Amigos e companheiros na corrida às legislativas

Era o que eles queriam ser, os da corrida para as eleições legislativas, amigos e companheiros. Na prática até aconteceu. O nosso, ate agora Primeiro-ministro, a governar em minoria no seu segundo mandato, teve o cuidado de procurar apoio. Apoio que encontrou em dois dos seus colegas de parlamento e líder de um partido que as vezes ganham, outras perdem, o PSD. Como também acontece no partido que nos governa, auto denominado socialista. Digo auto denominado, pelos tipos de fracções que existem: há os fundadores, há os que entram mais tarde ao partido, e a fracção neoliberal que sustenta um comércio livre, não

Pessoalmente, sou socialista, como tenho confessado em outros textos. O meu entendimento do socialismo é diferente a facção que nos governa, é materialista histórico, como assassinado Presidente do Chile Salvador Allende. O conceito socialista é fácil de entender, mas difícil de aceitar pela sua ideologia. Socialismo refere-se a qualquer uma das várias teorias de organização económica advogando a propriedade pública ou colectiva e administração dos meios de produção e distribuição de bens e de uma sociedade caracterizada pela igualdade de oportunidades/meios para todos os indivíduos com um método mais igualitário de compensação[1]. O socialismo moderno surgiu no final do século XVIII tendo origem na classe intelectual e nos movimentos políticos da classe trabalhadora que criticavam os efeitos da industrialização e da sociedade sobre a propriedade privada. Karl Marx afirmava que o socialismo seria alcançado através da luta de classes e de uma revolução do proletariado, tornando-se a fase de transição do capitalismo para o comunismo[2][3]. Os números entre parêntesis, são a fonte do meu saber. A maioria dos socialistas possuem a opinião de que o capitalismo concentra injustamente o poder e a riqueza entre um pequeno segmento da sociedade que controla o capital e deriva a sua riqueza através da exploração, criando uma sociedade desigual, que não oferece oportunidades iguais para todos a fim de maximizar suas potencialidades. Essas fontes são, para a primeira, Newman, Michael. (2005) Socialism: A Very Short Introduction, Oxford University Press. Os 2 e 3: Marx, Karl, Communist Manifesto, Penguin (1867)2002; e Marx, Karl, Critique of the Gotha Program.

Parece-me que o socialismo actual tem abandonado as ideias de propriedade colectiva e tem passado a ser um grupo neoliberal, o que permite o apoio dos liberais, que é procurado pela corrida às eleições.

Parece-me que há duas caras na contenda para ganhar as eleições: a pública e a privada. Na pública, os debates são de um terror que nenhum povo pode suportar; na privada, vou definir amizade mais em frente. Estes dois partidos têm projectos semelhantes em relação a propriedade e o lucro. Quem tem dinheiro, apoia ao PSD por causa da mais-valia e o lucro retirado da exploração do povo que vive do seu trabalho e do trabalho da sua prole, essa larga maioria que habita a nossa nação. Há os partidos materialistas históricos, como o Bloco de Esquerda, os Verde que vivem de uma quimera, e o que resta do partido que, em conjunto com o partidos Socialista fundado fora de Portugal, derrubaram a ditadura, que imperava na República. Álvaro Cunhal foi o líder incontestável da liderança do PC português. Desaparece, e o parido baixa a sua votação, por quererem organizar um país marxista-leninista, ideia que o católico povo português nunca aceitaria. É verdade que foi o PC quem libertara a nação da estúpida ditadura que a governava. Mas, a ideologia propiciada ao derrube do ditador, não foi aceite nem pelos libertadores do 25 de Abril, ainda menos pelo exército activo. Cunhal foi exilado, esse herói nacional, e apenas voltou quando a República de Ramalho Eanes, foi o primeiro em inaugurar uma sucessão de presidentes eleitos, sem luta entre eles. Em 1953, quando apareci em Portugal não havia quem no tivera lutado ao pé do PCP, até a sua queda e a formação de partidos revolucionários, uma infeliz minoria, e o liberalismo dos que se disputam a primazia do governo. Para a minha infelicidade, o PCP foi derrubado nos factos e o PS pactua alianças com os ricos do país. Partidos semelhantes na sua forma de liderança e na sua ideologia economicista, pelo menos a nova facção.

Não faço apostas nem quereria, mas, apesar de ser socialista materialista histórico, ideias aprendida na minha juventude contra a opinião da ultra direitista família que me coube pertencer. Não faço apostas, dizia eu, mas os povos mudam de governos como entendam ou não. Especialmente se a pobreza bate nas nossas portas. Quem é rico e governa como Coelho dos Santos, pensa-se que, como diria Durkheim, que a lógica analógica fá-los ia ricos também.

A minha vida prolongada na Grã-Bretanha, fez de mim membro do partido trabalhista ou laborista. Mas no meu concelho, rico como os Windsor, entregava o escano aos conservadores. Factos que não nos derrotavam e persistíamos, até que John Smith, o amigo laborista de Cambridge, ganhou a eleição e o território Windsor, Rainha, marido Reitor, filhos estudantes ( dois deles méis discentes), tiveram que se resguardar dos altos juros que Smith soube ganhar para o nosso concelho ( Council).

Foi preciso resgatar ao John das seduções de uma mesa bem posta, como a dos Windsor.

Será assim com este gato de Sócrates e o rato de Passos Coelhos, dois amigos na mesma corrida.

Amigos e Companheiros? O que seria da nossa República…

Dois conceitos de difícil definição. Dois conceitos relacionados com os sentimentos, com a interacção social. Conceitos diferentes para adultos e crianças, para classe social, para o tempo que passa e se escorre entre a cronologia da História e os hábitos definidos ao longo do tempo.

Normalmente, o conceito de amigo, é ser solidário com problemas, alegrias, amarguras, amores e desencantos das pessoas com quem convivemos em momentos e alturas diferentes. Por outras palavras, eu diria que é estar ao dispor de seres humanos que amamos e dos quais dependemos nas ideias, no trabalho e, especialmente, na educação das crianças que, por causa da nossa amizade de adultos, passam a ser não apenas pequenos que entendem em conjunto a interacção social, a dependência dos adultos e a disciplina que estes lhes incutem. Este comportamento separa já os dois conceitos que refiro: amigos e companheiros. A subordinação às formas de ser, agir, ouvir e aceitar, faz das crianças amigas e companheiras. O adulto, com maior experiência de interacção na vida social e na cronologia histórica acumulada no tempo, torna possível separar as duas palavras: amigo, dependente; companheiro, fidelidade sem condições. Acrescentaria ainda que, como conceito, amigo define uma hierarquia que depende do lugar social que a pessoa ocupa ou do lugar que alcançou na vida. Além desta ideia, tenho a ousadia de dizer que, perdida a hierarquia, a pessoa que se diz amiga acaba por não ter ninguém que o acompanhe:   “Difícil querer definir amigo.

          Amigo é quem te dá um pedacinho do chão,  quando é de terra firme que você precisa, ou um pedacinho do céu, se é o sonho que te faz falta.
Amigo é mais que ombro amigo, é mão estendida, mente aberta, coração pulsante, costas largas. É quem tentou e fez, e não tem o egoísmo de não  querer compartilhar o que aprendeu. É aquele que cede e não espera  retorno,   porque sabe que o acto de compartilhar um instante qualquer contigo já o alimenta, satisfaz. É quem já sentiu ou um dia vai sentir o mesmo que você. É a compreensão para o seu cansaço e a insatisfação para a sua reticência.

É aquele que entende seu desejo de voar, de sumir devagar, a angústia pela compreensão dos acontecimentos, a sede pelo “porvir”. É ao mesmo  tempo espelho que te reflecte, e óleo derramado sobre suas águas agitadas. É   quem fica enfurecido por enxergar seu erro, querer tanto o seu bem e saber que a perfeição é utopia. É o sol que seca suas lágrimas, é a polpa que adocica ainda mais seu sorriso.  Retirado de:

 http://www.conselhonet.com.br/Mensagens/amigo_um_ensaio.htm

Este comentário, define essa interacção individual, hierarquizada na interacção amigável. Queria, ainda, recordar ao leitor, as minhas lembranças das relações de Durkheim, Lenin, Marcel Mauss e a orientação que o saber de Marx soube entregar, enquanto todos estavam ainda vivos e em interacção, “espelho que te reflecte, e óleo derramado sobre a água agitada”, esses tempos partilhados enquanto as relações sociais mudavam na Europa.

As crianças aprendem as relações de amizade sem comentários, esses que eu ofereço ao leitor em jeito de companheira (ou nota de nota de roda pé). Companheira, enquanto queria definir companheiro ou a pessoa que substitui o amigo que partiu e desenvolve o seu legado, como Durkheim fez de Marx e Mauss de Durkheim e Lenin. Companheiro é quem desenvolve a amizade “companheiro é mais que ombro amigo, é mão estendida, mente aberta, coração pulsante, costas largas. É quem tentou e fez, e não tem o egoísmo de não  querer compartilhar o que aprendeu.”

Queria acabar apenas com uma ideia: perdido o poder, o companheirismo suporta a amizade que parece ter fugido quando mais dela se necessita.

É imperativo perguntar, afinal, onde estão os amigos? É nas eleições que se podem ver.

Estamos aterrorizados. É pena o Bloco, os meus amigos, ser tão pequeno. Fátima anda por ai. É pena que os partidos proletários não saibam avançar, Temos uma corrida entre ideologias semelhantes, com Fátima e o seu eato a fazer figas para os ricos ganhem a eleição

Mas, quem é rico? Os membros da Assembleia, pela que lutamos hoje…

Raúl Iturra

ISCTE / CEAS /Amnistia Internacional

25 de Maio de 2011.

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