikileaks  veio comprovar  um novo modelo de informação que deixou de ser de massas, controlada por empresas,para ser  em rede, e nessa rede cada um forma  do caso, a sua opinião individual. 
Abriu uma interessante batalha  pelo controlo da internet ,pela liberdade total na rede , sobre os conceitos de segredo e privacidade,obriga a  uma redefinição das diplomacias ,e abre a luta sem quartel, entre aquilo  a que se chama a transparência, como contrapeso democrático.
Estamos face à primeira infoguerra mundial,onde o campo de batalha é o Wikileaks,  os soldados  são os utilizadores da rede,e as bombas são lançadas pelo piratas,ou pelos governos, para liquidar  o inimigo.
Houve  no início duas instâncias  que vieram credibilizar  o Wikileaks. 
Os EUA ao defenderem-se com tanta veemência-houve senadores que apelaram à morte-  por causa da fuga de documentos,que eles não souberam guardar,o que faz lembrar que o sistema de informações do EUA é uma espécie de saboroso queijo Gruyere.E uma série de jornais de referência internacionais, que resolveram acolher essas informações como  verídicas, e publica-las.
Muitos desses jornais optaram por esta via panfletária, porque eles próprios estão em crise,  há muito tempo, e à procura  de  formas de reformular os seus conteúdos,  para recuperar públicos perdidos.
Há dez anos não seria assim.
Outra questão interessante  é que este desvendar   de tantos segredos sensíveis, acaba por deixar muitos países  em muitíssimo  pior estado que os EUA-e há quem  já refira isso, como possível manipulação-veja-se o que  se revelou sobre sobre os estados comprados ou vendidos ao narcotráfico, a corrupção ao nível das cúpulas dos governos , as mafias que os controlam , Italia, Rússia ,Marrocos, passando ate´ por Moçambique.
O jornalismo tradicional vê-se agora confrontado  com outra informação , que  nos faz perceber   que não vinha já cumprindo o seu papel,mas também constatamos que  uma das mais valias do Ocidente liberal  continua a ser a liberdade   da imprensa e de informação .
Ninguém imagina  isto acontecer na China, Rússia,Irão, Arábia Saudita,ou até Israel,sem que o seu autor não tivesse já sido  morto,raptado, condenado,ou desaparecido.
A internet transformou-se  no palco dos novos conflitos sociais , e são os jovens , de permeio muitos libertários ou anarquistas  ,quiçá unidos os precários de todo o mundo, que mobilizam esta cena ,como  os estudantes que lutam em Londres,  Paris ou  Milão,  a engendrar  as novas respostas sociais  ,que ultrapassam os velhos sindicalismos. Há ataques e há vinganças,encerram-se  sites de prestigio a mando de instituições governamentais , e outros são fechados à força, por vingança, por piratas,por terem colaborado com o stablishement .
Vimos   diabolizar /defender Assange,como se diabolizam / defendem , aqui,líderes políticos. Assistimos a   ataques a instituições aparentemente estáveis,a  diplomacia americana  está firme ,mas vemos  ataques ao euro, à comunidade europeia, aos direitos consagrados,e  até à soberania de  países, como Portugal. Há uma “vontade de transtornar, ou   de destruir”,enquanto outros falam mais no sentido “moral” .
O mais interessante está ainda por vir,quando, como anunciado  ,o site   começar a pôr a nu os negócios da banca americana, designadamente do  banco central americano ,todos eles fautores desta crise mundial que  começou nos EUA .
Entretanto  o jornal “Crónica de el Mundo “num  trabalho de Daniel Estullin ,afirma que o Wikileads foi infiltrado  pela Mossad,através de um académico americano, e que muitos dos piratas que  lá trabalham tiveram tratos com a KGB, a quem venderam por alto preço  segredos americanos em Berlim.
Gustavo Cardoso, investigador português de informação,diz no DN que a detenção de Assenge  é a sua melhor estratégia.
Ele declarou  ao “Independent” a 18 de junho de 2010,  que a CIA  o procurava desde Março deste ano .Pode então perguntar-se  porque se foi refugiar em Inglaterra  sabendo que estes país tem tratados de extradição com os EUA?
Ele sabe que a CIA não lhe interessa mata-lo, mas  interessa   interroga-lo .
Entretanto Lula e Putin condenaram  ja a prisão de Assende ,Lula  diz, ” o culpado naõ e´quem divulgou,é quem escreveu” e Putin pergunta ,”é isto democracia?”
Convém referir que Assange foi preso  em Londres onde se entregou à polícia,  na base de uma  queixa de duas mulheres suecas, por abuso sexual, que tem a ver com o bom ,ou mau uso do preservativo quando esteve com elas. Assende afirma que foi sexo consentido. As queixas , surgem num momento muito  (in)oportuno  e servem de pretexto para   o homem ser  enviado para a Suécia ,onde pode vir a ser julgado,e ate´condenado. 
A associação de direitos humanos Avaaz.org fala numa feroz campanha de intimidação contra Wikileaks e  considera  estas intimidações um ataque à Democracia.Por isso quer  reunir numa semana   um milhão de assinaturas a favor  de Assange, e já conseguiu   300 mil Por todo o lado se fazem manifestações defendendo-o,ou ao seu site, dizendo que a questão é jurídica, na base da liberdade de informação ,que se afirma uma das marcas de referência da nossa civilização .
Agora é certo: A luta continua!

Comments


  1. “agora eleito o homem do ano pela “Time”
    Calma António, a Time ainda não decidiu.


  2. Não sei muito bem onde é a fronteira da liberdade da informação mas de certeza que não será no terreno onde a Wikileaks tem actuado. A sua política de terra queimada substitui o jornalismo pelo voyeurismo da opinião pública, ao melhor estilo de se saber qual é a cor do papel higiénico que os diplomatas usam. Como se não houvesse segredo de estado nem a diplomacia não fosse um manual de boas maneiras. Reconheço o papel relevante de Julian Assange na denúncia das violações de direitos humanos mas a sua organização acaba por fazer o mesmo que tanto a sua missão divina e protagonismo reclamam: espiar.

    • Ricardo Santos Pinto says:

      Curiosamente, quando a Wikileaks divulgou documentos secretos da China, acharam todos muito bem.


      • Que documentos extraordinários foram esses que ninguém viu?!…
        O que se cusca na Wiki é constantemente esse malvado dos EUA.

  3. Ricardo Santos Pinto says:

    Pois é, mas há 4 anos que a Wikileaks desenvolve o seu trabalho e, enquanto não atingiu os Estados Unidos, ninguém se preocupou.

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