Banalização "à Ben Ali"

Segundo diz Vasco Pulido Valente, o dr. Mário Soares vai à Tunísia. Não, desta vez não parte em turismo seichélico, nem leva comitiva de cento e tal convivas. Basta-lhe a companhia dos senhores António Vitorino e Cravinho, garantindo copiosa ora em conferências conselheiras acerca da “desejável transição ” da Tunísia para a democracia. Sim, leram bem: vão aconselhar os tunisinos acerca da construção de uma “democracia de sucesso! É claro que terão rivais de peso, nas pessoas de enviados espanhóis.

Dada a evolução de Portugal e de Espanha, sugerimos aos locais, a atenta escuta da algaraviada que será pronunciada em castelhano, pois as razões de sucesso estão mais do lado de lá da fronteira. Para não perderem muito tempo com discussões de “poleiro”, até podem recorrer aos descendentes do Bei de Tunes, ainda residentes junto a Cartago. Foi a deposição de Muhamad Lamine, o facto que elevou o safardanismo de Bourguiba, aos píncaros de detentor absoluto do Estado. Ben Ali não passou de um “caçador-recolector” de serviço e o Museu de Tunes sabe-o bem.

Esperemos que o dr. Soares e os seus convivas, aproveitem para gozar as delícias de antecipado veraneio e informem os atentos tunisinos, acerca da sua profunda e pretérita amizade para com o deposto sr. Ben Ali e manifestem pétrea solidariedade ao Partido do referido cavalheiro. Convém recordar-lhes que tal como o PS e o Partido Nacional Democrático do marechal Mubarak, a agremiação tunisina é membro da Internacional Socialista.

Como corolário do roteiro turístico, recomenda-se uma homenagem na tumba do colega Bettino Craxi, esse imortal vulto do heroísmo de típico recorte siciliano.

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