O nosso pobre saber agricola

rosa da paz

a rosa da paz

Nos tempos que correm apenas podemos pensar sobre 

O NOSSO POBRE SABER AGRÍCOLA

O título do ensaio não é ironia, é uma lembrança de uma questão colocada a minha filha mais velha, nos dias dos seus cinco anos. Vínhamos da Grã-Bretanha, por causa de saber se o socialismo materialista histórico votado em sufrágio universal, tinha ou não sucesso. Bem sabemos hoje que assim não foi. Mas, tornemos aos anos 70-73 e a questão colocada a Paula; filha, de onde nascem as alfaces? A sua resposta foi simples; dos cestos do mercado, sítio certo das compras da sua mãe, quem se acompanhava com ela, ainda não habituada a estar de volta ao País do Frio ou Chili em língua Quechua. Especialmente ao sítio solicitado por mim, ao nosso Reitor da Pontifícia Universidade Católica do Chile; la sede de Talca, porque era denominada a cidade o rim da aristocracia chilena. Era da Província do Maule, espaço geográfico onde se encontravam os maiores latifúndios do país. O objectivo do Presidente era a reforma agrária e entregar a terra a quem a trabalhava e não apenas ser da propriedade de uma família que estava sempre em Santiago, por serem profissionais e por causa do estudo dos filhos. A

hacienda (fazenda em língua lusa) era para as férias, para visitar em dias de folga cumpridos, ser servidos pelos inquilinos, palavra que tenho definido em outros textos, como metáfora de escravos: não eram pagos e recebiam um troço de terra para ser trabalhada pela família que ficava em casa. Os cultivos das Haciendas eram especializados en vinhas, de cepa francesa, que produziam o melhor vinho. Bebida não consumida no país, servia para a exportação e rendia lucro e mais-valia como acontecia também com a beterraba, a melhor hortaliça para produzir açúcar, outra grande entrada para donos de terra e para as arcas do país, pelos juros que pagavam nas alfândegas. Os patrões, como eram denominados os proprietários, viviam em casas grandes de barro e totora e instilavam terror ao inquilinato. Não esqueço as palavras dos trabalhadores: “olha, anda ai, toca trabalhar”. As nossas propriedades eram cultivadas, mas era necessário um capataz o mordomo, para orientar os trabalhos. Capatazes que sabiam, especialmente, mandarem. Muitos dos filhos estudavam engenheira agrária e florestal, como o meu irmão, que acabou por cansar-se de ser filho queque, apoiou ao Presidente e foi subsecretário da Reforma Agrária, arrasando com as terras privadas, incluindo as da família.

Não era apenas no Chile que começavam os movimentos pela recuperação da terra: o Peru, Uruguai, Equador e outros países da América Latina que cultivavam cana-de-açúcar, pêra abacate, usavam as madeiras das melhores madeiras, para construir instrumentos musicais que exportavam, como a flauta de bisel de madeira, Assim, começa-se a tocar pelo instrumento menor, denominado Chuli, para continuar com as Maltas acabando o toque da banda com os sons das Zankas e os Toyos que, por serem mais compridos, o Surie outros que analiso no meu livros Música e Letras Barrocas en los Andes e Europa, 2011.

Madeira de árvores que davam fruto, dos que se retiravam partes para secar, confeccionar os instrumentos e os exportar.

A terra era cuidada não apenas pela horticultura de frutos, bem como também por estas surpresas que descrevo. A terra é todo e as divindades que tomavam conta delas, produziam fruticultura, hortaliças e frutos industriais, como a coca em Bolívia, a beterraba no Chile, Peru e Equador. O Peru tinha outra riqueza, as minas de huano o dejectos de pássaros para fertilizar a terra, com um resultado tão abundante, que era vendido a Venezuela, a Bolívia, que, pela altitude das montanhas, não tinham amimais que puderem ser utilizados como fertilizantes.

Não é, pois, apenas os comestíveis importantes para entendermos o uso da mãe-terra, como é denominada entre os indígenas. Apenas acrescentar que meus amigos passaram de tratar as mentes, como todos fazemos, a médicos do corpo, após estudar as plantas dos Barasana, a fisiologia na Colômbia Amazónica, com grande sucesso entre as pessoas da nossa terra de Cambridge. Como Malinowski fez no Arquipélago Kiriwina da Oceânia: a sua base foi a biologia Massim a dissecção de corpos, não apodrecerem e serem capazes de viver outra vez: a reencarnação era parte do saber oceânico.

Se a minha filha mais nova pensava nos cestos como terra, a mais nova andou a salvar árvores em Cairú , São Salvador da Baia e assim salvar a espécie dos estraduvários, como fez no Equador e na Suíça.

Era uma vergonha para mim que filhas de um homem rural, não soubessem ideias essências para entender o mundo em que viviam.

No tempo de Allende, Camila no existia nem era uma ideia. Paula, com os seus três a cindo anos, saia comigo a vida rural e começou a cozinhar conservas de melaço, a trabalhar a terra com o pai e os seus analisados. Acabou por ser analista de crianças exiladas e trabalhar com elas a cozinhar para a sua terapia, no Hospital de Utrecht, Neerlandês ou Holanda, como costumam denominar Camila, salvou árvores para o nosso prazer.

A terra é a base não apenas da horticultura, bem como da nossa vida. Como das histórias que se contam para entender o nosso convívio. Bem sabemos a metáfora: da terra vens, em terra converteste-as….

Raúl Iturra

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