Miséria de discursos em discursos da miséria

O sr. Silva, presidente de alguns portugueses, apelou à frugalidade e ao sacrifício. Para dar o exemplo e a partir de agora em Belém só se come sopa e uma sardinha será dividida pelos comensais. Com a sua peculiar memória queixou-se do abandono dos campos e da agricultura. Não se recorda de ter negociado com a na altura CEE esse mesmo abandono, ou daquela fantástica profusão de veículos todo o terreno ter brotado do nada no seu reinado de governante.

Às tropas Cavaco Silva deu o conforto de avisar que mesmo em tempo de vacas muito magras não se pode poupar na segurança. Reparem: segurança, e não defesa. Ficamos pois a saber que para os lados do poder se teme que as polícias não cheguem para conter as ruas.

O político António Barreto disse mal dos políticos. Rotina, portanto. E quer uma revisão constitucional que nos dê governos estáveis, como o proclamam todos os políticos de direita desde 1976. Ou seja: maiorias artificiais, e desprezo pelo voto dos portugueses. Há alturas em que nem sei se o passado de democrata de António Barreto pode ser considerado no presente.

Comments

  1. Nuno Castelo-Branco says:

    Óptimo, ele que comece o exemplo por Belém. Corte nos DEZASSETE MILHÕES/ano e passe a consumir os OITO que a Casa Real espanhola despende.

  2. Jaime Marques says:

    Meu caro, o Barreto há muito que perdeu toda a decência. O facto de a direita o transportar em ombros ajudou à festa.

  3. Carlos Capitão says:

    Com este seu comentário, tratando desnecessariamente o nosso presidente da República de forma malcriada, custa-me a compreender o seu comentário sobre a avaliação dos professores. Se eu fosse seu aluno, e sabendo que fala assim do primeiro magistrado da nação, dava-lhe sempre nota negativa, lá isso dava.


    • Sou republicano: o Presidente da República é um cidadão como os outros, passível de críticas (não lhe ofendi a honra, se é isso que está a insinuar, até porque não me apetece ser processado), eleito por um mandato.
      Esse estatuto de intocável tinha-o Américo Tomás. E esse sim, em minha casa era tratado por Velhinho Pateta. Na rua não, dava cadeia.

      • Carlos Capitão says:

        Não é só isso que está em causa, amigo: o presidente da república é o nosso presidente, meu e seu. E o senhor, ao dizer que ele é apenas presidente de alguns, está a desconsiderar a vontade da maioria, logo a desrespeitar a democracia. Isto em quem se diz republicano…
        E que eu saiba, em lugar nenhum do mundo, num meio de comunicação social, se trata o presidente da república da forma que o senhor tratou, Ficava~lhe bem mostrar-se arrependido.
        Cumprimentos.

    • ibmartins says:

      Já repararam como Cavaco Silva está a ficar cada vez mais parecido com Salazar? até no respeitinho que inspira…

  4. João says:

    só vou fazer um pequeno comentário ao todo o terreno que brutaram pelo país fora. Entre os anos de 1991 e 2007, os projectos de instalação de jovens agricultores continham um prémio de intalaçlão de 25000€ ou 5000 contos e esse era mesmo um prémio para os agricultores fazerem o que bem entendessem, um Gipe, um apartamento, comprar um professor, ao gosto e como somos portugueses e aquilo pegou moda. no entanto hoje é possivel concluir que 25000€ era pouco ppois mesmo assim niguém quis ser agricultor e toda a gente foi para as universidades tirar curso de professores.

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.