as minhas memórias-5-reprodução social

A Universidade fundada por Andrés Bello. Antes, existía a Real de San Felipe

Estou ciente de ter escrito sobre parte da vida política e social do Chile, especialmente sobre a vida da reprodução humana. No entanto, estou também consciente de que falar de reprodução humana, é definir quais as formas em que a população vive, aprende, sabe, contribui para o crescimento do País.

A primeira ideia que aparece na minha cabeça, é a de que o Chile é um país novo relativamente ao conjunto de Estados que existem no nosso planeta. Bem sei que este ano cumprimos 200 anos de independência da coroa de Espanha e, como país y Reyno, 368 anos antecedem a Independência. No conjunto, o Chile existe como memória escrita há cerca de quinhentos anos. Anteriormente, era habitado por etnias ou nativos do país, de que pouco ou nada se sabe, pela inexistência da escrita sendo a memória guardada em lendas, histórias que passavam de uma para a outra geração, ou pelas hierarquias definidas entre os nativos. Foi em 1400, que a etnia mais importante da nação, começou a aprender a ler e a escrever e a dominar a agricultura, durante a época em que a população, da actual República do Peru, era governada pelos Incas, cujo império se estendia desde a Região do Maule no Chile, até ao grupo de etnias que habitavam o território que hoje se denomina Equador.

Os Incas eram calmos, tranquilos, pacíficos, sabiam de astrologia, do cultivo dos campos, de matemáticas e da escrita e da leitura de forma diferente ao abecedário europeu, mas com memória cultivada, que permite saber a sua História desde séculos antes da entrada dos espanhóis e portugueses na hoje América Latina. Mas, em 1400, retiraram-se do seu Império por terem sido invadidos, roubados e assassinados. O rei, Atahualpa Yupanqui, da hierarquia Maio denominada Inca, foi preso e torturado. Espanhóis e Portugueses não se arredavam perante nada, nem em frente das suas divindades, excepto por conveniência política. A carnificina dos nativos das denominadas terras de Américo, por ter sido Américo Vespúcio quem mapeou todo o continente, também conhecidas pelas Índias Ocidentais. Todavia, como esta temática é abordada nos livros dos historiadores e são apenas as minhas memórias, torno a elas.

O inquilinato chileno, é maioritariamente composto pelos nativos da terra conquistada pelos europeus, grande parte, senão todos, era de origem Mapuche. Especialmente a partir do Centro Sul do Chile. Não esqueço um caseiro do meu pai, de seu nome Octávio, que nunca soube o seu nome de família. Segundo dados que recolhi em trabalho de campo, aparece como Currinqueos, casado com Juana e pai de três filhos: Paula, que foi quem me seduziu nos meus treze anos, tez de cor de cobre, olhos azuis, com um corpo forte pelo trabalho feito; outra, Clotilde, de dez anos, com olhos verdes, e o mais novo, Otavito, o diminutivo do nome do pai, como é costume: primeiro filho varão que nasce, leva o nome do pai. Otavito passava o tempo todo no colo da mãe a beber leite do seu peito. A Juana nem se movia, não trabalhava, apenas criava filhos e lavava as suas roupas e as nossas, fazia o comer da sua ruca – os mapuche moravam em cabanas com teto de colmo (caule de nós salientes, muitas vezes fistuloso, próprio da poáceas). Apesar da nossa mãe ter mandado construir casas para os trabalhadores, todos as habitaram, excepto os Currinqueos. A Juana, nem por ordem, mando, dinheiro ou presentes, ia abandonar a sua ruca.  Às vezes saía do seu canto cheio de fumo, dos braseiros em que cozinhava a comida na sua ruca, para visitar a nossa mãe e a avó. Por ser mapuche e jornaleira, nem uma cadeira nem um copo de água lhe era oferecido, excepto pela nossa senhora mãe, pouco ou nada habituada a estes tratamentos. Juana falava um castelhano difícil de entender, somo se tivesse soluços. Mas, a pouco e pouco, habituávamo-nos e podíamos falar o seu mapudungun, ou a língua da gente, em castelhano.

Os Mapuche pensavam ser uma nação, invadida por estrangeiros, os chilenos, a aquem denominavam huinca. Pouco falavam connosco, por sermos invasores das suas terras.

Felizmente, nos anos 40 do Século passado, aparecera no Chile o filósofo revolucionário, colaborador de Simón Bolívar, que libertara a sua terra, Venezuela, do domínio espanhol. Foi quem ensinou os chilenos a melhorar o tratamento com os mapuche. A sua terra de origem estava povoada por guaranis e quechuas, pelo que tinha a educação e o hábito de tratar todos como seus iguais. Ideia que no Chile nunca acontecera, bem pelo contrário, a atitude predominante era o desprezo pelos nativos, o que, infelizmente, até aos nossos dias , não se alterou muito.

Andrés de Jesús María y José Bello López (Caracas, 29 de noviembre de 1781Santiago de Chile, 15 de octubre de 1865) fue un filósofo, poeta, filólogo, educador y jurista venezolano, considerado como uno de los humanistas más importantes de América. De una profunda educación autodidacta, nació en la ciudad de Caracas, capital de la para entonces Capitanía General de Venezuela, donde vivió hasta 1810. Fue maestro del Libertador de Latinoamérica Simón Bolívar y participó en el proceso revolucionario que llevaría a la independencia de Venezuela. Como parte del bando revolucionario, formó parte de la primera misión diplomática a Londres, ciudad en la que residiría por casi dos décadas. En 1829 se embarca para Chile, donde es contratado por el gobierno, desarrollando grandes obras en el campo del derecho y las humanidades. Como reconocimiento a su mérito humanístico, el Congreso Nacional de Chile le otorgó la nacionalidad por gracia en 1832.

En Santiago alcanzaría a desempeñar cargos como senador y profesor, además de dirigir diversos periódicos del lugar. En su desempeño como legislador sería el principal impulsor y redactor del Código Civil, una de las obras jurídicas americanas más novedosas e influyentes de su época. Bajo su inspiración y con su decisivo apoyo, en 1842 se crea la Universidad de Chile, institución de la que se convertirá en su primer rector por más de dos décadas. Entre sus principales obras, se cuenta su Gramática del idioma castellano (Gramática de la lengua castellana destinada al uso de los americanos), los Principios del derecho de gentes, la poesía Silva a la agricultura de la zona tórrida y el Resumen de la Historia de Venezuela.

Fonte: o meu saber histórico, e o texto de Vargas, Francisco (2008-2010), Nacionalidad por gracia de Andrés Bello, Revista Chilena de Historia y Geografía, Santiago de Chile: Sociedad Chilena de Historia y Geografía, pp. 216-218

Continua, porque nem toda a reprodução social acontece no fundo do pai, El Pino.

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