As eólicas flutuantes

imageA EDP está a investir em coisas giras:

Notícia no Expresso, 19-02-2011: «Portugal constrói eólica flutuante. É um protótipo inovador a nível mundial. Já existem eólicas no mar, mas alicerçadas no fundo. A que a EDP vai lançar flutua e é ideal para águas profundas.»

Notícia no Económico, 11-11-2010: «Avaliado em 18 milhões de euros, o projecto Windfloat insere-se num pacote de 40 milhões de euros destinado à área da inovação na energia.»

ricas ondasPor acaso, ainda há pouco tempo, também investiu em outras coisas giras:

Notícia SIC, Nós Por Cá , 28-12-2009: «Um milhão e 250 mil euros foi quanto o estado investiu, há mais de um ano, naquilo que dizia ser um projecto pioneiro, em termos mundiais, no campo das energias alternativas. Um milhão e 250 mil euros para a construção do Parque de Ondas da Aguçadoura. Nós por cá fomos agora ver o que é feito do projecto e que energia foi já produzida através das ondas do mar, 15 meses depois do anúncio.»

Gosto muito de empresas com ideias giras. Mas gosto menos quando este Portugal moderno do senhor engenheiro que nos governa é pago nas facturas da electricidade. É que há quem se queixe que a conta da luz é pesadita.Não é que a propaganda me aborreça, pelo contrário, aprecio trabalho de qualidade e este que nos tem sido servido ao longo dos últimos anos é de primeira apanha. Especialmente se tudo isto incluir protótipos inovadores e, cereja no topo do bolo, ao nível mundial. É que, note-se, podemos ter uma miserável justiça que é incapaz de prender um certo sujeito apanhado a dar dinheiro para que um certo advogado lisboeta desse uma palavrinha a um certo vereador, mas teremos ventoinhas no mar salgado. Que se calhar se aguentam melhor do que o nosso submarino que estranha as águas do Atlântico. Pode a nossa justiça ser incapaz de julgar as falcatruas de um tal bancário mas, atenção, não esquecer a inveja que causamos aos outros países com os nossos projectos pioneiros em termos mundiais.

Agora, só porque sou um desmancha prazeres forreta, que me chateia um gasto de electricidade passar ao dobro por causa de taxas e por causa de se andar a comprar electricidade das ventoinhas a preço superior ao de venda, lá isso chateia. Sei lá, mau feito meu não gostar de ser comido por tolo, só pode.

Comments


  1. Essa da Aguçadora é toda uma outra estória: http://www.aventar.eu/2009/12/29/como-uma-onda-como-uma-onda-que-ninguem-pode-parar/

    Quanto à acusação de que a energia eólica, e mesmo a solar, têm um custo superior ao preço de venda, é uma daquelas afirmações que por aí andam, mas que gostava de ver demonstrada.

    Até porque a electricidade obtida nas centrais tradicionais tem um custo em CO2 muito elevado. E convém meter o aquecimento global nas contas, não há ambiente grátis…


    • Vejo em ambas as situações um padrão comum: justificar algo dizendo que é inovador a nível mundial. O primeiro caso sabemos como acabou.

      Quanto ao custo da energia eólica, é de ler a análise Quanto custam as eólicas?.

      Finalmente, sobre o aquecimento global e o CO2, agora sou eu quem gostava ver ver uma onde está explicita essa relação 🙂


  2. Vim parar a este post por uma pesquisa sobre ‘WindFloat’.

    Ao que sei, o projecto está em andamento e dentro dos prazos inicialmente definidos.

    Seria desejável que alguma comunicação social se informasse melhor antes de publicar ou divulgar coisas que, em rigor, não são verdadeiras.

    Seria igualmente desejável que, na blogosfera e outros meios equiparáveis, se acrescentasse algum valor à informação, ao invés de, simplesmente, se reproduzir conteúdo (no presente caso, errado).

    • jorge fliscorno says:

      E exactamente, o que está errado no post? O ponto central é que andamos a pagar electricidade cara por causa de aventuras como esta. Alguma vez isto seria competitivo sem subsídios?

      Ora veja lá: http://aventar.eu/2011/10/19/pornografia-7

      A mim, o que me importa que o projecto esteja a andar nos prazos definidos. Já o mesmo não posso dizer com a festarola que se faz com o dinheiro dos nossos impostos.

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