Salvador Allende e José Sócrates, dois antigos socialistas?

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É-me quase impossível não comparar estes meus dois governantes: um, nascido ao começo do Século XX, em 1908, em Valparaíso, Chile, filho de família burguesa e profissional. O segundo, de família também burguesa, menos acomodada que a do primeiro.

O primeiro referido, era Salvador Allende. Enquanto corria para as eleições presidenciais do Chile de 1952, a sua primeira tentativa, que perdera para o candidato Carlos Ibáñez del Campo, por uma estreita margem de votos – Ibáñez obteve 44% Allende 38%, conco anos mais tarde de esta primeira corrida a Presidência da Sua Excelência, nascia José Sócrates no Porto, Portugal a 6 de Setembro de 1957 e foi

registado como um recém-nascido em Vilar de Maçada, Alijó, a localidade da família. No entanto, o jovem José Sócrates viveu toda a infância e adolescência com o seu pai, um desenhador de edifícios divorciado, na cidade da Covilhã. A sua profissão de Engenheiro Civil foi adquirida na hoje extinta Universidade Livre. A carreira política de Sócrates iniciou-se logo após a Revolução dos Cravos em 1974. Sócrates foi um dos membro-fundador da Juventude Social-democrata (JSD), sector juvenil do Partido Social Democrata da Covilhã, de onde saiu, logo no ano seguinte, em razão dos estudos em Coimbra.

Em 1981, mudou a filiação política, do Partido Social Democrata para o Partido Socialista (PS). Já no Partido Socialista, ao qual se filiou e está até hoje, em 1983, tornou-se presidente da concelhia da Covilhã e presidente da federação distrital de Castelo Branco, cargo que ocupou de 1986 a 1995. José Sócrates serviu como engenheiro técnico para o Conselho da Cidade da Covilhã.

Em 1987, foi eleito pela primeira vez deputado ao Assembleia da República (o Parlamento português) a representar o distrito de Castelo Branco. A sua primeira intervenção enquanto deputado numa questão de âmbito nacional consistiu na defesa de projecto-lei a legalizar a possibilidade da prática do nudismo no País.

Fonte: Quando Sócrates defendeu o nudismo. Diário Nacional (21 de Abril de 2008). A sua carreira política foi avançando, como consta em todos os documentos desde o dia em que foi Primeiro-ministro

Salvador Allende Gossens (Valparaíso, 26 de Junho de 1908 — Santiago do Chile, 11 de Setembro de 1973) foi um médico e político marxista chileno. Fundador do Partido Socialista, governou seu pais de 1970 a 1973, quando foi deposto por um golpe de estado liderado por seu chefe das Forças Armadas, Augusto Pinochet.

Allende foi o primeiro presidente de república e o primeiro chefe de estado socialista marxista eleito democraticamente na América Latina. Seus pilares ideológicos foram o socialismo, o marxismo e a maçonaria. A partir destas convicções, foi muito respeitoso com todas as ideias políticas democráticas e com todas as confissões religiosas. Allende foi um revolucionário atípico: acreditava na via eleitoral da democracia representativa, e considerava ser possível instaurar o socialismo dentro do sistema político então vigente em seu país, conservadores e aristocratas, hasta 1925, ao ser eleito o primeiro burguês, filho de exilados italianos, Arturo Alessandr Palma, Presidente do Chile em duas épocas diferentes, bem como o seu filho engenheiro Jorge Alessandri Rodríguez, que tornara a ser candidato pela sua popularidade, na quarta corrida a presidência da Sua Excelência. Era certo que ganhava. O seu comportamento como Senador, esse andar no meio do povo, as leis de saúde pública e gratuita para os desamparados, a maior parte do país, que redigiu e mando para aprovação, fizeram dele um ser humano amado e respeitado pelo povo, essa larga maioria de chilenos e parte da pequena burguesia que apoiava as suas ideias e acções legislativas, como Ministro de Saúde entre 1939 e 1942, na épocas dos Presidentes Radicais: Pedro Aguirre Cerda e Juan António Ríos, ambos falecidos durante a sua Presidência. O Partido Radical tinha sido importado desde a França: eram partidos de esquerda, motivo que levara a sua Excelência a colaborar com eles. Como Ministro de Saúde, organizou os hospitais públicos, abriu Centros Hospitalares em todo o país e distribuo aos médicos para sítios onde eles não queriam ir, cidades frias, longe da Capital, essa louca geografia do Chile, que fez enviar médicos ao Norte, área de um calor insuportável, que ele visitava e inspeccionada, quer como Ministro, quer como Senador.

Nunca teve uma briga com colegas de bancada e do Senado, ainda menos com médicos socialistas que colaboraram com ele: não tinha tempo para lutas políticas sem sentido. O sentido era o povo, pelo qual sempre lutou, especialmente quando foi eleito Presidente da República. Sabia dos complôs e teve, como digo em outro texto meu, que correr muito para realizar o seu sonho dourado: redistribuir a riqueza entre os assalariados: reformou, confiscou todo o que não era de legítima propriedade dos patrões. Ainda assim, despojou aos proprietários e entrego terra, com acta notarial, aos que produziam nos campos, aos que fabricavam panos, como os de Tomé, Chiguayante e outras indústrias, cedidas por lei, ao proletariado. A recompensa a tanto esforço foi uma apenas: ser assassinado pela CIA e a burguesia chilena. A sua história é conhecida por todos. O que não se sabe, era da sua calma, serenidade tratamento igualitário à Babeuf[1] da Revolução francesa. Como ele, lutava pela igualdade, usando o socialismo científico da Karl Marx, retirado, como devoto luterano, o descobridor da fórmula do capital que era, da teoria económica de Lutero dos anos dos 1540 em frente.

Nada disto posso apreciar no candidato à corrida a Primeiro-ministro de Portugal. Ainda menos no seu rival de ultra direita, Passos Coelho.

O candidato socialista não é marxista, até por não ser conveniente para a sua imagem. Dos cinco partidos que temos, há apenas três materialistas históricos, mas são poucos e não se entendem…

É verdade que José Sócrates se tem preocupado da educação, mas a um preço alto: fecha escolas que têm picos estudantes, manda abrir e construir com os seus associados, conjuntos escolares para ensinar quase duzentos discentes. Entre os seus planos, está de acordo José Sócrates, com as propostas do PSD para a área da Cultura são “uma consequência do radicalismo ideológico e do preconceito contra o Estado” daquele partido. “Eles acham que a cultura não é um bem público, eles acham que deve ser só para quem tem dinheiro. Eles não têm consciência da importância que a cultura tem”, criticou Sócrates ao saber esta notícia.

“Quando dizem que querem acabar com o Ministério da Cultura estão a dizer que querem menorizar a cultura, andar para trás nas funções do Estado e entregar tudo ao mercado”, disse.

A história dirá quem ganhe. Não temos alternativas. As existentes, são pequenas fracções que, nem juntos, podem ultrapassar aos candidatos que têm por interesse ganhar poder, a magistratura de ser Primeiro-ministro. Se assim for…Ave Maria…para nós. O custo da vida será tão alto pelas dívidas procuradas pelos Senhores, que vamos viver em estado de guerra…

Allende e Sócrates, duas espadas de mesma bainha, separados pelas ideologias e os seus interesses sobre o proletariado. Famosa foi a frase de Mário Soares: com um marxismo en decadência por causa da Comunidade Europeia; entramos na CEE, Soares encostou os projectos materialistas dentro de uma gaveta e disse: isto fica para depois. Para quando, Pai da Nação? Quando Passos Coelho nos faça correr a nós? Este Domingo? Ou Sócrates, tão semelhantes e amigos que são?

Raúl Iturra


[1] Babeuf, Nöel Gracchus Gracchus Babeuf (1760-1797), o primeiro que, durante a Revolução Francesa, soube ultrapassar a contradição, da qual tinham-se retirado todos os políticos que se estimavam aderentes à causa popular, uma contradição entre o direito a existência e a recuperação da sua propriedade de trabalho e a sua liberdade de trabalhar onde melhor houver, para ganhar o direito da liberdade económica. Por causa do seu pensamento e da sua actividade com o adágio todos somos iguais, foi o iniciador de uma sociedade nova. Por causa dessa procura de igualdade, o cidadão Babeuf foi guilhotinado pelos seus colegas de Partido, os partisanos de Robepierre Foi um premonitor do tempo da história socialista científico criada por Karl Marx, a sua mulher a Baronesa Prussiana Johanna von Westpalen ou Jenny Marx, e ideias retiradas de um texto sobre a evolução da propriedade privada e a família de Friedrich Engels, sedo Jeny Marx a redactora de Manifesto Comunista. Base dos princípios social -democrata do Companheiro Presidente

Comments


  1. Nudismo social e económico foi o derradeiro legado desse antigo socialista português.

  2. Paulo Martins says:

    Gosto de visitar blogues como este, com diferentes e (muitas) boas opiniões, os insultos e asneiras, que felizmente por aqui são raras, só podem contribuem para afastar as pessoas.
    São textos destes que valorizam os blogues, com os quais também aprendemos, e que me fazem querer vir aqui ao aventar dar uma espreitadela.

    PS: Vote! 🙂


  3. Quem Comparar Sócrates com Allende é o mesmo que comparar a feira de Castro com o olho do cu.


  4. Passos Coelho “ultra direita”? Porque não ajoelha perante Estalines de algibeira?

    http://supraciliar.blogspot.com/2011/06/votar-ps-entregar-os-nossos-filhos-ao.html

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