Mais uma prenda tóxica

O Parlamento Europeu aprovou ontem em Estrasburgo o Acordo de Parceria Económica entre União Europeia e Japão, o mais importante acordo comercial bilateral jamais celebrado pelo bloco europeu.

Tout court, quase sem direito a notícia nos media nacionais, ignorado pelos partidos e muito mal conhecido por deputados, órgãos municipais e por aí fora. Espertamente, a protecção do investimento (ISDS e afins) que está a ser preparada à parte, foi guardada para outras núpcias, de modo a permitir fazer o cozido exclusivamente a nível europeu. Lição aprendida do CETA, o acordo UE/Canadá.

A fulminante comissária europeia do comércio, Cecilia Malmstrom, promete deals lucrativos às empresas e aos agricultores europeus e anuncia que, “se tudo correr bem, deverá entrar em vigor no dia 1 de Fevereiro “ e que “O acordo não só envia um sinal ao mundo, como é também extremamente avançado no que se refere à abertura dos mercados”.

É abrir até rasgar, na senda da liberalização. É reduzir as regulamentações e restrições governamentais (p. ex., normas laborais ou ambientais) e promover as privatizações. A nível nacional, já se percebeu que esse caminho é insano, não é verdade? Porém, em Bruxelas, comissão, estados-membros e parlamento não querem de todo acordar… é tão fofo o berço aquecidinho dos lobbies.

Veja o presente contaminado que, com mais este acordo de “livre” comércio – anémico no que toca a normas sociais, ecológicas e democráticas – nos é colocado debaixo da árvore natalícia. E brinde à impotência, mas com água – aproveite, enquanto ela não for privatizada pela mão euro-nipónica do JEFTA.

Em sonhos, é sabido, não se morre

Há uma cabine pública no Japão cuja linha telefónica nunca foi ligada. Lá dentro há um telefone, isso sim, daqueles antigos, de disco, mas a cabine está inoperacional desde que ali foi posta, já lá vão uns anos. Isso não impede que milhares de pessoas (estima-se que mais de 10 mil) se tenham já deslocado ao lugar – na cidade costeira de Ōtsuchi – propositadamente para usá-la.

O homem que a construiu no jardim de casa chama-se Itaru Sasak. Também ele perdeu alguém muito próximo no grande sismo seguido de tsunami de 2011. Num único dia, 11 de Março de 2011, a cidade de Ōtsuchi perdeu mais de 1.400 pessoas, aproximadamente 10% da sua população. [Read more…]

“Ninguém para o TGV japonês”,

escrevem. E acrescentam: “E isto é apenas mais um teste”. Sim, mais um teste à lógica da base IX do Acordo Ortográfico de 1990.

Pingo Doce no Japão

electrico_lisboa_japanEx-Eléctrico de Lisboa no Japão (com alterações), mantendo a publicidade original.

Um Jardim Japonês

Momiji at the Seattle Japanese Garden.

Peste senil

Doentes idosos devem morrer para poupar o Estado.

 

Paraíso dos Gatos!


50 fotos de gatos japoneses.

Campeonato do Mundo de Futsal: Portugal – Japão

Depois da vitória contra a Líbia, Portugal entra, agora mesmo, em campo contra o Japão. Nesta fase inicial da competição, Portugal tem ainda mais um jogo contra o Brasil, uma das duas melhores equipas do mundo – a outra é a Espanha. Assim, uma vitória no jogo de jogo significa o apuramento.

Ah! É verdade  – o serviço público de televisão está a transmitir o jogo (Canal 2).

A Viagem

Filme projectado no Pavilhão de Portugal da Expo/98 e que retrata a chegada dos portugueses ao Japão.

Tema 5 – Expansão e Mudança nos secs. XV a XVI.

Unidade 5.1. – A Abertura ao Mundo

Império do Sol

Extraordinário filme de Spielberg, com uma notável interpretação de Christian Bale, o actual Batman, na altura com 13 anos. A acção decorre em 1941, na China, durante a invasão japonesa. Legendado.

Podem sempre

Comer dança e grafitis

Decisões Nucleares

Um acontecimento quase histórico que ocorreu nos últimos dias e que passou um pouco despercebido foi o fecho da ultima central nuclear que continuava a produzir energia elétrica no japão.

Isto quer dizer que pela primeira vez nos últimos 40 anos o japão não usa o nuclear no seu mix energético. Este é um resultado direto do evento improvável mas real do terramoto seguido de maremoto que ocorreu o ano passado.

Mas o que eu acho verdadeiramente interessante é perceber que foi possivel substituir em pouco mais de um ano cerca de 20% da produção total de energia para outras formas de produção. Não consegui encontrar indicadores sobre como foi feita essa substituição ou sequer se tiveram que repor toda essa capacidade ou se conseguiram reduzir o consumo mas que esta é uma oportunidade para que outras formas de produção elétrica sejam exploradas lá isso é.

Alguns factoides só como curiosidade:
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Lembrar Fukushima um ano depois

fukushima

Fonte: Jornal “Folha de São Paulo”

Completou-se hoje um ano de uma das mais horrendas tragédias humanitárias. Tudo se passou, no nordeste do Japão, com devastadora celeridade: um terramoto, um tsunami e o desastre na ‘central nuclear’ da Tepco – Tokyo Electric Power Company, em Fukushima.

Os mortos e desaparecidos imediatos, estimados em cerca de 19.000, foram hoje lembrados e lamentados por familiares e amigos. Com a solenidade e o estoicismo próprios da cultura japonesa.

Há anos, um cidadão japonês afiançava-me, em Paris, que o conceito ocidental do bem e do mal era estranho à filosofia de vida do seu povo. O lema, para as gentes do seu país, consistia em reagir perante os factos da vida, adversos ou favoráveis, com determinação, coragem e espírito de conquista. Hoje lembrei-me do seu discurso, justamente pelo tipo de resposta das populações atingidas perante a tragédia de Fukushima e outras cidades da região – Rikuzentakata foi a cidade com maior número de vítimas.

Mas atenção!, as contas de mortos e vitimados pelo trágico acontecimento ainda estão longe do fecho. Na opinião de alguns cientistas, a maior radiação recebida por centenas de milhares de cidadãos, a partir de Fukushima, irá causar um aumento na  taxa de cancros, durante as próximas décadas. Serão muitos os atingidos, sendo impossível prever números.

Nuclear? Não obrigado, Srs. Patrick de Barros e Mira Amaral!

Shunga 春画

 

Shunga Escola Utagawa

春画 ou Shunga é a designação dada à arte Erótica Japonesa. Em tempos shunga, estes que estamos a vivenciar, a assistir embasbacados, incrédulos – pior: desarmados – com o que se está a passar com Portugal, é uma benesse ter esta alternativa Shunga Japonesa para irmos entretendo o olhar, pois já nada nos sobra. Já nada sobra de Portugal no estertor deste gozo Europeu.

(Sim. Estou F-de-Decepcionada).

PS.: 春画 ou Shunga também significa Imagem de Primavera. Podem explorar mais Imagens da Primavera no F-Se! , especial destaque para o Kitagawa Utamaro.

PS2: Parabéns Aventar! Obrigada! Esta é a minha Shunga Prenda.

Japão: o rapaz nuclear

Os japoneses a explicarem às crianças o problema nuclear

Doí a barriga ao rapaz nuclear e está com gases. Estes japoneses são mesmo diferentes.

Os mentirosos do NUCLEAR

O sismo ocorrido recentemente no Japão vem confirmar algo que o senso comum há muito sabe: por muito evoluída tecnologicamente que uma sociedade seja, será sempre frágil perante fenómenos naturais extremos.

Infelizmente, e para além de toda a destruição e morte causadas pelo terremoto/tsunami, o Japão encontra-se à beira de um desastre nuclear que poderá suplantar Chernobyl, de consequências ainda imprevisíveis, já que se trata de uma central nuclear de quatro reactores onde poderão ocorrer fenómenos destrutivos em cadeia, caso o reactor 2 venha a explodir.

Um pouco antes de entrarmos de cabeça na crise económica que atravessamos, o lóbi nuclear português andou bastante activo tentando vender uma centralzinha nuclear em Portugal. Seguro, seguríssimo, resistente a tudo, ataques armados ou acontecimentos naturais, e não poluidor, eram os argumentos mais ouvidos nas bocas de algumas sumidades que agora andam caladas e desaparecidas.

Sendo as coisas o que são, o desastre de Fukushima não será o último, bem pelo contrário, se atendermos ao envelhecimento e proliferação destas instalações. O debate está relançado.  Quando, por falta de vergonha e de seriedade intelectual, os senhores Pedro Sampaio Nunes, Patrick Monteiro de Barros, Mira Amaral, etc., voltarem à carga e vierem desvalorizar riscos, chamem-lhes M-E-N-T-I-R-O-S-O-S com todas as letras. E não lhes perdoem, porque eles sabem muito bem o que fazem.

Japão, fotografias do antes e depois do terramoto

Japão, fotografias do antes e depois

Esta e outras fotos no The New York Times. O site The Big Picture contém uma outra galeria de fotos: Massive earthquake hits Japan.

Ainda a "guerra atómica de JMF" no Blasfémias


Vivemos num mundo a abarrotar de gente manienta. Decidi encerrar o assunto de um post que resvalou para a esperada polémica digna de mesa de tasca, com estas considerações finais. E mais lá não voltarei. Não vale a pena.

“Relevando dichotes acerca da sanidade mental daqueles com quem tem esgrimido argumentos, deixo-lhes umas breves e derradeiras notas, encerrando este triste aniversário atómico, que pelo que parece, é susceptível de relativização. O senhor faz exactamente aquilo que o Kremlin fez em 1985, quando escondeu do mundo e do seu próprio povo, o colossal desastre de Chernobyl. O senhor faz precisamente aquilo que o Kremlin fez, quando exterminou milhões de ucranianos pela fome e pelos pelotões de fuzilamento, pretendendo que tudo se passou devido aos “condicionalismos de guerra”. O senhor passa assim uma carta em branco, à dinamitação das provas que um pouco por todo o Ocidente – Reich incluído -, eliminavam os resíduos de actos criminosos perpetrados contra uma massa imensa de gente que dentro do bolso, tinha a identificação que correspondia ao que designamos por Europa: alemães, polacos, russos, franceses, espanhóis, italianos, húngaros, holandeses, ingleses, checos, etc, etc.
Tudo relativo, não será assim?
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Aldrabices nucleares


Entre berreiros indiciados por maiúsculas, lendas e narrativas de propaganda de diverso corte, mentirolas de café, preconceitos e maluquices, temos uma plêiade de maníacos comentadores de inexistentes verdades. Ora leiam o texto de JMF AQUI, continuem a deleitar-se com os comentários e se tiverem paciência, deixem a vossa opinião. Realmente, a propaganda resulta, especialmente quando é oportunista e mentirosa, bastante conveniente para o bípede comum. Deixei alguns longos comentários e em resposta aos do costume. Em vão.

A UE vai desintegrar-se ?

George Friedman no seu livro “Os Pŕóximos 100 anos – Uma previsão para o século XXl ” diz coisas assombrosas não fosse estarmos a 100 anos de distância.

A China, vista hoje como o próximo adversário dos US vai fragmentar-se em 2020. A Terceira Guerra Mundial será em 2050 entre os US, a Polónia, a Turquia e o Japão, uma espécie de guerra das estrelas. Em 2080, um sistema de satélites irá recolher energia solar no espaço e enviá-la para a Terra. E o aquecimento global não será um problema porque a população vai diminuir.

A Turquia e o Japão são potências em ascenção. A certa altura vão enfrentar a pressão dos US. Ou se subordinam ou resistem. Vão resistir. A Turquia nunca entrará na UE por causa da imigração e será um dos motivos para a fragmentar. A UE é útil enquanto união aduaneira, faz pouco sentido que a Alemanha e Portugal tenham a mesma moeda. Não haverá um sistema de defesa na Europa para além da Nato nem um exército único. Duvido que o Euro exista daqui a uma geração. A Turquia, com a desintegração da Jugoslávia, a queda da URSS, sendo a 17ª potência económica mundial, está a emergir como potência regional, não faz sentido que entre na UE.

O México já é 13ª potência económica mundial, tem uma base industrial crescente e muitos países estão interessados na sua mão-de-obra barata e hoje já é claro que a emigração ilegal para os US é necessária para os dois países, pois os 12 milhões de Mexicanos ilegais são muito necessários à economia dos US e o México precisa das suas remessas de dinheiro.

É um belo exercício de futurologia mas que trás novos dados e novas hipóteses, Oxalá consigamos escolher as boas e lutar por elas.

Desculpe, disse???

Portugal é o 21º melhor país do mundo para viver, à frente do Reino Unido, Mónaco, Suécia ou Japão“, leio no Expresso.

A qualquer um dos habitantes destes quatro países: aceitam troca?

Uma gaveta que seja sua

Ko Sasaki (The New York Times)

Recorda os ambientes angustiantes de alguma ficção científica. Homens que vagueiam como zombies, num cenário pós-moderno. Um antigo hotel que se vai transformando em edifício de habitação. Pequenas celas, todas iguais, com as mesmas comodidades: uma luz, uma televisão pequena com auscultadores, dois cabides de parede, um cobertor fininho, uma almofada dura.

De refúgio de uma noite para homens de negócios que perdiam o comboio para casa depois de beber uns copos a mais, o Capsule Hotel Shinjuku tornou-se na casa permanente de desempregados incapazes de pagar o que custa um apartamento em Tóquio. O aluguer de uma cápsula custa 59 mil ienes, pouco mais de 440 euros. E com este dado, já podem imaginar quanto custará um apartamento com um quarto. [Read more…]