E agora leiam lá o que votaram

Bateu todos os recordes de hipocrisia: só depois das eleições o Ministério das Finanças publica um documento onde de forma rápida e acessível todos podem ver o que vem aí.

Cereja em cima do bolo, chamaram-lhe Sistematização das medidas do Programa de Apoio Económico e Financeiro a Portugal até ao final de 2011

Quem chama a isto apoio só merece uma designação, a de mentiroso.

Durante toda a campanha houve um profundo silêncio sobre o verdadeiro programa dos partidos autorizados a governar. Se o memorando, um documento técnico de leitura difícil, foi traduzido tal deve-se ao Aventar.

Apenas BE e PCP tentaram discutir o que aí vem, levando logo em cima com uma dúzia de comentadores encartados e “imparciais”,  disparando dislates sobre estes partidos. Dentro de um  ano, ou menos, com estas medidas Portugal estará a renegociar a dívida, outra ideia de esquerdistas que só dizem mal e não querem governar. Aqui está a demonstração de que a democracia com esta comunicação social é uma treta, e a manipulação uma arma. Para salvar os bancos, nacionais e europeus, você que votou nisto, leia até ao fim, vai ver que lhe sabe mal.

 

(Formato PDF: SI_Medidas_PT – 186.3kB)

Comments

  1. A. Pedro says:

    Se estes rapazes tivessem ganho as eleições esta dita “sistematização” não via a luz do dia. Como a rapaziada mudou, é tudo a favor da transparência.

    … que os …


    • Não acho: o silêncio foi dos 3, o interesse era comum. Qualquer partido podia ter feito este documento em 24h. Até nós o podíamos ter feito, se tivéssemos tido pachorra para continuar a fazer o trabalho dos outros.

  2. jorge fliscorno says:

    Xiça! Nem os 28% merecem. Tristes

  3. Marco Gomes says:

    Claro que a responsabilidade de divulgar este tipo de documento era de quem “negociou” este acordo: evidentemente os três que “negociaram” e se rejubilaram com o acordo “necessário” e sem alternativa.


  4. Estes tipos são nojentos.

    E o pior é que este acordo não vai resolver nada, por um lado, e por outro lado vai dar justificação para todas as acções do novo governo – ou seja, o governo vai ter justificação e licença para fazer o que quiser. Tenham portanto muito medo, mesmo muito medo.

    A única esperança que tenho é que isto rebente depressa de modo a que os políticos do PS/D + PP não terem tempo de fazerem muitos estragos. A quantidade prodigiosa de dinheiro devido ao estrangeiro pelos nossos honrados banqueiros leva-me a ter esta esperança.


  5. Parece-me óbvio que a responsabilidade maior pertencia a quem trouxe Portugal até aqui, negociou e assinou o acordo. PSD e CDS/PP comprometeram-se a prosseguir o plano, o que é em qualquer caso diferente, mesmo que possamos presumir que o resultado não seria muito diferente, se já estivessem no governo. Em qualquer caso, o PSD apresentou um programa, com propostas concretas, que o PS tentou debater ponto por ponto, acusando de tentativa de desmantelar o estado social. Enquanto isso, que medidas apresentou o PS? Nenhumas, omitiu esta informação. Foi essa uma das razões para a derrota. E será obrigado a apoiar as medidas até 2013, pois ninguém perceberia que agora alterasse a postura, face a um documento que negociou e assinou. Quanto aos outros partidos, que defendem que não se assine o acordo com a troika, gostaria de perceber como pagariam aos funcionários do Estado os vencimentos de Maio, Junho, Julho e por aí em diante… É que Portugal estava sem dinheiro para honrar os compromissos. Tivessem negociado o resgate há um ano e muito provavelmente, não teríamos chegado aqui. Ou não tivessem lapidado os cofres públicos…


    • Esse mito do “não havia dinheiro para pagar os ordenados” é falso. Primeiro porque havia formas de obter dinheiro, desde os fundos da Seg. Social às reservas de ouro que podiam servir para negociar um empréstimo directo com outros estados. Segundo porque os credores só aumentaram os juros porque o governo se agachou.

      Quando um caloteiro nos diz: não tenho dinheiro para pagar, ou negoceia outras taxas e prazos ou não pago, não há credor que se recuse a isso. Acima de tudo eles querem o dinheiro de volta. Eles, os banqueiros e os especuladores, preferem ganhar menos a não ganhar. Estou a simplificar, mas é assim. Se a Grécia fizer um referendo como a Islândia o fez, vamos ter oportunidade de ver como estas coisas funcionam. De resto é o que faremos dentro de um ano, quando for evidente que esta “ajuda” só nos vai endividar e lançar na bancarrota. Mas a Grécia vai em 15 dias de ocupação de Atenas, não há é tv’s portuguesas a dar por isso…

      • jorge fliscorno says:

        Esse mito do “não havia dinheiro para pagar os ordenados” é falso. Primeiro porque havia formas de obter dinheiro, desde os fundos da Seg. Social às reservas de ouro que podiam servir para negociar um empréstimo directo com outros estados.

        Os fundos da Segurança Social? Esses mesmos que tanto celeuma causaram quando se falou em baixar a TSU? E o ouro daria, se tanto, para um ano. E depois?


        • Nope. Os fundos da Segurança Social que andam investidos mundo fora. Por vezes em tóxicos. Sendo verdade que Portugal não é lá muito limpo, sempre tem um deficit inferior a muitos e respeitáveis países europeus…


  6. Não nos poderemos comparar aos gregos, nos problemas, nas reacções, da mesma forma que não nos comparamos aos alemães… Quanto ao resto, prefiro esperar pelos resultados.

  7. jorge fliscorno says:

    Imaginando que tivessem ganho os partidos anti-troika, o título do post poderia ser “E agora vão buscar o vosso salário onde votaram”.


  8. Não sei se repararam, mas a descida da TSU não consta; só consta descida das contribuições dos funcionários publicos.
    Também foi deixado cair uma coisa que li do original da troika – a taxação de todos os subsídios sociais

  9. medico bulgaro says:

    Recalibração do sistema fiscal em termos orçamentais para reduzir os custos do trabalho está lá,
    Incentivar os médicos a prescrever genericos, como?

  10. Nightwish says:

    A miséria continua num país perto de si.

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