Fala agora, Angela!

A Alemanha, que já arrastou o mundo para duas guerras, parece não conseguir desistir de um projecto hegemónico e racista, usando uma posição de força na União Europeia. Nos anos 80, com a prestimosa colaboração dos políticos portugueses, preocupados com a imagem do “bom aluno”, e em parceria com a França, esse país que sempre quis ser a Alemanha, os alemães contribuíram para matar o tecido produtivo português.

A sinistra Merkel, de modo coerente, vomitou umas críticas sobre a excessiva generosidade das leis laborais portuguesas. Se Portugal tivesse dirigentes políticos à altura, tais palavras deveriam ter merecido uma resposta firme, mas Cavaco, tão prolixo no Facebook, e Sócrates, esse animal tão feroz, emudeceram. Poder-se-ia pensar que era pura e simples cobardia, mas é mais do que isso: o arco do poder agradece qualquer contributo que permita retirar direitos laborais.

Para azar de toda esta gente, aparece agora um estudo em que se conclui que os europeus do Sul trabalham mais do que os alemães. Que dirá agora, a fuhrer?

Comments

  1. Nuno Castelo-Branco says:

    Pois, mas como a Alemanha paga, pode falar. Quanto ao “presidente”, o que dizer da sua utilidade. Ainda anteontem, embora esteja temporariamente entrevado, João Carlos I disse das boas a propósito da “crise pepineira”. Por cá, o silêncio é total quanto ao que interessa. 23% de votos expressos foi o que Cavaco teve. Ainda os hei-de ver eleitos por 2,3.


  2. Meu caro Nabais a primeira parte desse estudo dá-lhe razão e não é novidade para ninguém que conheça ambos os países.

    Na segunda parte (a que diz que não produzem mais por hora) acredita quem acredita no Pai Natal.

    Já lhe explico.

    http://supraciliar.blogspot.com/2011/06/truques.html

    • António Fernando Nabais says:

      As questões da produtividade são muito importantes, mas não são as que estão propriamente em causa neste estudo. O que interessa, aqui, realçar é que o problema não está nas horas de trabalho ou nas férias ou nas idades de reforma. De resto, haverá, com certeza, um problema de produtividade.


  3. Já agora, qual é a percentagem do povo Português que trabalha em Portugal comparada com a Alemanha? Aquele número de 1719 é pouco superior a um horário de 35 h por semana descontando as férias e feriados. É a média dos que trabalham? ou a média de trabalho dos Portugueses adultos? É que brincar com números não é só a Sra. Merkel que não tem culpa das guerras da primeira metade do século passado.

    • António Fernando Nabais says:

      Chateia-me generalizar e poderei estar a ser injusto para um grande número de alemães (que devem estar interessadíssimos nos meus desabafos), mas a verdade é que estes tiques ditatoriais, estes complexos de superioridade, não desaparecem e, enquanto não desaparecerem, será muito difícil esquecer as guerras da primeira metade do século passado. Entretanto, confirma-se que o projecto europeu não assenta (alguma vez assentou?) em solidariedade, mas sim em domínio (e a brutal redução das nossas quotas na pesca e na agricultura demonstra-o). De resto, todas as suas questões são pertinentes e há muita autocrítica a fazer.

      • A. Pedro says:

        A brutal redução das nossas quotas na pesca e na agricultura tem dois nomes e não me soa a alemão: os bons alunos Cavaco Silva e Arlindo Cunha. Puseram-se em bicos de pés e fizeram trabalhos de casa que nem os professores ousaram pedir.


  4. Esgotei o tempo que tinha para procurar o estudo original.
    Aguardo que um blog económico o encontre.

    Suspeito que o truque esteja na expressão “individual”.

    Ou seja, suspeito que quando se compara o que produz um operário português numa linha de montagem de automóveis se descubra que ele produz o mesmo que um alemão. Se for o caso esse facto é uma distorção em relação à estrutura da economia pois a nossa industria produz menos carros e mais sapatos que a alemã e de nada serve comparar a produtividade sector a sector.

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  1. […] post anterior, o António Fernando Nabais critica Angela Merkl, pela sua defesa da alteração das Leis laborais em Portugal. Vou passar à frente da […]