BE, o grande derrotado

Em devido tempo fui apontando aqui, no Aventar, aquilo que me pareciam ser grandes erros políticos por parte do BE.

Relembro três, que me parecem essenciais: a aliança ao PS debaixo do chapéu Manuel Alegre, uma moção de censura para retirar o tapete a uma iniciativa do PCP (em que o Bloco mostrou ter os mesmos defeitos dos outros partidos) e a recusa do encontro com a Troika (em que o BE se auto-excluíu de possíveis contributos políticos pós-eleitorais e, natural e generalizadamente, as pessoas não votam em quem não possa aportar soluções).

Por outro lado, o Bloco não renovou os seus maiores temas e causas (ou, pura e simplesmente, não os tem) e aparece como um partido “velho” e gasto, por oposição ao partido novo que já foi.

Nota: Este poste estava já publicado quando Francisco Louçã reconheceu a derrota do BE e assumiu responsabilidades. Não reconheceu erros, mas pelo menos, chamou os bois pelos nomes e usou a palavra derrota. Menos mal.

Comments

  1. Henrique says:

    Aquela moção de censura, que eles próprios queriam que fosse derrotada, foi fatal.


  2. Meu caro, o BE tem duas hipóteses, renova ou acaba extinto. Na prática, se quiserem continuar com Louçã, deixam de ser esquerda moderna e passam a jurássica… Ou pensavam que iriam sempre crescer e que o céu seria o limite?…

  3. Manuel Guimarães says:

    então os portugueses, na sua sapiência ofuscante, penalizaram o Bloco por não ter ido à Troika? Santa ingenuidade.
    Quase 4 milhões não votaram, e os que o fizeram são os do “costume”. Sou do … até morrer!
    Fala mais de cultura, democratização da CS, e depois vemos quem não tem futuro


  4. Ingenuidade é pensar que todos os portugueses são pouco politizados e pensar que não é nos partidos das franjas que estão alguns dos mais politizados. O BE andou mal e foi penalizado, em muitos casos com sapiência.
    ( considerações sobre o ofuscante ficam para depois)


  5. Para mim foi a surpresa da noite, o BE, com tanta crise, descer tanto, tanto que até o seu líder parlamentar vai deixar de ser imbecil (já aqui fui censurado por ter chamado isso ao Dr. Pureza) e voltar a ser uma pessoa, com toda a certeza com os cinco alqueires bem medidos, como diz o nosso povo.

    Acho que as sondagens encomendadas pelo governo a dar uma votação ‘to close to call’ entre o PSD e o PS fez com que muita gente tivesse ido atrás do voto útil que como se verificou foi absolutamente inútil.

    O BE, tal como o CDS foram os grandes prejudicados pelas sondagens amigas do PS!

  6. Daniela Major says:

    Para mim o problema do BE é que não querem ser um partido de protesto mas por outro lado são sempre, sempre atraídos para esse lado. Ao contrário da CDU que tem um eleitorado fixo (que vota no PC no matter what) o eleitorado do BE é mais flutuante, e Louçã não ajuda porque não se vê, de facto, um esforço efectivo para ajudar à Governação e as pessoas distinguem perfeitamente a sua retórica, como foi o caso da reestruturação da dívida já depois do acordo estabelecido…é pura demagogia. E eles pagam por isso.

  7. Nightwish says:

    95% das pessoas vão ter a miséria pela qual votaram. Espero que depois não venham chorar a pedir caridade, o problema não é meu.

  8. Carlos Fonseca says:

    Votei no BE e foi um voto contra os partidos que dialogaram e subscreveram o acordo com a troika – não houve qualquer negociação; foi a imposição do emprestador (agiota, segundo Bagão Félix) irrevogável e inegociável que prevaleceu .
    Nem sempre a maioria tem razão. O tempo evidenciará, na altura certa, a cruel verdade que muita gente (DÂA!) sentirá mais tarde: corte de pensões, afectação da liquidez da Segurança Social com a redução da TSU, aumento do IVA e de outros impostos, recessão económica, desemprego jovem e de longa duração a agravar-se e o mais que se sabe da leitura dos ‘memos’ da troika. Um ‘show’ socrático, agora a cargo da parelha Coelho-Portas.
    Tinha duas alternativas em dia de eleições: abstenção ou votar na verdadeira esquerda, BE ou CDU. Votei no BE e, ao contrário dos votantes do ‘arco do poder’, não sentirei a mínima a dor na consciência pelo que se vai passar. The show must go on! We will talk later on about that. Ok?

    • António Louro says:

      Subscrevo inteiramente o que escreveste. E para além de não ter a dor na consciência, farei os possíveis para ajudar quem precisar, independentemente de cores ou partidos ou credos ou orientações.

      • Carlos Fonseca says:

        Também ajudarei os outros, coisa que, de resto, já faço.

  9. A. Pedro says:

    Carlos, sabemos que ninguém -excepto o governo- foi negociar com a troika. Foram, quando muito, transmitir pontos de vista. Até Boaventura Sousa Santos lá foi, o PC “mandou” a CGTP e, no meu entender, o BE perdeu uma oportunidade de representar os seus eleitores e marcar uma posição. Podia não adiantar, mas fazia o seu trabalho, dizia não concordo com isto, isto e isto.

    • A. Pedro says:

      De resto, para ser claro, eu concordo com a leitura que o BE faz das consequências do “acordo”. Não impede que seja um dos derrotados da noite.

      • Carlos Fonseca says:

        Nem mesmo o governo negociou coma troika. O Sousa Santos e o Manuel Carvalho da Silva, como outros da direita e até o Proença da UGT, foram municiar a troika a fim de esta tomar o pulso ao país.
        Tem sido assim em todo o lado a prátoca do FMI. Da Argentina a todo a África, os exemplos são mais que muitos.

  10. madalena says:

    bom , resolvida a questão do casório gay , agora só se pegarem no legalize it é que irão ter algum futuro :))

    • António Louro says:

      Efetivamente na campanha eles não se calaram com isso.

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