Declaração de voto

São duas as razões que me levam a escrever apenas hoje este post. Em primeiro lugar porque considero absurdo a existência de um dia de reflexão, mesmo que continue indeciso sobre o destino que darei amanhã ao meu voto. Felizmente que os blogues não estão obrigados a cumprir tal disparate. À semelhança das Presidenciais, a vontade é mesmo não ir votar, só que amanhã tenho a possibilidade de contribuir para que Portugal se veja livre do híbrido, mistura de Pinóquio e Calimero que nos conduziu até aqui durante os últimos 6 anos, alheado da realidade, apostando num modelo de desenvolvimento baseado no investimento público, que enriqueceu apenas as construtoras do regime, possibilitou lucros aos Bancos e parasitou o Estado de boys and girls.

Olhando para o programa eleitoral do PSD, à partida o meu voto estaria garantido, grande parte daquelas medidas entusiasmam, diminuir o Estado, reduzir despesa, é um caminho que o país terá que percorrer mais tarde ou mais cedo. Mas conheço muito bem o PSD, o partido que em 2002 também prometeu um choque fiscal e deixou os eleitores chocados quando ao invés de reduzir, aumentou os impostos. No meu caso o choque foi de tal ordem, que até hoje não tornei a votar PSD em qualquer acto eleitoral. Para cúmulo não me apetece votar em Fernando Nobre, cabeça de lista no meu Distrito, pelas razões que aqui escrevi. Mais, tenho a certeza que se Pedro Passos Coelho conseguir ser eleito Primeiro-Ministro, e oxalá o consiga, porque a alternativa é José Sócrates, no caso de tentar levar à prática o seu programa, reduzindo o número de parasitas que ocupam a Administração, iria defraudar muita gente no seu partido, e não tardaria muito a ver críticas internas, eventualmente a oposição nem precisará de grande esforço para o desacreditar, o próprio PSD fará esse trabalho, começando logo pelos seus autarcas e governo regional da Madeira, que encontrarão nos diversos interesses corporativos instalados, da Justiça à Saúde, passando pela Educação, aliados de circunstância.

É provável que me refugie no CDS/PP como um mal menor, um voto útil, mas não pelos slogans de Paulo Portas, aliás, a frase de que está à esquerda do PSD, ainda me está na cabeça, e essa é a segunda razão pela qual apenas hoje escrevo este post, além de não votar PSD, agora também não me apetece votar em Paulo Portas e recuperar as ideias conservadoras de Bagão Félix, provável ministro, caso os eleitores decidam dar a Paulo Portas a força que ele lhes pediu. Se optar por votar CDS/PP, será mesmo pelo seu grupo parlamentar, até simpatizo politicamente com os seus candidatos por Lisboa. Mas não me revejo em subsídios à agricultura e outras bandeiras eleitorais, não sou democrata-cristão, muito menos conservador.

À esquerda do PS não voto, pois na prática o que defendem é aumentar o peso do Estado, que já hoje possui um poder desmesurado na sua relação com os cidadãos, eu não quero um Estado poderoso, mas um Estado mínimo, que apenas garanta aos cidadãos Liberdade, Justiça e Segurança, deixando as pessoas decidirem o seu destino. Obviamente que um país onde a Constituição ainda contém no seu preâmbulo, o objectivo de construir uma sociedade socialista, é um país sem grande futuro, nem sequer presente.

Na prática, qualquer que seja o resultado eleitoral, após festejar a derrota de Sócrates amanhã à noite, podem contar comigo para continuar na oposição a partir de 2ª feira, porque não creio que Portugal vá mudar de vida ou de vícios…

Comments

  1. P. Jorge says:

    Quero que se foda o dia de reflexão, que só serve para essas ovelhas dizerem “o voto é secreto”, e assim se foge a um diálogo coerente e lógico.

    Adeus seus filhos da puta, têm o que merecem. Comam a merda que estão a semear há mais de 30 anos.

    Quis ser educado para não lhes chamar burros tacanhos ignorantes mal educados covardes cínicos prepotentes arrogantes míseros repugnantes desprezáveis…


  2. Julgo que todos se apercebem que o momento que vivemos é único.

    É apenas o início de uma tempestade da qual sairemos diferentes, talvez vergados para uma geração, implorando o estatuto de colónia das potências, talvez mais fortes.

    Este é apenas o primeiro passo mas mesmo esse já http://supraciliar.blogspot.com/2011/06/valeu-pena.html

  3. CCunha says:

    Tudo uma grande MERDA