O homem é um animal bestialmente tribal

 

Um pastor norte-americano, cuja gravata não disfarça o troglodita que é, queima um livro, ciente de que, do outro lado da barricada, estão outros trogloditas para quem esse livro queimado é sagrado. Os trogloditas do outro lado, cujo turbante também não esconde a besta que os domina e que são, matam pessoas, procurando vingar um livro queimado. Para quem viu a Guerra do Fogo, o extraordinário filme de Jean-Jacques Annaud, basta estar com atenção para perceber que o homem se limitou a substituir peles de animais por fatos e a exibição dos caninos por poderio militar.

Todos os dias assistimos a estes comportamentos bestiais, ou seja, animalescos, e tribais. Há milhares de anos, os émulos de Sócrates e Passos Coelho estariam a bater com paus no chão, acompanhados dos respectivos membros da mesma tribo (e não deixa de ser um exercício curioso imaginar Francisco Assis e Miguel Macedo a urrar atrás dos respectivos chefes). Amanhã, será a mesma preocupação tribal com os símbolos do inimigo que poderá levar a que o ambiente do Estádio da Luz seja digno das cavernas mais primitivas em dia de confronto entre clãs.

Comments

  1. A. Pedro says:

    Por acaso já aqui escrevi sobre os primeiros trogloditas, os que queimam livros. Há gajos que só estão bem a piorar as coisas. É o caso.

    Eis, se me permites Fernando, porque vem a propósito, o que escrevi aqui há tempos

    http://aventar.eu/2010/09/09/o-bater-das-asas-da-borboleta/

  2. Rodrigo Costa says:

    … De há muito que digo que, por debaixo da roupa, há sempre um homem nu.

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  1. […] “nova inquisição” fundamentalista cristã, após uma farsa sem pés nem cabeça que decorreu de um simulacro de “julgamento“, queimou um exemplar […]

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