Carro eléctrico e propaganda

Com o habitual sentido de humor acutilante, Carlos Medina Ribeiro ofereceu há algum tempo uma almoçarada de lagosta, e até dinheiro, a quem lhe indicasse onde encontrar um desses famosos quiosques InfoCid que estivesse em funcionamento. Vale a pena ler os relatos.

Ora, a avaliar por estas fotos hoje feitas perto do Ministério do Trabalho em Lisboa (lugar de reincidência nestas coisas), suspeito que o Carlos estará em breve a oferecer novos repastos de lagosta.

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Repare-se no detalhe do cadeado. Belo! Recentemente, foi notícia de grande manchete que com o famoso carro eléctrico já se podia fazer o país de lés a lés com o dito. Será que, com a chave do carro, vem uma chave do cadeado Made in China?

Entretanto, o primeiro-ministro lançou a habitual propaganda “o carro eléctrico é o carro do futuro porque não tem emissões”. Não tem no uso mas a electricidade vem do ar? Pois é, os combustíveis fósseis continuam a ser a grande fonte de produção energética. Recordando:

  • mais de 50% da actual produção eléctrica nacional (e europeia também) provem da queima de combustíveis fósseis, com as consequentes emissões de CO2 e dependência energética do exterior;
  • se todos os carros deixassem de queimar combustível para gastar electricidade, simplesmente estaríamos a transferir os actuais problemas dos carros para as centrais termo-eléctricas (para aumentar a capacidade produtiva) e possivelmente ainda haveria questões como a capacidade da rede de distribuição eléctrica e da respectiva eficiência.

Mas grandes líderes não se preocupam com estas coisas práticas.

Comments

  1. packard says:

    quanto se gasta em energia – e as consequentes emissões de CO2 – para pescar uma lagosta? a não ser q caiam do ar…


    • Escapa-me a lógica do argumento. Sinta-se à vontade para elabora, caso para aí esteja virado.

      • packard says:

        No seu post creio q falta apontar duas coisas q me parecem importantes – fala um leigo na matéria, portanto… A primeira tem a ver com as quantidades de lítio necessárias a uma indústria automóvel eléctrica, mudando-se a dependência do petróleo para a da indústria extractiva do lítio. É bom as pessoas estarem cientes desse facto, certo? A segunda é a da constituição de soluções de mobilidade verdadeiramente sustentáveis, como seja a dos transportes públicos, a bicicleta, o tradicional “a pé”, conjugando-se tudo, claro, num melhor urbanismo (de q pouco se fala). Quanto ao mais concordo consigo. A coisa da “lógica” da lagosta q o outro oferece era só uma brincadeira lateral… é q elas não chegam ao prato a pé.


        • De acordo. O lítio é uma questão interessante e dava muito que falar. Parece que Portugal tem reservas deste minério, o que terá manifesto interesse económico. Mas não será na extracção que se fará dinheiro, a qual parece ser o caminho que estamos a seguir, mas sim na tecnologia que usa o lítio. Especificamente, faz sentido investir na investigação de tecnologia de baterias. O que é muito diferente de fábricas de produção de baterias.

          Quanto a outras soluções de mobilidade, sou entusiasta.


  2. o problema parece residir na dificuldade de encontrar um equilibrio do consumo

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