Diz-me com quem comemoras

Na hora da verdade para a Líbia faltava um pormenor, aqui por estes lados: Gadaffi foi em tempos um “revolucionário”, e os seus petrodólares espalharam-se por muita causa de esquerda. Ora a nossa direita anda muito caladinha, ainda ninguém bateu à porta de Otelo Saraiva de Carvalho (diga-se que com toda a razão), ou do PCP, já que a Líbia teve stand na Festa do Avante (onde em tempos obtive o célebre Livro Verde).

O problema do Ceausescu do deserto é que dava para os dois lados. Nos últimos tempos deu mais para a direita. Olhem quem, o ano passado,  foi comemorar a revolução líbia para a sua embaixada…

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Nota: convém não exagerar muito quando se ataca a opção governamental pelos negócios com os ditadores árabes. É ver Ângelo Correia presidindo à Câmara do Comércio e Indústria Árabe Portuguesa, onde não podia faltar o impagável (que palavra tão desadequada) José Lello, é claro.

Comments

  1. Ernst von Superavit says:

    É de louvar estes posts (já não é o primeiro) de certa…digamos….acrimónia para com a Monarquia.
    O Sr.João José Cardoso presta, desta forma, um grande serviço à causa dos Direitos Humanos.
    Porquê?!, perguntarão alguns…
    Fácil.
    Porque posts como este ajudam a (re)lembrar às massas o sofrimento, o obscurantismo, o reaccionarismo, a opressão e a, por certo, longuíssima “noite” vivida pelas populações de países oprimidos pelas monarquias como é o caso dos sempre olvidados casos de opressão e obscurantismo reaccionário da Dinamarca, da Suécia, da Noruega, do Reino Unido, da Holanda, da Espanha e do Luxembrugo cujas populações, ainda por cima (e para cúmulo!) vivem nas mais abjectas condições de vida e privadas de quisquer direitos sociais ou económicos.
    Ouvi dizer (isto quando se consegue comunicar com esses países cuja Internet e demais rudimentar sistema de telecomunicações sofrem pesadíssima censura) que as populações dos países supracitados invejam, sobremaneira, todo o tipo de Repúblicas (todas elas libérrimas e esplendorosas) com particular destaque para a República Portuguesa (esta então, um autêntico “Farol” para o Mundo).
    Agradeço, mais uma vez, ao ilustríssimo Sr.João José Cardoso o ter dado a sua contribuição para ajudar as populações desses pobres países oprimidos.
    Bem-haja!


  2. Eu gosto mais das monarquias árabes (estão em vias de extinção). Mas não desgosto dessas, onde um dia o progresso lá chegará, e todos os homens nascerão livres e iguais em direitos e deveres. Claro que isso não tem importância nenhuma para os que nascem com mais direitos e menos deveres que os outros, mas é das tais coisas: olhamos de cima para baixo, ou olhamos de baixo para cima, e não vemos o mesmo. Nem com óculos.


  3. Os homens já nascem livres. Pelo menos em direitos. Em deveres, nem tanto. Mas seja em num regime presidencial, seja numa monarquia, o problema não está na existência plena ou falta total de liberdade. Está em como cada homem pretende ser livre: se da realidade, se da demagogia. Até hoje, maior parte dos homens acha que a demagogia é o caminho para a liberdade. Acorda tarde, talvez…

  4. Ernst von Superavit says:

    “onde um dia o progresso lá chegará”*
    Sim, claro, coitados (como me olvidei do obscurantismo feudal em que vivem), quem são eles sem o “nosso” radioso “progresso” porque isto de, “igualdade+direitos+pombinhas-a-esvoaçar-e-paraíso-terreal” isso, claro, está,só (mas mesmo SÓ) nas Repúblicas.
    Claro que nas refulgentes Repúblicas, como é óbvio, não existem os “de cima e os de baixo” (nem pensar nisso!!) e, naturalmente, todos (mas mesmo TODOS) têm os mesmos “direitos e deveres”.
    Também Roma foi uma República, mas também se deveria ler, e bem (com óculos ou sem, conforme as necessidades) uma outra “República”, a de Platão.

    “e todos os homens nascerão livres e iguais em direitos e deveres.”

    É interessante esta tirada, a fazer lembrar a (notável, diga-se de passagem) Declaração de Independência dos Estados Unidos da América (preexistente à Revolução Francesa e inspiradora desta, e não o oposto).
    Mas, será que há menos “liberdade”, “igualdade” e, até, “fraternidade” nos países citados do que em muitas das tão louvaminhadas Repúblicas?

    A esta hora pensará o Sr.João José Cardoso, por certo (e não sem razão), que sou um empedernido monárquico.
    Não é esse o caso.De modo algum!
    Pretendo apenas, modestamente, demonstrar que o que faz o “progresso” e a “liberdade” de um país e de um Povo não é a mera e redutora dicotomia República vs. Monarquia. É a QUALIDADE e orgânica interna da respectiva República ou Monarquia.

    Uma questão: haverá mais “igualdade” (de direitos e deveres), “liberdade” e “progresso” na Dinamarca e na Holanda (p.ex) ou em Portugal?

    Cumprimentos


    • Quem mete a Roma ao barulho, nem percebe o que significa República. Sim, a norte-americana, sim a francesa, aquelas que criaram o princípio da igualdade. Igualdade perante a lei, abolição da praga real e seu séquito de nobres e outros criminosos. Tirada? Sim, admitir que os filhos d’algo são mais iguais que os filhos da plebe é uma tirada, coisa sem importância, para qualquer aristocrata que se preze.
      Como pode um Pio ser comparado a um lacaio? Como se podem comparar as cabeças coroadas aos vulgares indivíduos, mais que não sejam porque lhes falta o sangue, o ADN consanguíneo bem visível na tromba do Carlos de Inglaterra?
      Quanto à qualidade e orgânica interna deve pertencer a uma nova categoria de análise histórica. Falta-me ADN para lá chegar. E sim, há mais liberdade e igualdade em Portugal que na Dinamarca pela simples razão de que qualquer um, quando nasce, será ou não Presidente da República conforme a vontade dos seus concidadãos. Nesses países, andam por lá umas famílias, onde, por vaga jurisprudência divina, nascem já como futuros reis, conforme uns acasos e umas sortes. É a diferença entre a igualdade e a desigualdade, entre liberdade para todos, e liberdade em particular para alguns. Como é que justifica esse direito? Porque pode um doente mental, caso de um Pedro I, um Sebastião ou um Afonso VI, nascer com o direito a governar os outros? Ou, e já agora, uma ninfomaníaca de seu nome Carlota Joaquina, andar por aí imponentemente a cornear o consorte, só porque o divórcio acarretaria umas chatices diplomáticas?

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