amar e ser feliz

amar e ser feliz

Brevemente deves estar comigo, minha querida neta May Malen. Enquanto não chegas, andam todos a correr porque me amam e querem que seja feliz com a tua visita. Quando Friedrich Engels, companheiro de escrita e de luta de Karl Marx, escreveu A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado (1a. Edição: 1884 ; 4a. Edição Revisada: 1892), nunca imaginou o ardente carinho que um pai de família, como eu, pode sentir pela sua neta mais nova, talvez porque não tinha filhos nem netos, e como o elo do texto era a relação entre a propriedade e a família, centrou o seu livro (que pode ser lido em http://classiques.uqac.ca/classiques/Engels_friedrich/Origine_famille/Origine_famille.html) mais na propriedade que devia ser comum para todas as pessoas, como acontecia nas famílias mais antigas da sua época. O autor não fala de emoções ou emotividades, não era necessário, porque partilhar tudo o que se tem ou se possa adquirir dentro do grupo doméstico, é bem emotivo sem dar mais explicações.

Os meus leitores devem interrogar-se sobre o que leva o Avô a falar destas temáticas com a sua pequena neta, que nem conhece a língua do texto e ainda menos entende o debate. May, tu vives feliz e tranquila com os teus pais e tudo o que possuem vem às tuas mãos. Nos tempos de Engels, as famílias estavam muito unidas e defendiam-se de qualquer tipo de ameaça que viesse de fora, como os teus pais fazem contigo. Estão sempre alerta por causa das dores desses teus dentes novos que nunca mais acabam de sair. Como são inteligentes, fazem turnos, como acontecia com a família Punalua, da que falava Engels, para não permitir relações sexuais entre irmãos uterinos, exemplo que servia para definir o Estado, a forma mais perfeita de organização social. Hoje em dia, as famílias vivem à distância, mas têm formas de se encontrar para as festas rituais aniversários, férias… Se a economia do país o permite. As crises que estamos a atravessar em Portugal, a falta de dinheiro, a falta de investimento, a fuga de capitais, não deixa as pessoas viverem em paz.

Tu ainda não percebes, nem os teus pais iriam permitir que tamanha felonia dos chamados mercados financeiros internacionais estão a provocar a Portugal, entrasse pelos teus suaves ouvidos de seda.

Mas, já adulta, no futuro, os teus ouvidos de seda vão ouvir isso e muito mais. Por enquanto, esta é mais uma advertência aos adultos que tomam conta de ti e das teorias que deviam saber para tratar de ti.

Teorias que o teu avô tem criado (Etnopsicologia da Infância, virada para a cultura ocidental) para pessoas como tu, aprendidas com George Devereux, no Collége de France, em Paris, criador da famosa (para ele) Etnopsiquiaria Indigenista Mohave. Hoje, nada disto entendes, mas a letra fica escrita, não é levada pelo vento e um dia os teus pais vão ensinar-te estas ideias e muitas mais.

Amar e ser feliz, é o objectivo da vida, como Engels e Marx praticantes da confissão anglicana. Prática que os levou a compreender que amar e lutar por quem se ama, é o elo final de todo o ser humano…

Obrigado, May Malen, por fazeres de mim um homem feliz, como os teus primos neerlandeses fazem contigo e com todos os adultos que tomam conta de vós.

Não esqueças a Família Punalua e o Estado que toma conta de nós…

Do teu Avô ou Abuelo ou, ainda, Lelo

Raúl

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