A fuga


Algo de muito indecente se está a passar em Portugal. Além de Bruxelas, chegam outras notícias semelhantes de Berlim e de outras capitais de países onde se recebem salários indubitavelmente superiores aos nossos. Aqui está um exemplo da boa governação que Portugal tem tido ao longo das últimas décadas:

“Há 3 anos que arrasto um problema dos grandes: uma acção de despejo que a minha senhoria me pôs. Saiu agora a sentença: vou para a rua (ao fim de 37 anos). O senhorio era o pai, enquanto usufrutuário e ele morreu. Pela nova lei do arrendamento ela pode fazê-lo, porque a protecção dada a quem tem mais de 65 anos ou 35 de arrendamento, acabou.
Escrevo-te da Bélgica. Vim passar o Natal com a minha irmã e tratar da minha vinda para cá. Aqui as casas são ao mesmo preço, mas inclui água quente e fria e aquecimento central; isso diminui muito a factura da electricidade. O ginásio que tenho de frequentar sempre é a menos de metade do preço. Até a comida do gato é 10 euros mais barata. A vida é mais fácil. O pior é deixar os amigos e os coros, embora aqui depressa arranje outro. E muitas outras ocupações.”

Estas linhas foram escritas por uma senhora que ultrapassou os setenta anos de idade e é amiga dos meus pais. Afinal, não são apenas os ex-pastores, ex-empregados de limpeza, operários desempregados e recém-licenciados a abandonar o nosso país. Bem vistas as coisas, os portugueses estão agora a fugir da fome e da espera da morte ao relento. Há que pôr cobro a isto.

Comments


  1. Enganei-me no País!! 🙁

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