Oportunidades perdidas

Há causas que por muito justas que sejam estão condenadas ao fracasso. O ataque do PSD às Novas Oportunidades foi uma delas. Por um lado não foi uma ideia muito inteligente colocar em causa umas centenas de milhares de eleitores que obtiveram um diploma por processos de RVCC sem terem adquirido competências algumas ao longo da vida, tirando aquelas que a vaga leitura da Bola e da Maria proporcionam. Percebo a intenção de agradar aos professores (e mesmo entre estes muitos contratados sempre agradecem o horário), o resto foi um tiro desproporcionado.

O PS chamou-lhe um figo. Num instante deu gás à máquina:

Depois da troca de acusações entre PSD e PS a propósito do programa Novas Oportunidades, a Agência Nacional para a Qualificação (ANQ), (…) recebeu um pedido para que fossem recolhidos testemunhos abonatórios que pudessem ser utilizados na sessão do PS com José Sócrates e o cabeça-de-lista por Lisboa, Ferro Rodrigues.

O CM sabe que foram também enviados e-mails a funcionários dos centros em que se pedia para comentarem notícias relacionadas com declarações do presidente da Agência Nacional para a Qualificação, Luís Capucha, nas quais este atacava o líder do PSD, considerando “insultuosas” as suas palavras sobre as Novas Oportunidades.

Isto resolvia-se muito bem se aparecessem os milhares que tinham mesmo competências, e ganharam um diploma ridicularizado. Mas não aparecem, porque para isso nem a oposição toda teria máquina, quanto mais gás.

Ficou uma anedota: Miguel Sousa Tavares quer fazer um exame sobre competências adquiridas ao longo da vida. Eu também não percebo nada de mecânica, mas não opino sobre pistões e embraiagens.

via Paulo Guinote

Comments

  1. Carlos Pinto says:

    abonativos? Será uma nova oportunidade para a língua…

  2. António says:

    As NO, como tudo, tem vantagens e desvantagens. A maior vantagem é que permite a pessoas que abandonaram os estudos, se calhar mais velhas, que querem trabalhar mas ninguém as aceita por falta de qualificações, de ficar com mais alguma coisa na mão e de aumentar assim as suas hipóteses. É, de certa forma, uma maneira de combater o desemprego e de educar mais portugueses.

    As desvantagens maiores são que estas pessoas vão muitas vezes roubar lugar a alunos que se esforçaram mais, durante mais anos, e também que este ensino deixa muito a desejar.

    A mim parece-me que o balanço é positivo.

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