António de Melo Pires sobre a Autoeuropa e a economia portuguesa

António de Melo Pires

foto (c) Sofia A. Henriques / Negócios

À Antena 1, no programa “Este Sábado” o director geral da Autoeuropa (AE), António de Melo Pires, deu uma excelente entrevista sobre a AE e sobre a economia portuguesa.

Para uma entrevista, António de Melo Pires apresenta interessante informação, como por exemplo questões logísticas e de estratégia. Uma questão interessante foi sobre os obstáculos que as empresas enfrentam ao tentarem estabelecer-se em Portugal, sendo a burocracia o principal obstáculo apresentado. Que as empresas estrangeiras têm muita dificuldade em entender a lentidão dos processos e a indecisão.

Com tantos anos de propaganda a Simplexes, apoios e sei lá que mais, não deixa de ser curioso que o responsável por uma das mais importantes empresas em Portugal, o qual por acaso até português, continue a apontar o dedo à burocracia. Nada, ou vá lá, pouco, mudou.

Alguns dos tópicos abordados:

  • este ano será muito positivo quanto à produção da AE
  • a China é um dos principais mercados
  • é prematuro saber se haverá um quarto modelo de automóvel em produção
  • porque poderá não vir esse modelo para cá?
    • hoje não faz sentido produzir carros na Europa para vender nos EUA (por causa do câmbio)
    • os produtos são posicionados nas fábricas por um conjunto de factores como o mercado consumidor de destino, pela localização de fornecedores e pelo próprio mercado local
  • redução de custos:
    • a energia faz parte continuamente dos planos de redução de custos (é uma grande factura)
    • a AE procura estabelecer a sua sustentabilidade baseando-se numa rede de fornecedores locais como forma de redução de custos de peças vindas do centro da Europa (factor estratégico se sustentabilidade a longo prazo)
    • aumento de incorporação de produção nacional
    • a maioria dos fornecedores nacionais não está preparado para a indústria automóvel (competitividade, elevada qualidade e regras muito bem definidas)
  • custos do sistema logístico:
    • gasto de 400 € por carro, com todo o sistema logístico, dos quais 200 € são custos de transporte
    • meta de redução de 25% deste valor a cinco anos (referência no grupo VW).
  • melhorias que o sistema de transporte poderia trazer
    • o que custa muito caro no sistema logístico é o transbordo da carga
    • o camião tem custo de transporte elevado mas é muito flexível
    • o comboio tem vantagem mas seria preciso comboio “porta-a-porta”
    • a AE pediu às empresas de logística solução de transporte “porta-a-porta” mas só a opção pelo comboio faz baixar logo o custo de transporte
    • a opção de transporte ferroviária precisa de ser adequada às actuais empresas, nomeadamente no que respeita a precisão de entrega
    • a AE procura duas ligações ferroviárias alternativas: 1) Lisboa-Barcelona, Barcelona-Alemanha e 2) Lisboa-Bilbao-Pamplona, Pamplona-Alemanha
    • seria útil ligação do porto de Sines com o Norte de Espanha
  • plataformas logísticas
    • as empresas quando investem em Portugal têm que ter em conta os custos do transporte. De Portugal para França, as empresas perdem cerca de 20% em valor pelo custo de transporte
    • custos consideráveis devido aos cerca de 3000Km até ao cliente
  • dificuldades que as empresas sentem ao tentarem investir em Portugal
    • a grande dificuldade é a burocracia
    • as empresas estrangeiras têm muita dificuldade em entender a lentidão dos processos
    • a AICEP melhorou o processo mas mesmo assim ainda há muita burocracia, muita lentidão e muita indecisão
  • mercado laboral
    • a AE sobreviveu à crise porque houve flexibilidade laboral
    • a flexibilização laboral é necessária
    • o modelo da AE poderá ser aplicado parcialmente a outras empresas mas cada uma terá que procurar o seu modelo
    • na AE foi possível ultrapassar a lei por acordo com a Comissão de Trabalhadores e foi isto que permitiu ultrapassar a crise
  • os gestores portugueses
    • muitas empresas portuguesas têm problemas ao nível da equipa de gestão
    • a AE lida com empresas onde há erros de gestão com elevado impacto na rendibilidade
    • onde as empresas precisam de mais apoio é na gestão

Pode ouvir a entrevista na totalidade no sítio do programa Este Sábado.

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